Presidente da AL prevê reeleição de 18 deputados de MT

Por D.D.ANDRE 29/12/2017 - 14:19 hs

A citação de deputados estaduais na delação premiada do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) não deve afetar a reeleição dos mesmos no pleito do na que vem. Este é o entendimento do presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Eduardo Botelho (PSB). “Cada caso vai ter uma reflexão do eleitor. Mas acredito que, hoje, em torno de 15 a 18 deputados se reelegem. Esse é meu pensamento, mas é o eleitor que vai decidir. Não posso falar pelo eleitorado”, analisou o socialista. 

O parlamentar acredita que a reeleição depende muito do trabalho que cada deputado desenvolveu em suas bases eleitorais ao longo dos últimos quatro anos. Para justificar a sua afirmativa, Botelho cita o ex-deputado estadual José Riva como exemplo. “Não pode generalizar todos os deputados. Há deputados que têm trabalho forte na base. O Riva, por exemplo, teve várias denúncias aqui e se reelegeu todas às vezes como deputado estadual”, completou. 

Diversos deputados foram flagrados em gravações feitas pelo ex-chefe de gabinete de Silval, Silvio Cesar Corrêa. Nos vídeos, eles aparecem recebendo dinheiro de propina. As gravações fazem parte do material entregue pelo ex-governador a Procuradoria Geral da República. Em depoimento, o ex-gestor disse que os deputados estaduais recebiam uma espécie 'mensalinho' para apoiar a sua gestão. 

São citados na delação de Silval Barbosa os deputados José Domingos Fraga (PSD), Mauro Savi (PSB), Baiano Filho (PMDB), Romoaldo Júnior (PMDB), Guilherme Maluf (PSDB), Pedro Satélite (PSD), Gilmar Fabris (PSD), Dilmar Dal Bosco (DEM), Sebastião Rezende (PSC), Wagner Ramos (PSD), Adalto de Freitas (SD), Eduardo Botelho (PSB), Ondanir Bortolini, o Nininho (PSD), Oscar Bezerra (PSB) e Silvano Amaral (PMDB). A Ong Moral (Movimento Organizado pela Moralidade Pública e Cidadania) chegou a protocolar requerimento solicitando a instauração de processo disciplinar contra os deputados citados pelo ex-governador. 

No que diz respeito a isso, Botelho afirma que, por hora, não será feito. Ele afirma que a Casa de Leis irá esperar “algo factível”. “Não tem como começar um processo agora sendo que não tem nada factível. Existe a delação, que não quer dizer que é verdade, existe gravação, mas existem várias versões. E a Polícia Federal, Ministério Público e o Supremo estão investigando. A decisão foi de aguardar e ver o que vai acontecer. Na hora que chegar algo real, aí tomaremos providências”, finalizou. 

Em contrapartida, as Câmaras de Vereadores da Capital e de Juara instalaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar a conduta dos atuais chefes dos municípios, Emanuel Pinheiro (PMDB) e Luciane Bezerra (PSB). Ambos também são acusados de receberem propina durante a gestão de Silval. Na época, eles exerciam o mandato de deputados estaduais. Os ex-parlamentares também foram filmados recebendo dinheiro das mãos de Silvio Correa.