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MATO GROSSO

SES promove webinar em apoio à amamentação de pessoas negras

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A Secretaria de Estado de Saúde (SES) promoverá o webinar “Ser preta não é só ter pele: determinação social da saúde e amamentação”, que integra a programação da Semana de Apoio à Amamentação Negra, nesta quarta-feira (28.08).

O webinar ocorrerá de forma online, com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Escola de Saúde Pública de Mato Grosso, às 14h.

Essa iniciativa também integra a Agenda Única do Agosto Dourado, mês dedicado à promoção e ao incentivo da amamentação, organizada pela Coordenadoria de Promoção e Humanização da Saúde da SES.

A transmissão contará com duas palestras:

• “Ser preta não é só ter pele: determinação social da saúde e amamentação”, conduzida pela psicóloga, psicanalista e idealizadora da 1ª Semana de Apoio à Amamentação Negra, Fernanda Lopes;
• “Programa Bolsa Família e autonomia feminina: com foco nas mulheres negras”, apresentada pelo assistente social e responsável técnico estadual de Equidade e do Programa Bolsa Família na Saúde, Ademar Sales.

A psicóloga Fernanda Lopes explica que os caminhos para garantir o direito à amamentação são ainda mais complexos quando atravessados pela questão racial – fato que torna ainda mais importante o processo de incentivo e de promoção à amamentação.

“Amamentar já é um desafio significativo por si só. No entanto, para as mulheres negras, essa experiência é também permeada por questões raciais e pelo racismo, que muitas vezes as impedem de exercer plenamente seus direitos. Amamentar é um direito, e a escolha de amamentar deveria ser simples, porém, no mundo em que vivemos, esse ato torna-se um símbolo de resistência. A Semana de Apoio à Amamentação Negra não é apenas um evento, é um chamado, uma proposta para construirmos um mundo onde as estruturas que sustentam o racismo e o sexismo sejam derrubadas”, disse.

Agosto Dourado em Mato Grosso

Para celebrar o Agosto Dourado, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), por meio da Coordenadoria de Promoção e Humanização da Saúde, oferta a Agenda Única, um espaço virtual para organizar as atividades em diversas cidades de Mato Grosso.

Até o dia 31 de agosto, a Agenda Única estará aberta para receber inscrições de novas ações. Todas as cidades que informaram a organização de eventos podem ser acessadas pelo mapa interativo.

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

Escravidão e memória histórica são tema de webinar do MPMT

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Em diálogo com a agenda internacional de direitos humanos, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) realizou, nesta quarta-feira (22), um webinar dedicado à reflexão crítica sobre a escravidão e o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. A iniciativa destacou a centralidade da memória histórica como elemento fundamental na promoção da igualdade racial e na defesa dos direitos humanos.O webinar foi idealizado pela Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, em parceria com o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), Escola Institucional do MPMT. O objetivo foi fomentar o debate qualificado sobre os impactos históricos e contemporâneos da escravidão na sociedade brasileira.A palestra central foi ministrada pela escritora e imortal da Academia Brasileira de Letras Ana Maria Gonçalves, que apresentou uma abordagem acadêmica e reflexiva sobre os silêncios presentes nos registros oficiais da escravidão e seus desdobramentos na realidade social contemporânea.Segundo a autora, refletir sobre a escravidão exige compreendê-la como um processo cujos efeitos permanecem ativos no presente. “Quando a gente pensa na escravidão apenas como um episódio encerrado, perde a dimensão de como ela continua estruturando desigualdades e violências que atravessam o nosso tempo”, pontuou.Durante a exposição, Ana Maria Gonçalves apresentou conceitos desenvolvidos por pensadoras negras, como a fabulação crítica e a noção de rastro da escravidão. A partir dessas referências, destacou como a história oficial apagou trajetórias de pessoas negras e como a literatura e a pesquisa podem contribuir para a reconstrução dessas narrativas.Ao relatar o processo de criação do romance “Um defeito de cor”, a escritora explicou que a escassez de registros sobre mulheres negras escravizadas demanda um trabalho rigoroso de investigação e imaginação responsável. “Escrever essas histórias é uma forma de enfrentar a violência do arquivo e afirmar que essas vidas existiram, mesmo quando os documentos tentaram silenciá-las”, destacou.O procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, titular Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Cidadania, Consumidor, Direitos Humanos, Minorias, Segurança Alimentar e Estado Laico, atuou como debatedor do evento e ressaltou a importância do debate no âmbito do Ministério Público e o papel das instituições públicas na construção de uma sociedade comprometida com o enfrentamento do racismo.“A obra da professora Ana Maria Gonçalves não me ensinou apenas a não ser racista, mas, sobretudo, a ser antirracista, a partir da força da sua escrita e da história que ela escolheu narrar”, afirmou o procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira.Reconhecimento – Considerado a principal obra de Ana Maria Gonçalves, o romance “Um defeito de cor” venceu o Prêmio Casa de las Américas, em 2007, e foi eleito o melhor livro da literatura brasileira do século 21 por júri da Folha de S.Paulo. A obra narra a trajetória de Kehinde, mulher negra sequestrada ainda criança no Reino do Daomé e trazida ao Brasil para ser escravizada na Ilha de Itaparica, na Bahia.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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