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MATO GROSSO

Poder Judiciário de Mato Grosso

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O ano de 2023 foi definido pelo Conselho Nacional de Justiça como o ano da Justiça Restaurativa na educação e o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio de Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa, vem expandindo suas ações, como a que vem sendo executada pelo CEJUSC (Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania) de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá), que está empenhado desde 2022 em formar novos facilitadores para atuarem nos Círculos de Construção de Paz nas escolas do município.
 
Dessa vez, entre os dias 27 e 31 de março, 19 (dezenove) facilitadores em formação realizaram o estágio supervisionado dos Círculos de Construção de Paz com os próprios servidores do fórum. Ao todo, 56 (cinquenta e seis) servidores tiveram o privilégio de participar dos Círculos na última etapa do curso, iniciado ainda no ano de 2022.
 
A ferramenta restaurativa, voltada para a prevenção dos conflitos através de uma escuta sensibilizada e reflexiva foi aplicada no Fórum da comarca como forma de permitir a comunicação entre os colegas de trabalho e a construção de boas relações.
 
A iniciativa do CEJUSC de Rondonópolis em trabalhar com os servidores da comarca partiu do exemplo dado pela própria presidência do Tribunal de Justiça, conforme explica o juiz Wanderlei José dos Reis: “Buscamos alinhar nossa visão com a do Tribunal de Justiça, no sentido de serem estimulados, cada vez mais, os métodos consensuais de solução de conflitos e promoção da pacificação social, inclusive no ambiente interno da própria instituição, também como forma de prestigiar os próprios servidores do Judiciário, já que poucos tiveram contato com a ferramenta dos Círculos de Construção de Paz.”
 
Feliz com a última etapa do curso de formação, a facilitadora Márcia Garuzzi de Lima Vieira contou qual a sensação do estágio: “Trata-se de um momento ímpar. Esse curso superou minhas expectativas e representou muito para mim. Tenho a sensação de estar preparada para caminhar como facilitadora onde for preciso e ajudar outras pessoas. É o término de um ciclo e o começo de um novo.”, completou.
 
Participando pela primeira vez do Círculo de Construção de Paz, a servidora do Fórum de Rondonópolis Geralda Esplendo contou como foi sua experiência: “Foi uma tarde muito agradável e gratificante. Acredito que o Poder Judiciário está no caminho certo com essas iniciativas, proporcionando o contato entre os servidores, estagiários, e prestadores de serviço, para podermos falar de si, do nosso bem-estar, enfim, foi maravilhoso.”
 
Ainda de acordo com o juiz coordenador do CEJUSC de Rondonópolis, Wanderlei Reis, a formação dos facilitadores foi idealizada pelo CEJUSC desde o ano de 2022 e o reconhecimento dessa iniciativa neste ano pelo CNJ é um passo muito importante para o prosseguimento dos projetos voltados para essa área da Justiça Restaurativa: “É notório que a educação tem enorme relevância no desenvolvimento social e econômico das comunidades e na própria pacificação social, o que requer um esforço conjunto de todos os envolvidos no processo. No ano passado assumimos nosso compromisso com a expansão da Justiça Restaurativa em Rondonópolis e os frutos já estão sendo colhidos, com a formação desses novos pacificadores, que atuarão em toda a rede estadual local.”
 
Segundo levantamento do CEJUSC, o curso de formação de facilitadores em vias de conclusão já atendeu também três escolas do município de Rondonópolis, duas delas estaduais, prestando atendimento a mais de 400 (quatrocentas) pessoas nesse período.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual.
Primeira imagem: participantes sentados em cadeiras, formando um círculo.
 
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MATO GROSSO

19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: esmagis@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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