A Associação Brasileira de Mulheres Juízas (ABMJ), com apoio da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), realizou nesta terça-feira (16), na sede da Amam, o encontro “Mulheres Brasileiras do Nosso Tempo”. O evento reuniu magistradas, servidoras e lideranças femininas de diferentes áreas para refletir sobre desafios, conquistas e caminhos para o fortalecimento da atuação das mulheres no sistema de justiça e na sociedade.
A presidente da Amam e da ABMJ, juíza Jaqueline Cherulli, destacou que o encontro integra uma agenda feminina especial, em um momento simbólico para a entidade. Segundo ela, a ABMJ marca a trajetória de mulheres que abriram espaço e consolidaram a presença feminina na magistratura.
Jaqueline explicou que a proposta da manhã foi reunir mulheres de Mato Grosso de vários segmentos, especialmente aquelas que atuam em posições de liderança, para fortalecer o diálogo coletivo e estimular a criação de redes. “É desse encontro que nascem ideias, ações e projetos. As mulheres precisam desses momentos de troca, porque é aqui que a criatividade aflora”, afirmou.
Ao tratar de temas sensíveis, como a violência contra a mulher, a magistrada ressaltou que essa é uma pauta permanente, não exclusiva do encontro. Ela pontuou que Mato Grosso enfrenta a realidade de forma transparente, com dados públicos e políticas voltadas ao enfrentamento do problema, embora ainda haja muito a avançar. Para Jaqueline, o Judiciário tem papel fundamental não apenas na aplicação da lei, mas também como exemplo institucional e agente de transformação cultural.
A juíza também destacou avanços importantes dentro do Poder Judiciário mato-grossense na promoção da igualdade de gênero, lembrando que o estado teve a primeira mulher a presidir um Tribunal de Justiça no país e que já cumpriu resoluções nacionais que ampliam o acesso feminino aos cargos de desembargadora. “Mas não queremos ficar numa bolha. A ideia é unir forças com outros setores da sociedade para mudar realidades”, pontuou.
Na sequência, a desembargadora Clarice Claudino da Silva, 2ª vice-presidente da Amam, ressaltou a importância de espaços como esse para refletir não apenas sobre violência, mas sobre as múltiplas jornadas vividas pelas mulheres, especialmente na magistratura. Ela lembrou que muitas profissionais lidam com uma carga intensa de trabalho, sem limites claros de horário, o que impacta diretamente a saúde emocional e mental.
Clarice destacou que a Associação tem se preocupado em promover momentos de reflexão sobre carreira, vida pessoal e bem-estar. Para ela, reconhecer fragilidades não é sinal de fraqueza, mas de maturidade institucional. “Quando a gente identifica o problema, a gente consegue buscar soluções. Esse despertar de consciência é algo que precisa ser celebrado”, afirmou.
A desembargadora também apontou avanços recentes no Judiciário, impulsionados por resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que criaram instrumentos para ampliar a participação feminina nos espaços de poder. Segundo ela, essas medidas fortalecem a autoestima das magistradas e alimentam a expectativa de um futuro com maior equilíbrio de gênero na Justiça.
A palestrante do encontro, a cientista política e pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Débora Thomé de Souza, trouxe uma reflexão sobre liderança feminina e a importância das redes de apoio. Ela explicou que é fundamental pensar a mulher tanto como sujeito, quanto como agente de transformação, especialmente quando ocupa posições de liderança.
Débora destacou que eventos como esse funcionam como espaços de mentoria e troca de experiências. “As redes se apoiam, trocam informações e ajudam mulheres que passam por problemas semelhantes a encontrar soluções juntas”, explicou, ao comparar essa lógica com práticas que historicamente já existem no ambiente doméstico e que precisam ser levadas também para o ambiente de trabalho.
Para a pesquisadora, o envolvimento dos órgãos públicos nesse debate é essencial, porque contribui diretamente para a transformação das políticas públicas e das instituições. Ela ressaltou a importância da presença de mais mulheres nos espaços de decisão e do fortalecimento de perspectivas como o julgamento com enfoque de gênero e raça. Ao final, deixou uma mensagem direta às participantes: “Subam e ajudem outras mulheres a subir. Liderança feminina só faz sentido quando puxa outras junto”.
Encerrando as falas, a desembargadora Eleonora Alves Lacerda, vice-presidente e corregedora do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT-MT), destacou os avanços do Poder Judiciário na promoção da equidade de gênero. Segundo ela, há um movimento consistente para garantir a presença de mulheres nos cargos de gestão, tanto administrativos quanto jurisdicionais.
Eleonora ressaltou que resoluções do CNJ têm assegurado cotas mínimas de mulheres nesses espaços, mas enfatizou que o avanço também depende do reconhecimento, pelas próprias mulheres, do seu valor e potencial. “Precisamos nos unir, participar desses encontros, conhecer nossos direitos e ocupar os espaços que nos cabem”, afirmou.
O encontro “Mulheres Brasileiras do Nosso Tempo” reforçou o papel do Poder Judiciário como agente essencial na promoção da igualdade, do diálogo e do fortalecimento institucional. O evento contou com apoio da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam) e evidenciou a importância de iniciativas que valorizam a atuação feminina e contribuem para uma Justiça mais representativa e comprometida com a sociedade.
Autor: Flávia Borges
Fotografo: Maycon Xavier
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Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT