MATO GROSSO
“Complexo Aquático Arena Pantanal é uma estrutura nova de extrema excelência”, afirma vice-presidente do Comitê Paralímpico
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Representantes do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e atletas com deficiência aprovaram a estrutura do Complexo Aquático Arena Pantanal, neste fim de semana, durante a prova de natação na etapa do Meeting Paralímpico em Mato Grosso. O evento foi realizado pelo CPB, com apoio da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Secel-MT).
“O Complexo Aquático Arena Pantanal é uma estrutura nova de extrema excelência para os atletas, uma estrutura adequada com uma equipe qualificada para uma competição de alto nível”, destacou o vice-presidente do CPB, Yohansson Ferreira.
De São Paulo, a responsável pela realização do evento em Cuiabá, árbitra Adilma Arruda Rodrigues, afirmou que o modelo do complexo deveria ser o padrão de estrutura de competições de natação para o Brasil todo. “É esse modelo que a gente gostaria de ver em outros lugares do país. Está perfeito, achei a estrutura maravilhosa”, avaliou.
Vinte e dois atletas com deficiência participaram da competição e a torcida de pais e amigos fez o diferencial. Um dos destaques foi o adolescente Welsley Almeida Nunes da Silva, de 16 anos, que conquistou a medalha de ouro nos 100 metros livre e nos 100 metros costas. De Sorriso, ele avaliou que a estrutura do complexo aquático melhorou 100%. “Ficou excelente. Também gostei dos vestiários e da arquibancada coberta com cadeiras”, ressaltou.
Wesley começou a fazer natação após a descoberta de uma doença rara que leva ao atrofiamento dos nervos. Na competição, ele contou com a torcida dos dois treinadores e da amiga da família, Alana Peixoto. “Meu irmão também é técnico da equipe de natação Brasil Dourado, de Sorriso. Cada um dos treinadores têm uma metodologia, com treinos espaçados distintos”, explica.
Conforme Alana, a natação precisava realmente de um ponto de referência no Estado. “Precisávamos há anos de uma estrutura física adequada para crianças. O lugar está maravilhoso”, destacou.
Com 12 anos, Bryan Assunção ganhou a medalha de prata nos 50 metros peito na categoria sub-14. “A sensação de vitória é muito boa. Meu sonho é ser um atleta de primeira, ser muito bom nisso”, revelou. De Várzea Grande, ele treina no Centro de Referência Paralímpico no município, construído pelo CPB, em parceria com a Secel-MT e Prefeitura, que doou o terreno. A obra foi inaugurada em 2023.
A fotógrafa e social mídia, Crislaine Evelyn de Arruda Marques, mãe de Bryan, buscou inicialmente na natação uma alternativa para melhorar a saúde do filho. “Primeiramente, coloquei para o Bryan na natação por indicação médica para fortalecer o músculo e o organismo porque ele tem deficiência na perna”, explicou.
Quando Bryan passou a treinar no Centro de Referência, a família passou a enxergar a possibilidade de participação em competições. Bryan melhorou fisicamente, mentalmente e, principalmente, nas questões emocionais. “O esporte desperta uma sensação de confiança, uma busca por ser melhor”, analisa Crislaine.
Ao avaliar o Complexo Esportivo Arena Pantanal, ela classificou a estrutura como “coisa de cidade grande”. Segunda a fotógrafa, Cuiabá realmente é uma Capital e precisava de um local apropriado para a natação. “Gostei muito, principalmente do conforto das cadeiras da arquibancada”, concluiu.
No total, 154 atletas com deficiência disputaram as provas de natação e de atletismo do Meeting Paralímpico de Mato Grosso. O evento serviu como seletiva para competições nacionais e como referência para rankings brasileiros. A prova de atletismo foi realizada no Centro Olímpico de Treinamento (COT) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Inaugurado em março deste ano, o Complexo Aquático Arena Pantanal, no bairro Verdão, em Cuiabá, conta com investimentos de R$ 13 milhões do Governo de Mato Grosso. A estrutura completa tem uma área construída de 2.504 m² e inclui vestiários climatizados, arquibancada coberta com mais de 800 assentos e capacidade para público de até 1,2 mil pessoas.
Com 50 m de comprimento por 25 m de largura, além de 2,20 metros de profundidade, a nova piscina passou por uma recomposição estrutural completa, que proporciona funcionalidade e conforto para treinamentos e competições de esportes aquáticos no Estado.
Atletismo
Entre os destaques do Meeting na modalidade de atletismo, no COT da UFMT, estava o atleta baiano Calvin Vinicius, de 20 anos, que competiu no arremesso de peso da classe F36 (paralisados cerebrais). Morando em Várzea Grande desde 2015, ele começou no esporte paralímpico na modalidade badminton.
Disputando pela classe SL4 (comprometimento nos membros inferiores), ele chegou a disputar em 2023 as Paralimpíadas Escolares por Mato Grosso, principal competição do mundo para crianças e jovens com deficiência em idade escolar. Contudo, não subiu ao pódio.
Naquele momento decidiu que mudaria de esporte. “Decidi então ir para o atletismo. Já gostava da modalidade e acredito que tenho mais chances de ir à Seleção Brasileira”, disse o atleta, que conquistou o ouro no arremesso de peso, com a marca de 8,43m. Mas, a especialidade de Calvin é o lançamento de dardo, que não teve no Meeting para a classe dele.
A transição para o atletismo exigiu dedicação. “No início, foi um desafio. Mas agora é uma paixão. Descobri meu verdadeiro potencial e que posso ir mais longe do que eu imaginava”, pontuou. “Tenho orgulho de representar o esporte paralímpico. Sigo buscando evoluir, quebrar meus próprios limites e conquistar resultados ainda melhores”, completou.
Meeting
Organizado pelo CPB, o Meeting Paralímpico busca descentralizar e fomentar o esporte entre os atletas com diferentes níveis de deficiência em todo o território nacional.
Neste sábado (23), foram realizadas simultaneamente as etapas em Cuiabá, Manaus e Natal. Até agosto, o Meeting vai percorrer todas as demais Unidades Federativas brasileiras, com a última etapa prevista para 6 a 8 de agosto em São Paulo, no Centro de Treinamento Paralímpico.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
Ressocialização e inteligência no sistema prisional pautam encontro
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maio 28, 2026Por
oestenews
Na manhã desta quinta-feira (28 de maio), o secretário de Justiça de Mato Grosso, Valter Furtado Filho, e o secretário adjunto de Inteligência, Diogo Santana Souza, foram os palestrantes do painel “Inteligência Institucional no Ambiente Prisional de Mato Grosso”. Esse foi o primeiro tema debatido no Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, que será realizado hoje e amanhã (28 e 29 de maio), no Auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá, das 8h30 às 12h e das 14h às 17h.O painel inicial contou com a participação da juíza Edna Ederli Coutinho (titular do Gabinete 2 do Núcleo de Justiça do Juiz de Garantias e juíza cooperadora da 2ª Vara Criminal de Cuiabá) e foi presidido pelo promotor de Justiça Renee do Ó Souza, do Ministério Público de Mato Grosso.Fortalecimento estratégico – O secretário de Justiça de Mato Grosso, Valter Furtado Filho, destacou que a atuação da pasta tem se concentrado no fortalecimento de estratégias para conter o avanço das organizações criminosas, aliando segurança à promoção da dignidade no sistema prisional. Segundo ele, a ampliação de oportunidades de trabalho para pessoas privadas de liberdade é um dos principais caminhos para a ressocialização.“Não há recuperação sem trabalho e sem dignidade. Temos investido na criação de vagas de trabalho nas unidades prisionais e estudado a construção de novos galpões para ampliar esse alcance”, afirmou. O secretário ressaltou, contudo, que a implementação dessas iniciativas enfrenta desafios, como a resistência de internos e a interferência de facções criminosas, que, em alguns casos, ameaçam familiares para impedir a adesão ao trabalho.Furtado Filho também chamou a atenção para a necessidade de um olhar ampliado sobre o sistema, incluindo os profissionais que atuam nas unidades prisionais. “Não temos que restaurar apenas as pessoas privadas de liberdade, mas também os servidores do sistema, que lidam diariamente com situações complexas”, pontuou.Ao abordar o contexto social, o secretário alertou que o problema das facções está enraizado além do sistema prisional, alcançando inclusive ambientes como escolas, o que reforça a importância de ações integradas e contínuas para o enfrentamento do crime organizado.Panorama do sistema prisional em Mato Grosso – O secretário adjunto de Inteligência, Diogo Santana Souza, apresentou um panorama do sistema prisional em nível mundial, nacional e estadual, destacando os desafios estruturais e a importância da inteligência na gestão penitenciária. Segundo ele, o Brasil possui a terceira maior população carcerária do mundo, com cerca de 909 mil presos para uma capacidade de aproximadamente 705 mil vagas, evidenciando um cenário de superlotação.Em Mato Grosso, a realidade segue a mesma tendência: são 16.619 pessoas privadas de liberdade para 13.870 vagas, o que representa uma taxa de ocupação de 123% e um déficit de 2.749 vagas, conforme dados atualizados em maio de 2026. O secretário destacou ainda que cerca de 30% da população carcerária no Estado cumpre pena por crimes relacionados ao tráfico de drogas.Durante a apresentação, Diogo detalhou o funcionamento do Sistema de Inteligência de Segurança Pública de Mato Grosso (SISP/MT), criado em 2011, e explicou as atribuições das áreas de inteligência e contrainteligência, que atuam no monitoramento de lideranças criminosas, produção de relatórios estratégicos, apoio a operações nas unidades prisionais, implementação de medidas de segurança, entre outras atribuições.Ele também abordou as principais técnicas utilizadas para a obtenção de dados, como entrevistas, análise de dispositivos eletrônicos e troca de informações com outras agências, além de destacar o papel dessas ferramentas no combate às organizações criminosas. Entre elas, citou as quatro facções com atuação no Estado e suas dinâmicas, incluindo a disputa por rotas de tráfico e influência dentro e fora das unidades prisionais. São elas: Comando Vermelho de Mato Grosso, Primeiro Comando da Capital (PCC), Amigos do Estado e Tropa do Castelar.O secretário ainda apresentou a Penitenciária Central do Estado como modelo estrutural e tecnológico, além de destacar investimentos em inovação, como o uso do Sistema de Gestão Penitenciária (Sigepen), o processo de aquisição de serviço de bloqueador de sinal telefônico e Wi-Fi nas unidades (PCE e Centro de Ressocialização de Várzea Grande), a coleta de material genético de todos os presos condenados e a instalação de 330 câmeras do programa Vigia Mais MT nas unidades prisionais.Segundo ele, essas ações integram uma estratégia mais ampla de fortalecimento da inteligência e de enfrentamento qualificado ao crime organizado no sistema prisional mato-grossense.Mais investimentos – Presidente da mesa, o promotor de Justiça Renee do Ó Souza alertou para a necessidade de maior prioridade e investimento contínuo na segurança pública no Brasil. Segundo ele, os sucessivos contingenciamentos orçamentários e a baixa centralidade do tema nas agendas eleitorais contribuíram para o fortalecimento das organizações criminosas no país.“Precisamos virar essa página e dar à segurança pública a atenção que ela merece, inclusive no debate eleitoral e nas pautas ligadas aos orçamentos públicos”, afirmou. Para o promotor, o enfrentamento da criminalidade organizada exige uma revisão estruturante do sistema de execução penal, especialmente diante do perfil dos integrantes de facções, que, mesmo cumprindo pena, continuam vinculados às organizações e tratam a atividade criminosa como fonte de renda profissional.Nesse contexto, Renee destacou o papel estratégico da inteligência, sobretudo no avanço de instrumentos como as investigações patrimoniais, a recuperação de ativos e a desestruturação financeira das facções. “Esse me parece, senhores, o grande ponto de enfrentamento adequado da criminalidade organizada. Enquanto a prática criminosa continuar sendo vantajosa sob a lógica do custo-benefício, com geração de lucros para o indivíduo e seu grupo, não conseguiremos enfrentar o problema de forma eficaz”, pontuou.Já a juíza Edna Ederli Coutinho ressaltou a importância de que os integrantes do sistema de justiça conheçam de forma mais aprofundada a realidade do sistema prisional e o funcionamento das organizações criminosas. Segundo ela, o contato com dados e informações qualificadas contribui para uma atuação mais consciente e efetiva. “É fundamental que todos compreendam esse cenário, que reflete a estrutura e a dinâmica das facções. Esse é um conhecimento que precisa ser incorporado à formação e à atuação dos operadores do Direito”, destacou.A magistrada também enfatizou que é essencial que juízes conheçam de perto a realidade das unidades prisionais. “É preciso vivenciar, entrar nos corredores e entender o que acontece na prática”, pontuou.Para a juíza, o sistema prisional contemporâneo apresenta desafios que vão além da simples custódia. “Talvez o maior desafio do sistema prisional moderno não seja apenas custodiar pessoas, mas impedir que o cárcere continue funcionando como espaço de reorganização do crime”, afirmou.Nesse sentido, ela destacou que o enfrentamento das organizações criminosas exige um Estado preparado para atuar de forma antecipatória e integrada. “Isso exige um Estado capaz de antecipar riscos, compreender dinâmicas criminosas complexas e agir de forma articulada entre as instituições”, ressaltou.Por fim, Edna Coutinho destacou o papel central da inteligência institucional nesse contexto. “A inteligência deixa de ser acessória e passa a ocupar posição estratégica na preservação da segurança pública e na governabilidade do sistema penitenciário. O debate de hoje demonstrou exatamente isso: enfrentar organizações criminosas exige mais do que força operacional; exige informação qualificada, estratégia e capacidade permanente de adaptação”, concluiu.Encontro Técnico – O Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização” é realizado em parceria pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT), por meio do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) e do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal, e pelo Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud).
Fotos: Josi Dias | TJMT
Fonte: Ministério Público MT – MT
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