sábado, 1 de agosto de 2026
BRASIL

Projeto Vídeo nas Aldeias alerta para risco de perder acervo

Em 1986, o indigenista e cineasta Vincent Carelli criou um projeto para capacitação audiovisual e formação de cineastas indígenas. Chamado de Vídeo nas Aldeias, a iniciativa revolucionou a produção audiovisual indígena, promovendo os primeiros contatos dos indígenas…

Em 1986, o indigenista e cineasta Vincent Carelli criou um projeto para capacitação audiovisual e formação de cineastas indígenas. Chamado de Vídeo nas Aldeias, a iniciativa revolucionou a produção audiovisual indígena, promovendo os primeiros contatos dos indígenas com suas próprias imagens e transformando a câmera em um importante instrumento de memória, valorização e resistência para os povos originários. Passados 40 anos, o projeto ajudou a formar diversas gerações de cineastas indígenas e conseguiu reunir um acervo de mais de 70 filmes que documentam as populações indígenas do país e que foram produzidos em colaboração com mais de 40 povos. Notícias relacionadas:Caminhos da Reportagem vence o 2º Prêmio ADEP-MG de Jornalismo.Inscrições para a Seleção Petrobras Cultural terminam nesta sexta.Crimes da ditadura paraguaia seguem sem respostas, diz ator no CineSur.Segundo o próprio Vincent Carelli, esse acervo possui mais de 4 mil horas de gravação analógica e “outras tantas de digital nativo”. Mas, apesar de toda essa importância, destacou Carelli, esse acervo se encontra atualmente ameaçado. “Para que museu isso iria? Qual instituição poderia fazer esse trabalho que a gente faz de atender e dar acesso a coisas específicas? Instituições públicas são mal financiadas e não estão preparadas para, inclusive, ficar com um acervo digital, que é uma coisa muito mais cara do que guardar fita”, questionou, durante uma aula ministrada no festival de cinema Bonito CineSur, que termina neste sábado (01) na cidade de Bonito (MS). Para Daniela Siqueira, professora da graduação em audiovisual da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a preocupação de Carelli demonstra que é preciso criar políticas públicas visando a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro. “O Estado brasileiro, sim, tem pensado mais na questão da preservação audiovisual, mas o que a gente precisa ainda entender é que a gente precisa criar uma equação mais equilibrada entre o dinheiro que a gente põe na produção e o dinheiro que a gente põe para preservar. No limite, nós estamos falando que em 20 anos o Estado brasileiro vai ter perdido todo o dinheiro que ele investiu em produção…