Ex-governadores rebatem Taques

Por D.D.ANDRE 21/07/2018 - 15:11 hs

Numa entrevista comparativa entre o seu e governos anteriores, o tucano Pedro Taques disse que antecessores juntamente com seus familiares, aos quais chamou de ‘eles’ formariam forças conservadoras para confrontá-lo. Paralelamente a isso, traçou o perfil de sua administração que está e, seu último semestre. Dos citados, Júlio Campos (DEM) e Carlos Bezerra (MDB) retrucaram. Jayme Campos (DEM) e pré-candidato ao Senado preferiu o silêncio. Garcia Neto, que governou de 1975 a 1978, morreu aos 87 anos em 20 de novembro de 2009; o deputado federal Fábio Garcia, presidente regional do MDB, não atendeu as ligações para falar sobre o caso; Fábio é neto de Garcia e seu herdeiro político. Citando dados, Júlio disse que “minha administração foi melhor do que a dele (Taques)”. Em tom áspero Bezerra pediu que o governador ao invés de criticar políticos deveria sim, “é mostrar ao povo de Mato Grosso que a corrupção está entranhada em seu governo”. 

Antes de traçar comparativo entre a sua e a administração de Taques, Júlio disse que o governador é ingrato e não cultiva amizades, “o seo Nego Ribeiro (Alinor Taques), pai do Pedro (Taques), morava no município de Rosário Oeste e precisava botá-lo na escola em Cuiabá. Então ele pediu emprego para o filho, que tinha 14 anos. Eu era governador e falei com o presidente do (extinto) Banco do Estado, o Bemat, para nomeá-lo office boy; foi seu primeiro emprego”. Júlio disse que atendeu seo Nego, por conta da amizade que sempre uniu suas famílias. De 1983 a 1986, quando governou, Júlio adotou por slogan, “40 anos em 4”. O ex-governador acredita ter alcançado a meta anunciada. “Naquele tempo não havia Fethab nem FEX, mas nós construímos 2.230 quilômetros de pavimentação e abrimos 4.000 quilômetros de rodovias incluindo a MT-320 de Marcelândia a Nova Santa Helena, e a MT-175 chamada de Trans-mato-grossense, de Tangará da Serra a Aripuanã passando por Campo Novo do Parecis, Brasnorte, Juína, Castanheira e Juruena”. Ainda no setor rodoviário ele acrescenta que ligou Paranatinga a Gaúcha do Norte, e Água Boa a Paranatinga. 

Na área habitacional Júlio revela que construiu 40 mil moradias pela extinta Cohab, “CPA, Morada do Ouro, Cristo Rei (Várzea Grande), Marechal Rondon (Rondonópolis) e muitos outros conjuntos”, exemplifica. 

No setor elétrico, em seu governo Mato Grosso ganhou a terceira linha de transmissão de Cachoeira Dourada a Cuiabá. 

Na Educação – um de seus orgulhos – Júlio estufa o peito para dizer que “construímos mil salas de aulas e a população de Mato Grosso era de um milhão e seiscentos mil habitantes, ou seja, a metade da atual”. 

Cultura e turismo se completam. Júlio recorda que seu governo fez o tombamento do Cine Teatro Cuiabá, da antiga Residência Oficial dos Governadores, do Palácio da Instrução e de muitos outros imóveis históricos. Na área turística foram construídos os balneários de Salgadeira e das Águas Quentes, em Barra do Garças. “Conseguimos atrair investidores em hotelaria para Cuiabá”, comemora. 

Até 1983 Barra do Garças não tinha aeroporto. Os pousos destinados àquela cidade eram feitos na antiga Base Aérea de Aragarças (GO), cidade que juntamente com Barra e Pontal do Araguaia formam uma conturbação com os rios Garças e Araguaia ao meio. 

A primeira visita de Júlio à Barra foi complicada. A Casa Militar de Mato Grosso pediu autorização ao governo goiano para a segurança do governador vizinho atuar em Goiás. Tão logo desceu do carro em Barra, Júlio anunciou que construiria um aeroporto exclusivo para a população barra-garcense. Esse aeroporto continua em operação. Alta Floresta que estava no auge do ciclo do ouro, também ganhou o Aeroporto Piloto Oswaldo Martins Dias – sua pista com 2.500 metros é a maior de Mato Grosso. 

Júlio concluiu dizendo que não iria rebater Taques com frases de impacto e que apresentou alguns números de determinadas áreas de atuação de seu governo para que a população trace um comparativo entre o que ele fez “e o que Taques não fez”. 

BEZERRA – Após um breve silêncio ao ser questionado como via o comparativo feito por Taques, Bezerra respondeu com rispidez, bem ao seu estilo ‘mão de pilão’. “Todos (os ex-governadores) superaram e muito o governo dele, que é um desastre sob todos os aspectos, incluindo a falta de gestão, a inexistência de planejamento”. 

Para Bezerra, Mato Grosso está ‘atado administrativamente há três anos e meio’. Ele criticou a falta de obras e de politicas sociais apontando o dedo para suposta corrupção que teria sido descoberta na Secretaria de Educação, e no Detran, pela Operação Bereré. Mais: classificou o escândalo Grampolândia Pantaneira enquanto “prática fascista a mando do Estado”. 

O líder regional do MDB concluiu com uma sugestão a Taques, que segundo ele, ao invés de criticar políticos deveria sim, “é mostrar ao povo de Mato Grosso que a corrupção está entranhada em seu governo”. 

‘ELES’ – A designação de ‘eles’ dada por Taques teve endereço certo: Bezerra, Júlio, Jayme e Fábio, todos empenhados na pré-campanha do ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (DEM) ao governo. 

Jayme é pré-candidato ao Senado. Júlio é citado enquanto provável candidato a deputado estadual; os dois são irmãos e exerceram os cargos de prefeito de Várzea Grande, governador e senador. 

Recentemente Bezerra anunciou que seu partido formará aliança com o DEM e outras siglas pela eleição de Mauro e Jayme. Antes do anúncio o MDB figurava entre os possíveis aliados do PR que trabalha o nome do senador Wellington Fagundes ao governo. 

Fábio cumpre o primeiro mandato e foi eleito pelo PSB, da base aliada de Taques. Na janela para parlamentar mudar de partido, ele se filiou ao DEM e ganhou sua presidência regional; Fábio anunciou que tentará a reeleição. 

Mauro, que não foi incluído entre ‘eles’, mas está no centro da polêmica pelo apoio que recebe dos três ex-governadores e de Fábio, foi companheiro político de Taques em 2010 em sua candidatura ao Senado e em 2014 quando chegou ao Paiaguás.