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MATO GROSSO

Bondade Adiante

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Não se usa a terminologia guerra civil no Brasil – já a ouvi em alguns versos do grupo Facção Central. Fala-se em revoltas e insurreições. Devem achar o termo exagerado. Um termo muito violento para um país pacífico. A verdade é que nunca fomos só pacíficos. A violência está na nossa formação histórica e está na gente.

As decapitações que vemos nas guerras das organizações criminosas, guerras estas que atingem todos os estados da federação, já foram aplicadas em praça pública no Brasil. Cabeças ficaram expostas por anos.

Há registros e escritos. Não é conto, nem fábula, mito ou lenda, a violência faz parte do Brasil e do brasileiro. A carne que foi cortada e a mão que chicoteava está em nós. Temos o espírito oscilando entre Deus e o diabo. E o “homem cordial” de Sérgio Buarque de Hollanda não tem nada a ver com o “bondoso” ou o “de paz”, embora estes existam. Ah! Como existem!

A malvadeza deste mundo é grande em extensão, e não adianta falar que não tem, não adianta mudar “o atirei o pau no gato”, dizer que a vovozinha não foi comida pelo lobo, isso tudo aconteceu e vai acontecer de novo. E não venha com essa de que está tudo numa boa, todos na mais santa paz — não é assim o mundo.

Coisas más e assustadoras acontecem o tempo todo. Nem todo mundo é “bonzinho”. Idosos, adultos, jovens, adolescentes e mesmo crianças podem ser maus e cruéis.

Guimarães disse em Grandes Sertões: “Olhe: Deus come escondido, e o diabo sai por toda parte lambendo o prato…”

Não, não é pessimismo ou desânimo, é um otimismo lúcido, uma bondade adiante, um preparo para a realidade. Uma vontade de dar habilidade para perceber Deus e diabo.

A bondade a gente encontra em cada esquina, mas a maldade também anda por lá. Em alguns momentos estão juntas, misturadas, e é até difícil de separar.

Apesar disso, respondemos com vida. Em homenagem à vida, lutamos. As enchentes, as pragas, a fome, a crueldade, as guerras não foram ainda capazes de cessarem a batida do nosso coração. De apagar a chama da nossa alma. Que quanto mais ando mais rezo para essa viagem não acabar logo. E adiante, sempre adiante, espero ela, a bondade, achar. E estou preparado para a maldade, e ela que venha armada!
 

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MATO GROSSO

Polícia Civil deflagra operação com alvo em ex-gerente de casa de acolhimento envolvido em desvios de benefícios

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A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (22.4), a Operação Broquel para cumprir ordens judiciais contra um esquema de desvio de benefícios de internos da Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda, da Prefeitura de Várzea Grande.

São cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar e de afastamento de sigilo de dados de aparelhos eletrônicos, expedidos pela Segunda Vara Criminal de Várzea Grande. A operação tem como alvo principal o ex-gerente da unidade, que ocupou o cargo até 2024 e é investigado por crimes de peculato majorado praticados de forma continuada.

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apontam que o suspeito, valendo-se de sua função pública, da sua posição hierárquica sobre os acolhidos e da relação de confiança com eles construída, apropriou-se indevidamente de documentos pessoais, cartões bancários e benefícios assistenciais dos internos.

Saques e empréstimos

De acordo com os relatos colhidos, o ex-gerente realizava saques integrais dos benefícios e contraía empréstimos bancários não autorizados em nome das vítimas, pessoas em situação de extrema vulnerabilidade social e psicológica.

Algumas das vítimas, além de viverem ou terem vivido em situação de rua, são analfabetas, possuem dificuldade de comunicação, dependência química e alcoólica ou ainda enfermidades de natureza psiquiátrica, características que, em efeito sinérgico, potencializam a condição de vulnerabilidade.

Em um dos casos documentados, um empréstimo consignado de mais de R$ 16 mil foi formalizado em nome de um acolhido, com indícios de fraude na contratação.

Além dos desvios financeiros, há denúncias de que o investigado utilizava a mão de obra dos internos para trabalhos não remunerados em sua propriedade particular e utilizava métodos de intimidação e coação psicológica para manter o controle sobre os valores desviados.

Suspensão de função pública

Contra o principal investigado, também foi determinada a suspensão do exercício da função pública, sendo ele atualmente ocupante de outro cargo na Secretaria Municipal de Saúde de Várzea Grande, bem como o impedimento de nomeação ou contratação para outro cargo pelo Poder Público Municipal.

Foram determinadas outras medidas cautelares, como a proibição de o investigado manter contato com vítimas e testemunhas e a proibição de acesso a todos os prédios e às dependências da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande.

Casa de Acolhimento

A Casa de Acolhimento Rogina Marques de Arruda é um equipamento público de execução direta da Secretaria Municipal de Assistência Social de Várzea Grande, destinado ao acolhimento de homens adultos em situação de rua.

O regimento interno da unidade proíbe a retenção de documentos ou valores como condição para permanência no local, prevendo que a guarda de pertences deve ser feita com segurança e devolvida integralmente aos assistidos.

As investigações prosseguem com a análise de materiais apreendidos e a identificação de possíveis novas vítimas do esquema.

Nome da operação

A Operação Broquel (termo que remete a um escudo de proteção) visa não apenas punir os desvios de recursos públicos e particulares, mas também interromper o ciclo de abusos contra cidadãos em estado de extrema hipossuficiência social e jurídica.

Operação Pharus

A operação integra os trabalhos do planejamento estratégico da Polícia Civil de Mato Grosso para o ano de 2026, por meio da Operação Pharus, dentro do Programa Tolerância Zero, do Governo do Estado.

Fonte: Governo MT – MT

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