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Agronegócio

Fórum expõe o desafio da gestão para destravar potencial do agronegócio

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A partir desta segunda-feira (23.03), a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia reúne cerca de 500 gestores públicos no Centro de Convenções de Salvador para discutir um dos pontos mais sensíveis do agronegócio brasileiro: a eficiência da gestão municipal. O Fórum de Gestores da Agricultura da Bahia 2026 segue até quarta (25) com foco em políticas públicas, acesso a recursos e organização produtiva.

Embora a Bahia figure entre os principais polos agropecuários do País — com destaque para soja, algodão, milho, frutas e cacau —, parte relevante do desempenho do setor ainda depende da capacidade de execução nos municípios. É nesse nível que se concentram gargalos como regularização fundiária, licenciamento ambiental, assistência técnica e acesso a programas federais.

O Estado tem ampliado sua participação no agronegócio nacional. Nos últimos anos, consolidou-se como uma das principais fronteiras agrícolas do Matopiba, com crescimento consistente na produção de grãos e fibras. Ao mesmo tempo, mantém cadeias tradicionais relevantes, como a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco e a produção de cacau no sul do Estado. Ainda assim, a heterogeneidade entre municípios é grande — e impacta diretamente produtividade e renda no campo.

A sexta edição do fórum tenta atacar esse desequilíbrio com foco em governança. Entre as novidades está a criação do Prêmio Inovagro, voltado a reconhecer experiências municipais bem-sucedidas, e a implantação do Serviço de Atendimento aos Municípios (SAM), que oferecerá suporte técnico direto durante o evento. A proposta é acelerar a adoção de políticas e projetos que já demonstraram resultado em outras regiões.

Na prática, o desafio é dar escala a iniciativas pontuais. Programas como o Plano ABC+, por exemplo, avançam de forma desigual no território baiano, muitas vezes por limitações técnicas ou institucionais nas prefeituras. O mesmo ocorre com instrumentos como pagamento por serviços ambientais (PSA) e regularização fundiária, considerados essenciais para ampliar acesso a crédito e atrair investimentos.

Outro eixo central do debate é a comercialização. A adesão de consórcios intermunicipais ao Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal, que terá novos certificados entregues durante a abertura, é vista como passo relevante para ampliar mercados. Na prática, o selo permite que produtos de origem animal inspecionados em nível municipal ou consorciado possam ser vendidos em todo o território nacional — o que tende a beneficiar agroindústrias de menor porte.

A programação inclui ainda plenárias sobre temas operacionais que impactam diretamente o produtor, como outorga de água, uso de recursos hídricos, logística reversa e estruturação de projetos para captação de recursos. São questões que, embora burocráticas, definem o ritmo de expansão da atividade agropecuária.

Para especialistas, a agenda do fórum reflete uma mudança de enfoque no setor público: menos formulação genérica e mais execução local. Em um cenário de margens pressionadas e maior exigência por sustentabilidade e rastreabilidade, a eficiência da gestão municipal passa a ser um diferencial competitivo — não apenas administrativo, mas econômico.

O encontro se encerra com a premiação de iniciativas consideradas inovadoras. Mais do que reconhecimento, a expectativa é que os projetos vencedores sirvam de modelo para replicação em outras regiões do Estado, reduzindo assimetrias e elevando o padrão de gestão do agro baiano.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

China confirma foco de aftosa e abates na Rússia elevam alerta no mercado

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A confirmação de um foco de febre aftosa na China, somada ao abate de dezenas de milhares de bovinos na Rússia, colocou o mercado global de carne em estado de atenção. O cenário mistura fato sanitário confirmado com dúvidas sobre a real dimensão de problemas no rebanho russo, combinação que já começa a repercutir no comércio internacional.

O governo chinês confirmou casos da doença na região noroeste do país, próxima à fronteira russa, e classificou a cepa como altamente contagiosa. A resposta seguiu o protocolo sanitário: abate dos animais infectados, desinfecção das áreas e reforço no controle de fronteiras, incluindo restrições ao trânsito de gado.

Do lado russo, não há confirmação oficial de febre aftosa. As autoridades atribuem os casos a doenças como pasteurelose, mas o volume de medidas adotadas chama a atenção. Desde fevereiro, mais de 90 mil bovinos foram abatidos em diferentes regiões, com concentração na Sibéria. O número elevado e as restrições impostas em áreas rurais ampliam a desconfiança do mercado sobre a real natureza do problema.

A reação já começa a aparecer no comércio. Países da região adotaram restrições à carne russa, movimento típico em situações de risco sanitário. O episódio ganha peso adicional porque a Rússia foi reconhecida recentemente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa — condição essencial para manter exportações.

Para o mercado global, a combinação de foco confirmado na China e incerteza na Rússia eleva o risco de volatilidade nos preços e de redirecionamento de fluxos comerciais. Em situações desse tipo, importadores tendem a buscar fornecedores com maior previsibilidade sanitária.

É nesse ponto que o Brasil entra no radar. O país produz cerca de 10 milhões de toneladas de carne bovina por ano, é o 2º maior produtor mundial — atrás apenas dos Estados Unidos — e o maior exportador global, com embarques superiores a 3 milhões de toneladas anuais, principalmente para China, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Sem registro de febre aftosa desde 2006, o país sustenta o acesso aos mercados com base em vigilância sanitária, rastreabilidade e controle de fronteiras

No campo sanitário, mantém um histórico favorável: O último foco de febre aftosa no Brasil foi registrado em 2006, no Mato Grosso do Sul, e desde então o país avançou no controle da doença, com reconhecimento internacional de áreas livres e, mais recentemente, a retirada gradual da vacinação em alguns estados. Nesse contexto, episódios sanitários em concorrentes tendem a abrir espaço comercial, mas também aumentam a responsabilidade sobre vigilância, rastreabilidade e controle de fronteiras para preservar o acesso aos mercados.

Para o produtor brasileiro o impacto é direto. Qualquer instabilidade sanitária global influencia preço, demanda e fluxo de exportação. Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção ao mercado internacional e reforça um ponto conhecido: sanidade animal continua sendo um dos principais ativos de competitividade do país.

Fonte: Pensar Agro

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queiroz

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