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MATO GROSSO

Mais de 170 estudantes aprendem sobre acesso à Justiça em palestra do Nosso Judiciário

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Mais de 170 alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Gonçalo Botelho de Campos, no bairro Costa Verde Em Várzea Grande, participaram de uma palestra sobre o funcionamento da Justiça estadual e como acessá-la, infrações civis e crimes comuns no cotidiano dos jovens, como bullying, crimes cibernéticos, homofobia, racismo, injúria, calúnia e difamação, entre outros, na manhã desta quarta-feira (25). A atividade faz parte do projeto Nosso Judiciário, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
 
Para os estudantes foi uma oportunidade de aprender um pouco mais sobre como proceder em situações do dia-a-dia, evitando conflitos. “Nos conscientizou sobre o que a gente pode ou não fazer, o que a gente pode correr atrás que é um direito nosso”, disse Luiz Gabriel Sausen, 18 anos, aluno do 3º ano.
 
Samuel Wendelson Campos das Neves, 14 anos, aluno do 9º ano do ensino fundamental, se surpreendeu ao descobrir que existe justiça gratuita. “O que mais me chamou a atenção foi sobre a Defensoria Pública. Eu não sabia que a gente poderia ter um acesso assim à Justiça. Pra mim, sempre tinha que pagar. Como eu costumo ver em novelas e filmes, tem que pagar um advogado. Foi interessante saber que a gente pode procurar um defensor e a gente, em qualquer momento que a gente precisar, pode ter um. Eu vou falar pro meu pai, falar pra minha mãe, até com meus avós mesmo. Isso foi um fato interessante de aprender”.
 
Além da palestra, o Poder Judiciário disponibiliza uma cartilha, que será utilizada como material didático em outras atividades pedagógicas, de acordo com a diretora da unidade escolar, Shirley de Oliveira Cardoso Becker. “A gente pensa em utilizar o material pra fazer outros trabalhos na escola, pra levar pra casa, pra fazer um mural. Nós vamos ter reunião de pais e eu quero que eles desenvolvam murais sobre o tema abordado”.
 
Conforme a profissional, a palestra contribuiu para mostrar aos jovens como eles podem ter acesso à justiça e reforçar questões que já são abordadas pelos professores, em sala de aula. “Eu acredito que a contribuição foi muito grande porque muitos deles não sabiam que eles tinham acesso à Defensoria Pública, à questão do bullying e do ciberbullying, que é o que mais acomete nas escolas. E a gente sempre diz que é crime, mas é diferente quando vem o Poder Judiciário falar isso para eles porque, querendo ou não, já existe uma inibição porque parece que quando é o professor falando não tem veracidade e assim ficou bem claro. Estava todo mundo comentando: ‘Gente, se eles falaram então é verdade mesmo’. E isso foi muito legal! Já existe um aprendizado aí”, avaliou.
 
O projeto Nosso Judiciário já levou informações para quase 30 mil alunos de 128 escolas públicas em Cuiabá e Várzea Grande. A iniciativa é uma forma de levar cidadania, principalmente ao público de bairros onde há maior vulnerabilidade socioeconômica, orientando os jovens com o objetivo de prevenir conflitos e informando sobre como o Judiciário pode atuar na pacificação social.
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: foto em plano aberto que mostra dezenas de estudantes sentados no pátio coberto da escola, assistindo à palestra, que é proferida pelo técnico judiciário Neifi Feguri, que está a frente deles, falando ao microfone. Na foto, Neifi aparece de costas, usando camisa de manga longa branca e calça de sarje cinza escura. Foto 2: estudante Luiz Gabriel Sausen concede entrevista à TV.Jus. Ele é um adolescente de pele parda, cabelo preto e liso, olhos castanhos, usando o uniforme azul da escola. Atrás dele, há um grupo de alunos que conversam em pé na sala de aula, algumas cadeiras e caixas de papelão. Foto 3: diretora da escola Shirley de Oliveira Cardoso Becker concede entrevista à TV.Jus. Ela é uma mulher branca, de cabelo chanel, liso e castanho escuro, olhos castanhos, usando blusa regata cinza, cordão com pingente de Nossa Senhora e brincos de argola prateados. Atrás dela, há um grupo de alunos conversando em pé na sala de aula, cadeiras e caixas de papelão.
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
imprensa@tjmt.jus.br
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MATO GROSSO

19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: esmagis@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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