MATO GROSSO
Linha voltada para mulheres da Desenvolve MT democratiza acesso ao crédito para empreendedoras no Estado
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oestenews
O acesso ao crédito ainda é um dos principais desafios enfrentados por mulheres que empreendem em Mato Grosso. No Dia Internacional da Mulher, a Desenvolve MT reforça o papel das políticas públicas voltadas à democratização do financiamento para fortalecer negócios liderados por mulheres no estado.
Em Mato Grosso, levantamento do Sebrae aponta que o estado possui 244 mil mulheres donas do próprio negócio, mas três em cada quatro empreendedoras enfrentam dificuldades para obter financiamento, seja por nunca terem buscado crédito, por não terem acesso às linhas disponíveis ou por terem as solicitações negadas.
Diante desse cenário, a Desenvolve MT – Agência de Fomento do Estado de Mato Grosso, assume um papel importante na democratização do acesso ao crédito, voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. Uma das iniciativas é a linha Mulher Empreendedora, lançada pelo Governo do Estado para facilitar o financiamento de pequenos negócios liderados por mulheres em Mato Grosso.
Desde o lançamento do Programa Mulher Empreendedora, a linha já destinou mais de R$12 milhões em crédito para apoiar empreendedoras mato-grossenses. Apenas em 2025, foram liberados R$2,4 milhões, distribuídos em mais de 200 operações, o que representou mais de 30% das contratações realizadas pela Desenvolve MT ao longo do ano. A linha também se destacou como a segunda mais procurada entre os financiamentos oferecidos pela agência.
Para a presidente Mayran Beckman, “O empreendedorismo feminino é uma força crescente em Mato Grosso. Nosso papel enquanto instituição pública de fomento é garantir que essas mulheres tenham condições de crescer, investir e acreditar no potencial dos seus negócios”, afirma.
Em 2026, a procura continua. Nos dois primeiros meses do ano, mais de R$116 mil já foram liberados, com 11 operações contratadas. A linha oferece financiamentos de até R$15 mil, a iniciativa tem forte adesão justamente por atender negócios em fase inicial ou de pequeno porte. Os recursos obtidos pelas empreendedoras costumam ser direcionados para capital de giro, reformas, ampliação do negócio, compra de materiais, entre outros investimentos considerados fundamentais para garantir a continuidade e o crescimento das atividades.
Entre as empresas lideradas por mulheres que buscaram a linha nos últimos três anos, a maior parte é formada por microempreendedores individuais (MEIs), que representam 27,94% das solicitações, seguidas por microempresas.
Um exemplo disso é a D’Luxo moda íntima, um empreendimento entre mãe, Lucylene Dantas, e filha, Bruna Marques. Elas começaram como sacoleira vendendo pijamas para pessoas próximas, mas com o tempo a clientela e a demanda por mais produtos foi aumentando, até que em 2020 elas abriram um espaço físico para atender. Em 2025, em busca de como viabilizar o próximo passo do negócio, as empreendedoras conheceram a Desenvolve MT e através da linha Mulher Empreendedora criaram a marca D’Luxo, com pijamas, babydoll, entre outros produtos.
Para Bruna, começar um negócio exige planejamento financeiro e dedicação constante. Segundo ela, além de ter capital para manter a empresa nos primeiros meses, também é importante investir em divulgação para que o público conheça o trabalho. “Para começar, você precisa ter capital. Não adianta achar que em poucos meses o negócio já vai se sustentar sozinho. Muitas vezes é preciso investir em divulgação para mostrar às pessoas aquilo que você está fazendo. E, além disso, tem muito esforço envolvido. É trabalho duro, de segunda a domingo”, afirma.
*Com supervisão de Livia Rabani
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça
Publicado
11 horas atrásem
junho 1, 2026Por
oestenews
Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.
Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.
Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.
Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.
“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.
A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”
Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.
“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.
“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.
A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.
“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.
Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.
“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.
A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.
“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.
Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.
“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.
Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.
Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.
Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.
A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.
Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”
Despedida
A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.
Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.
Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.
A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
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