Presos cobram mensalidade para "bocas" funcionar em Cuiabá e VG

Por LUCAS DE OLIVEIRA 12/12/2017 - 14:04 hs

Cerca de 40 membros da organização criminosa que cobrava mensalidade em pontos de comércio de drogas (bocas de fumo), em bairros periféricos de Cuiabá serão indiciados ao final do inquérito policial da operação “Babilônia”, deflagrada nesta terça-feira (12), pela Polícia Judiciária Civil por meio de investigações da Delegacia Especializada de Entorpecentes (DRE). A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva e 58 buscas e apreensão domiciliar,  totalizando 82 ordens judiciais expedidas pelas 13ª e 9ª Varas Criminais de Cuiabá.

Todos responderão por tráfico e associação para o tráfico de drogas. Sete dos envolvidos também foram autuados em flagrantes por tráfico de drogas, posse irregular de arma e munições.

Na ação, que mobilizou 260 policiais civis, foram presos 27 traficantes, dos quais três foram flagrados com entorpecentes em suas casas e outros 24 foram notificados da ordem de prisão. As prisões ocorreram em Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis

Dois traficantes, que são moradores de Cuiabá, foram encontrados em Rondonópolis. Eles estavam comercializando drogas na cidade e foram presos em flagrante, além de terem os mandados de prisão cumpridos.

O grupo comandava mais de 50 bocas de fumo  em três principais bairros da Capital:  Pedra 90, Tijucal e  Osmar Cabral. Um dos líderes da associação criminosa, Ronaldo Nonato, conhecido por “Gordão,  que atua no bairro Pedra 90, tem enorme poder de influência sobre os demais traficantes, considerados menores.

Ele integra uma facção criminosa, que atua de dentro de presídios, sendo responsável pelo cadastramento das 'biqueiras', também conhecidas por bocas de fumo no bairro. O criminoso cobrava R$ 100 para que a boca de fumo se mantivesse em funcionamento.

Em sua casa, os policiais encontraram listas em papel com nome dos pontos de drogas e também mais de R$ 5 mil, do comércio de entorpecentes. “Havia uma arrecadação de dinheiro para que a boca de fumo pudesse funcionar. E para isso cobravam um pagamento mensal de 100 reais por boca de fumo. Identificamos aproximadamente 50 bocas de fumo. Um dos desses documentos foi apreendido na casa do principal líder, o Ronaldo. Ele que fazia essa cobrava. Sobre movimentação de valores, quantidade de drogas isso será analisado ainda”, disse o delegado Rodrigo Azem.

Em outro ponto, no bairro Tijucal, os policiais apreenderam tabletes de maconha. Ainda na operação foram encontrados mais tabletes de pasta base, balança de precisão e até uma arma de fogo. 

A investigação foi iniciada há 7 meses com denúncias apuradas pela Núcleo de Inteligência da Delegacia de Entorpecentes, que evoluíram para apreensões de drogas, prisões de traficantes e detenções de usuários, originando 15 procedimentos (inquéritos e termos circunstanciados de ocorrências) na Delegacia. Conforme o delegado, Rodrigo Azem, o trabalho investigativo e operacional identificou a existência de membros que desempenham funções específicas, sinalizando que são parte de uma ramificação que atua fortemente no mundo do crime.

O comércio de drogas objetiva angariar lucros, meio de vida para sobrevivência de traficantes, que com a venda de drogas fomentam diversos crimes como roubos, furtos e homicídios.  Para a operação foram empregados 260 policiais civis divididos em equipes com delegados, investigadores e escrivães, lotadas em unidades das Regionais de Cuiabá e Várzea Grande, e também delegacias da Diretoria de Atividades Especiais.

O delegado Marcelo Muniz Miranda classificou os traficantes, investigados na operação “Babilônia”, de médio porte porque trabalham no tráfico doméstico, aquele também conhecido por “formiguinha”, em razão de movimentar pouca quantidade de drogas, mas de forma intensa. “Outras frentes serão iniciadas pela Delegacia visando identificar os fornecedores diretos, o dono da droga, aquele que traz o entorpecente da fronteira para comércio nessas bocas de fumo”, disse.

O delegado de polícia titular da DRE, Vitor Chab Domingues, explica que o tráfico doméstico de entorpecente, as chamadas "boca de fumo", age intensamente  comercialização de pequenas quantidades de droga e cria raiz no bairro, gerando  no local onde se instala, temor e sensação de insegurança ao morador do bairro,  cidadão de bem que trabalhada honestamente. “Nesse local há indiretamente a consumação de outros delitos, como furto, roubo, homicídio e até latrocínio, pois o usuário de droga, principalmente, aqueles que vivem na margem da miséria, para sustentar o vício, comete furto, roubo e até mesmo troca mercadoria furtada ou roubada na boca de fumo, no intuito de adquirir a droga”, disse Vitor Chab Domingues.