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MATO GROSSO

Secel viabiliza exposições de artes e aulas de dança para a população; veja programação

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Duas exposições de artes ficam abertas para visitação ao público neste mês de dezembro, em Cuiabá, e são opções de cultura e lazer para a população neste fim de ano. As mostras “Intersecções” e “Os Netos D. Maria Apolônia” foram viabilizadas pelo Edital Viver Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), e apresentam trabalhos de artistas regionais com inspirações na natureza e nas histórias de família. Ambas têm entrada gratuita.

A exposição “Interseções” será aberta neste domingo (17.12), às 9h30, na Galeria Mandala. A mostra traz obras que mesclam a fotografia de Amaury Santos com pinturas de Valques Pimenta, inspiradas na fauna e flora mato-grossense. As telas são resultado de um trabalho colaborativo, no qual Valques pinta sobre as fotografias de Amaury.

“A exposição apresenta uma abordagem inovadora, porque Valques Pimenta pintou sobre as fotografias de Amaury Santos, gerando, assim, obras híbridas que não são apenas fotografias, mas também não são necessariamente pinturas sobre tela”, explica uma das curadoras da exposição, Lilian Barbon. O público poderá conferir o trabalho dos artistas até 14 de janeiro.

A exposição !Os Netos de D. Maria Apolônia – Memória e Arte Pelos Olhos de uma Família de Artistas Cuiabanos” está aberta ao público na Galeria de Artes Lava Pés, em Cuiabá. A mostra reúne o trabalho dos artistas cuiabanos Neide Silva, Sebastião Silva, Júlio César e Wender Carlos, que são da mesma família e se juntaram para fazer uma homenagem à avó Dona Maria Apolônia. Ela era conhecida como Dona Bugra, benzedeira e raizeira, uma mulher simples, descendente de indígenas, que amava a natureza e conhecia o poder curativo das plantas.

Outra exposição aberta ao público é “Por dentro dos corações cuiabanos”, disponível para visitação mediante agendamento, na Casa Silva Freire, em Cuiabá. A mostra é inspirada no olhar das crianças sobre o Centro Histórico, fruto de uma vivência realizada dentro das atividades do curso de educação patrimonial da Casa Silva Freire.

O projeto foi aprovado no Edital Viver Cultura, da Secel, e o curso visa a formação de mediadores culturais. Na capacitação participaram estudantes universitários, historiadores e professores da educação infantil e ensino fundamental. E uma das ações foi a mediação de uma vivência no Centro Histórico, voltada para as crianças. Ao fim, elas fizeram pinturas e desenhos inspirados nas visitas aos prédios históricos e nas memórias afetivas vividas nas casas dos avós.

Projeto Aprenda a dançar o lambadão em casa

Aprovado no Edital Viver Cultura, da Secel, o projeto Aprenda a Dançar o Lambadão em Casa oferece aulas online ministradas pelo professor Vlademir Reis. São 15 aulas de curta duração, em média de cinco minutos, nas quais ele ensina os passos-base do lambadão e da lambadinha, além de movimentos de giro e aéreo.

“Ambos estilos têm a mesma contagem de tempo, mas o diferencial está no gingado. O lambadão é mais rápido, já a lambadinha tem uma forma de pisar que é o diferencial”, explica o professor.

As aulas podem ser acessadas no canal do Youtube do grupo de dançarinos Lambadeiros de Elite, e até 25 de dezembro todas estarão disponíveis na internet.

“Tenho buscado colaborar com a popularização do lambadão, principalmente para as gerações futuras. É divertido, e é um gênero genuinamente mato-grossense. O lambadão é parte de nossa cultura”, defende Vlademir.

Serviço:
Exposição Intersecções

Período: De 17 de dezembro a 14 de janeiro de 2024, das 8h às 18h
Local: Galeria Mandala – Rua Cel. Neto, 736, Goiabeiras, Cuiabá/MT
Entrada: Gratuita
Mais informações: www.interseccoes.46graus.com ou (65) 9 8405 9683

Exposição Os netos de D. Maria Apolônia – Memória e arte pelos olhos de uma família de artistas cuiabanos
Período: Até 30 de dezembro, de segunda a sexta, das 8h30 às 12h e das 14h às 18h
Local: Galeria de Artes Lava Pés (piso térreo da Secel) – Avenida José Monteiro de Figueiredo, 510, bairro Duque de Caxias, Cuiabá-MT
Entrada: gratuita

Exposição Por dentro dos corações cuiabanos
Visitação mediante agendamento
Local: Casa Silva Freire – Rua Cândido Mariano, Centro de Cuiabá
Mais informações: (65) 981273268 e Instagram @casasilvafreire

Projeto Aprenda a dançar lambadão em casa
Disponível no canal Lambadeiros de Elite no Youtube (https://www.youtube.com/@vlademirreiselite)

Fonte: Governo MT – MT

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MATO GROSSO

19 de abril: datas históricas reforçam a importância da representação dos povos indígenas

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A celebração do Dia dos Povos Indígenas, em 19 de abril, e o registro histórico do “Descobrimento” do Brasil, lembrado no mesmo mês (22 de abril), convidam a sociedade brasileira e, em especial, a mato-grossense, à reflexão sobre o papel histórico, social e político dos povos originários. Para o diretor‑geral da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis‑MT), desembargador Márcio Vidal, a proximidade dessas datas evidencia a necessidade de reconhecer não apenas o passado, mas também os desafios contemporâneos enfrentados pelas populações indígenas.

Segundo o desembargador, é fundamental recordar que, quando os portugueses chegaram ao território que viria a ser chamado de Brasil, ele já era amplamente habitado por povos indígenas, que aqui viviam organizados social, cultural e politicamente. “Os povos indígenas não apenas estavam aqui primeiro, como constituíram, por séculos, uma parcela expressiva da população que formou as bases da nossa sociedade”, destacou.

Presença indígena em território mato-grossense

De acordo com o Censo Demográfico 2022, a população indígena residente no Brasil é de 1.694.836 pessoas, o que corresponde a 0,83% da população total apurada pela pesquisa. O número representa quase o dobro do registrado no Censo de 2010, quando o IBGE contabilizou cerca de 896 mil indígenas, equivalentes a 0,47% da população brasileira à época.

Em um intervalo de 12 anos, esse crescimento corresponde a uma variação positiva de 88,96%, resultado, principalmente, da ampliação da metodologia — com maior alcance em áreas remotas — e do aumento da confiança das pessoas em se autodeclararem indígenas, refletindo avanços no reconhecimento de sua própria identidade.

Em Mato Grosso, esse debate ganha ainda mais relevância diante da expressiva presença indígena no Estado. De acordo com dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Mato Grosso abriga cerca de 58 mil indígenas, sendo um dos estados com maior diversidade étnica do país. São 195 etnias reconhecidas, número que representa um crescimento significativo em relação ao último levantamento do Censo.

Participação política

Infográfico do IBGE intitulado "O Brasil Indígena" com dados da distribuição espacial da população em Mato Grosso no Censo 2022. Uma tabela detalha que, do total de 58.356 indígenas no estado, 82,66% vivem em áreas rurais e 17,34% em áreas urbanas. Os dados revelam ainda que 45.175 pessoas residem dApesar dessa relevância histórica, o desembargador ressalta que os povos indígenas ainda enfrentam obstáculos significativos quanto à participação política efetiva nos espaços de poder. “O Parlamento é o ambiente onde se constroem as regras de convivência humana. A ausência ou a baixa representatividade indígena nesses espaços contribui para que suas demandas sejam, muitas vezes, tratadas como secundárias”, alertou.

Ao refletir sobre a realidade atual dos povos indígenas, Vidal fez referência ao pensamento do escritor e líder indígena Ailton Krenak, que chama atenção para o fato de que os povos indígenas não constituem uma minoria, mas sim uma ampla parcela da sociedade historicamente excluída dos espaços de decisão. Para o magistrado, garantir representação indígena nos três níveis de poder político — municipal, estadual e federal — é medida essencial para a promoção da justiça social e da preservação cultural.

“A participação política não é um privilégio, mas um direito. É por meio dela que os povos indígenas podem cooperar diretamente com a formulação de políticas públicas voltadas à proteção de seus territórios, à preservação de suas culturas e à defesa de seus modos de vida”, frisou.

Vidal também enfatizou o papel das instituições, do próprio Poder Judiciário e da formação jurídica dos cidadãos na construção de uma sociedade mais inclusiva. “Refletir sobre essas datas é um exercício de cidadania. A Esmagis‑MT entende que fomentar o debate sobre direitos fundamentais, diversidade cultural e inclusão política também é parte de sua missão institucional”, concluiu.

Umanizzare: diálogo e efetivação de direitos

Esse compromisso com a promoção dos direitos e da dignidade dos povos originários também se reflete nas ações institucionais da Esmagis‑MT. Em 2025, a Escola promoveu a sexta edição do Umanizzare, encontro que reuniu magistrados, acadêmicos e especialistas para debater cidadania, saúde e direitos humanos dos povos indígenas.

Ao abrir o evento, o desembargador Márcio Vidal destacou que se trata de um tema sensível e de interesse de toda a sociedade, ressaltando que o desafio não está apenas na existência de normas constitucionais, tratados internacionais e legislações infraconstitucionais, mas na efetivação desses direitos.

Para ele, é necessário despertar a consciência de quem aplica o Direito e fortalecer a inclusão dos povos indígenas, reconhecendo que foram eles os primeiros habitantes deste território e que não podem permanecer à margem das estruturas sociais e institucionais.

Representatividade

Apesar de Cuiabá estar inserida em um Estado com expressiva população indígena e crescente protagonismo de lideranças originárias, a capital mato-grossense ainda não conta, na atual legislatura, com parlamentares indígenas na Câmara Municipal. Já o Estado possui 11 vereadores indígenas empossados para o mandato de 2025-2028, representantes de etnias como os Xavante, Bakairi e Bororo.

Exatamente nesta semana (15 de abril), Mato Grosso registrou um fato inédito: Eliane Xunakalo, do povo Kurâ-Bakairi, tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar uma cadeira de deputada estadual na história do estado. Ela assumiu como suplente na vaga do deputado Lúdio Cabral (PT), que se licenciou por 30 dias. A posse foi realizada às vésperas do Dia Nacional dos Povos Indígenas, o que reforça o simbolismo do momento.

Clique neste link para se informar sobre o Brasil Indígena.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail esmagis@tjmt.jus.br ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Dados e imagens do IBGE

Autor: Lígia Saito

Fotografo:

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: esmagis@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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