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Agronegócio

Agronegócio brasileiro enfrenta desequilíbrio estrutural com safras recorde e dívida alta

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O agronegócio brasileiro está enfrentando um contraste cada vez mais evidente: enquanto mantém posição de liderança global na produção e nas exportações, enfrenta um quadro de pressão financeira dentro da porteira, marcado por endividamento elevado, crédito mais restrito e margens comprimidas.

O setor fechou 2025 com cerca de R$ 879 bilhões em exportações e superávit de aproximadamente R$ 775 bilhões, respondendo por quase metade das vendas externas do país. Ao mesmo tempo, o endividamento rural alcança patamares estimados em torno de R$ 188 bilhões, o equivalente a aproximadamente duas safras e meia de geração de caixa — uma relação que indica perda de fôlego financeiro mesmo em um ambiente de produção elevada.

Na prática, o produtor passou a operar com uma equação mais apertada. O custo de produção segue pressionado por insumos, fertilizantes e combustíveis, enquanto o crédito ficou mais caro com a alta dos juros. Ao mesmo tempo, eventos climáticos extremos, como estiagens e enchentes, reduziram produtividade em regiões importantes, comprometendo receitas e ampliando o risco das operações.

Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, os desembolsos somaram R$ 207,3 bilhões, cerca de R$ 30 bilhões a menos que no mesmo período do ciclo anterior. O recuo foi puxado principalmente pelo custeio, que caiu de R$ 135,1 bilhões para R$ 117 bilhões, e pelos investimentos, que recuaram de R$ 65 bilhões para menos de R$ 50 bilhões, um sinal claro de retração na capacidade de expansão do setor. Ao mesmo tempo, a inadimplência no campo avançou para 8,3% no terceiro trimestre de 2025, indicando dificuldade crescente para fechar a conta.

O efeito já se espalha pela cadeia. A demanda por máquinas desacelera, fornecedores de insumos enfrentam maior risco de crédito e o produtor passa a reduzir pacote tecnológico para preservar caixa — movimento que tende a impactar produtividade nas próximas safras.

Isan Rezende

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, o cenário atual revela um desequilíbrio estrutural. “O agro brasileiro continua extremamente eficiente na produção, mas financeiramente mais fragilizado. O produtor entrega volume, sustenta exportação, mas está cada vez mais exposto a custo alto, crédito caro e risco climático. É um paradoxo que precisa ser enfrentado”, afirma.

Segundo ele, a restrição de crédito agrava o problema e compromete o ciclo produtivo. “Quando o crédito encarece ou diminui, o produtor ajusta dentro da porteira: reduz tecnologia, posterga investimento e assume mais risco. Isso afeta diretamente a próxima safra e cria um efeito em cadeia que não aparece de imediato nos números de produção”, diz.

Rezende também destaca a ausência de instrumentos estruturais de proteção. “Sem seguro rural robusto e previsível, qualquer quebra de safra vira problema financeiro. O produtor fica descoberto e isso aumenta o risco para todo o sistema, inclusive para bancos e fornecedores”, afirma.

Diante desse cenário, ganha força no Congresso a discussão de medidas emergenciais. Entre elas está o Projeto de Lei 5122/2023, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados e aguarda análise no Senado. A proposta autoriza o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social, abastecido com recursos do pré-sal, para refinanciar dívidas rurais.

Na prática, o projeto cria uma linha de reestruturação com juros subsidiados e prazos mais longos. Pequenos produtores poderiam acessar crédito com taxas de cerca de 3,5% ao ano, médios com 5,5% e demais produtores com até 7,5%, com prazo de pagamento de até 10 anos e carência que pode chegar a três anos. O objetivo é dar fôlego de caixa e evitar que produtores deixem a atividade em função de dívidas acumuladas, especialmente em regiões afetadas por eventos climáticos extremos.

O pano de fundo é uma mudança no perfil do risco do setor. O agro brasileiro continua competitivo e produtivo, mas opera hoje em um ambiente mais complexo, em que fatores financeiros, climáticos e logísticos têm peso crescente sobre o resultado final.

Nesse contexto, o desafio deixa de ser apenas produzir mais. Passa a ser produzir com estabilidade financeira, acesso a crédito e proteção contra risco, condições que devem definir o ritmo do setor nos próximos ciclos.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

China confirma foco de aftosa e abates na Rússia elevam alerta no mercado

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A confirmação de um foco de febre aftosa na China, somada ao abate de dezenas de milhares de bovinos na Rússia, colocou o mercado global de carne em estado de atenção. O cenário mistura fato sanitário confirmado com dúvidas sobre a real dimensão de problemas no rebanho russo, combinação que já começa a repercutir no comércio internacional.

O governo chinês confirmou casos da doença na região noroeste do país, próxima à fronteira russa, e classificou a cepa como altamente contagiosa. A resposta seguiu o protocolo sanitário: abate dos animais infectados, desinfecção das áreas e reforço no controle de fronteiras, incluindo restrições ao trânsito de gado.

Do lado russo, não há confirmação oficial de febre aftosa. As autoridades atribuem os casos a doenças como pasteurelose, mas o volume de medidas adotadas chama a atenção. Desde fevereiro, mais de 90 mil bovinos foram abatidos em diferentes regiões, com concentração na Sibéria. O número elevado e as restrições impostas em áreas rurais ampliam a desconfiança do mercado sobre a real natureza do problema.

A reação já começa a aparecer no comércio. Países da região adotaram restrições à carne russa, movimento típico em situações de risco sanitário. O episódio ganha peso adicional porque a Rússia foi reconhecida recentemente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa — condição essencial para manter exportações.

Para o mercado global, a combinação de foco confirmado na China e incerteza na Rússia eleva o risco de volatilidade nos preços e de redirecionamento de fluxos comerciais. Em situações desse tipo, importadores tendem a buscar fornecedores com maior previsibilidade sanitária.

É nesse ponto que o Brasil entra no radar. O país produz cerca de 10 milhões de toneladas de carne bovina por ano, é o 2º maior produtor mundial — atrás apenas dos Estados Unidos — e o maior exportador global, com embarques superiores a 3 milhões de toneladas anuais, principalmente para China, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Sem registro de febre aftosa desde 2006, o país sustenta o acesso aos mercados com base em vigilância sanitária, rastreabilidade e controle de fronteiras

No campo sanitário, mantém um histórico favorável: O último foco de febre aftosa no Brasil foi registrado em 2006, no Mato Grosso do Sul, e desde então o país avançou no controle da doença, com reconhecimento internacional de áreas livres e, mais recentemente, a retirada gradual da vacinação em alguns estados. Nesse contexto, episódios sanitários em concorrentes tendem a abrir espaço comercial, mas também aumentam a responsabilidade sobre vigilância, rastreabilidade e controle de fronteiras para preservar o acesso aos mercados.

Para o produtor brasileiro o impacto é direto. Qualquer instabilidade sanitária global influencia preço, demanda e fluxo de exportação. Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção ao mercado internacional e reforça um ponto conhecido: sanidade animal continua sendo um dos principais ativos de competitividade do país.

Fonte: Pensar Agro

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queiroz

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