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MATO GROSSO

Programa REM MT apresenta os avanços na conservação ambiental

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Instituições participantes do Programa Global REDD Early Movers (REM) em Mato Grosso – REDD para Pioneiros – estão apresentando os resultados e avanços na conservação ambiental para representantes dos governos da Alemanha e do Reino Unido, que visitam o Estado numa missão de monitoramento da aplicação de recursos. O Ministério Público do Estado de Mato Grosso, por meio da Procuradoria de Justiça Especializada em Defesa Ambiental e Ordem Urbanística (PJEDAOU), participou do encontro na quinta-feira (6). 

Para o procurador de Justiça Luiz Alberto Esteves Scaloppe, o principal legado do programa é a união de esforços das instituições no combate aos crimes ambientais. “Depois que o programa se organizou e as operações começaram, percebemos que a grande vitória do REM MT é essa integração. Algo muito importante para a defesa ambiental e uma grande herança. E o nosso desafio é aumentar e fortalecer esse trabalho conjunto”, defendeu. 

A missão conta com a presença da encarregada de Negócios do Reino Unido, Melanie Hopkins, e do gerente do Portfólio do Departamento de América Latina e Caribe do Banco de Desenvolvimento alemão KfW (Kreditanstalt für Wiederaufbau), Klaus Köhnlein. A promotora de Justiça Maria Fernanda Corrêa da Costa, coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) Meio Ambiente Natural, acompanhou a reunião. 

Saiba mais – O Programa REM MT é uma premiação dos governos da Alemanha e do Reino Unido ao Estado de Mato Grosso pelos resultados na redução do desmatamento de 2004 a 2014. O programa premia nações comprometidas com a redução de emissões de CO2, por meio de ações de conservação de florestas, valorizando projetos e ações que contribuam para a redução do desmatamento e da degradação ambiental e para a promoção do desenvolvimento sustentável.

Está em andamento no estado a primeira etapa do programa, que deve ser finalizada até o fim deste ano. Conforme Relatório Executivo divulgado pela coordenação do REM MT, de 2018 a junho de 2023 Mato Grosso recebeu R$ 247 milhões e já investiu cerca de 90% dos recursos em quatro subprogramas: 1) Agricultura Familiar e de Povos e Comunidades Tradicionais; 2) Territórios Indígenas; 3) Produção, Inovação e Mercado Sustentáveis; e 4) Fortalecimento Institucional e Políticas Públicas Estruturantes. 

O MPMT está inserido no subprograma “Fortalecimento Institucional e Políticas Públicas Estruturantes”, e participa dos projetos “Conservação da Vegetação Nativa e das Bacias Hidrográficas” e “Comando e Controle do Desmatamento e Incêndios Florestais”. A instituição já recebeu R$ 1.864.645,18 de recursos pelo Programa REM MT, investidos na atuação de defesa ambiental regionalizada e integrada, bem como no fortalecimento da estrutura ministerial para ampliar a efetividade das ações com a criação das Promotorias de Justiça de Bacias Hidrográficas.

Nova etapa – Na próxima segunda-feira (10), Alemanha, Reino Unido e o Governo de Mato Grosso vão renovar oficialmente a parceria para apoiar projetos na área ambiental e lançar a segunda fase do Programa REM MT. O objetivo do incentivo financeiro é promover a proteção das florestas, uma das estratégias mais efetivas para o combate às mudanças climáticas.

Nessa nova etapa, o governo britânico vai contribuir com mais 15 milhões de libras (o equivalente a R$ 91 milhões) e o governo alemão se comprometeu a aplicar 15 milhões de euros (cerca de R$ 80 milhões) adicionais. Os recursos da Alemanha e do Reino Unido são administrados pelo Banco de Desenvolvimento KfW, com assistência técnica da Agência Alemã Para a Cooperação Internacional (GIZ).

(Com informações da Assessoria do Programa REM MT). 

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MATO GROSSO

19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: esmagis@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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