Taques reforça que crise é "fruto da roubalheira" e aponta cinismo de opositores

Por D.D.ANDRE 02/12/2017 - 14:09 hs

O governador Pedro Taques (PSDB) disse que não tem “maldade no coração” e que recursos que poderiam custear a saúde, além de ser utilizado no pagamento dos salários dos servidores, foram subtraídos dos cofres públicos devido a “roubalheira” das gestões anteriores, fazendo uma referência ao ex-governador Silval Barbosa (sem partido). As declarações foram dadas em entrevista concedida a rádio Vila Real (98,3 FM) na manhã desta sexta-feira (1).

Taques explicava que a crise da falta de recursos que obrigou o Estado a atrasar os salários do Poder Executivo do mês de outubro de 2017 e que vem promovendo uma crise na área da saúde pela falta de pagamentos aos fornecedores, que atinge Mato Grosso não é exclusividade da unidade federativa. “Essa crise não é a crise do Estado de Mato Grosso. É uma crise nacional. Todos os Estados da federação estão com problemas sérios. 10 Estados não estão pagando salário em dia do  servidor. Estão atrasando salários”, assinalou.

Porém, admitiu que a situação do Estado se agrava diante dos casos de corrupção da gestão passada. Ele ainda "alfinetou" os opositores, que agora fazem críticas a sua gestão. “Aqui em Mato Groso se agrava diante da roubalheira da administração passada. Será que o governador atrasa pagamento da saúde porque tem maldade no coração? Em absoluto. É porque não tem dinheiro. Mas cade o dinheiro? Porque o dinheiro roubaram, e quem roubou agora está fazendo crítica”, disse ele num recado indireto a deputada estadual Janaína Riva (PMDB), filha do ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Riva (sem partido).

O governador também que citou que duas delações premiadas que tem tomado as manchetes dos veículos regionais de comunicação nos últimos tempos – em referência aos acordos de Silval Barbosa e do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, realizados com a Procuradoria Geral da República (PGR) -, apontaram para desvios de R$ 1,5 bilhão. “É justamente o valor que está faltando agora par quitar as contas”, queixou-se o governador.

MODELO DE SILVAL NO VLT

Um dos símbolos, porém, da corrupção que permeou a administração Silval Barbosa, o Regime Diferenciado de Contratação (RDC) – um procedimento licitatório especial que, diferente da Lei Geral de Licitações (8.666/93), dispensa o poder público de apresentar um projeto básico, limitando-se apenas a um ‘anteprojeto’, entre outras 'inovações' -, será novamente utilizado pelo Poder Executivo para dar continuidade as obras do veículo leve sobre trilhos (VLT), paralisadas desde dezembro de 2014 e que hoje é discutida na Justiça Federal. O RDC já tinha sido utilizado na gestão Silval Barbosa para implantação do sistema de transporte – que deveria ser entregue em março de 2014 para atender os turistas e torcedores que acompanharam os jogos da Copa do Mundo, em Cuiabá -, porém, mais de R$ 1 bilhão já foi gasto do projeto que ainda está longe de ser finalizado.

Apesar do histórico negativo, Taques afirmou que o RDC que irá utilizar não será com o “roubo e a corrupção da gestão passada”. “Esta comissão do Governo concordou em fazer um RDC - não o RDC da administração passada, com o roubo, com corrupção. Mas objetivamente o RDC nós vamos fazer uma contratação de uma empresa para terminar o VLT por meio de concorrência”, disse.

O governador recordou que foi contra a implantação do VLT, uma iniciativa da administração Silval, e por conta disso foi acusado por adversários até de pertencer a "máfia dos combustíveis". Porém, garantiu que irá conclui-lo e voltou a criticar opositores, que hoje dão declarações contrárias a retomada das obras. “Agora eu como governador estou sendo responsabilizado pelo término da obra do VLT. Na politica e na democracia nós temos que aguentar até o cinismo. Pessoas que roubaram dinheiro de Mato Grosso, e que agora estão criticando”.