MATO GROSSO
Adolescentes em medida socioeducativa fazem título eleitoral em ação conjunta entre poderes
Publicado
1 mês atrásem
Por
oestenewsA iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o Programa Fazendo Justiça, é realizada em parceria entre o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), por intermédio da Secretaria Adjunta do Sistema Socioeducativo, da Superintendência do Sistema Socioeducativo e da Coordenadoria de Atendimento Socioeducativo.
Vivian Murbach Coutinho, assistente técnica de documentação e identificação civil do Programa Fazendo Justiça, explica que o objetivo do projeto ‘Registre-se! Eleitoral’ no sistema socioeducativo é proporcionar a emissão dos títulos de eleitor para que os jovens possam exercer o direito ao voto nas eleições que ocorrerão em outubro deste ano.
“É uma conjugação de esforços do Tribunal de Justiça, que garante os direitos dessas pessoas, do TRE, que faz a emissão dos documentos e garante que eles possam exercer o voto, e da Secretaria de Justiça, por meio da Secretaria Adjunta do Socioeducativo, para que possamos ter acesso às unidades e também instalar a seção eleitoral aqui dentro”, explicou, destacando que para que possa ocorrer a eleição dentro da unidade, é preciso ter ao menos 20 eleitores aptos, entre internos e servidores.
Outro participante da ação que tirou seu primeiro título eleitoral foi R.S.M., 18. “Foi ótimo porque, quando eu estava lá ‘na rua’, eu não tirei. Agora que estou aqui cumprindo uma internação, eles virem aqui para tirar o título é ótimo pra mim. Eu achava que só ‘na rua’ que podia fazer isso. Mas aqui dentro agora vi que tem como e é ótimo pra gente votar. Eles explicaram na palestra como participar da votação. Isso é muito importante”.
De acordo com a juíza Leilamar Rodrigues, titular da 2º Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá e coordenadora do Eixo Socioeducativo do GMF-MT, a experiência de emitir o título de eleitor e receber orientações sobre os direitos políticos constitui, para os jovens em cumprimento de medida socioeducativa, importante exercício de cidadania. “Trata-se de um direito de todos e, para os adolescentes, é de suma importância que compreendam a relevância do voto, bem como a responsabilidade de escolher em quem votar”, afirma.
O corregedor regional eleitoral em substituição, desembargador Lídio Modesto da Silva Filho, classifica o projeto ‘Registre-se! Eleitoral’ como de suma importância para a inclusão dos jovens em medida socioeducativa. “O Brasil passa por um momento sensível, em que se revela a necessidade de uma reflexão a respeito de quem será escolhido para governar o país. E não é porque estamos numa instituição como essa que vamos deixá-los alijados do processo de escolha. Então, há necessidade de explicar o que é cidadania, há necessidade da participação deles no processo de escolha. Então essa conscientização é muito salutar e temos que inseri-los no contexto”.
Conforme o representante da Justiça Eleitoral, o projeto contribui para o combate ao sub-registro de eleitores e para a conscientização a respeito do processo democrático, especialmente da parcela jovem da população. “Os jovens entre 16 e 18 anos têm a faculdade de participar do processo democrático, mas como eles são em número crescente no país, nós estamos fazendo esses projetos de inseri-los no contexto de escolha”, pontua o desembargador.
A secretária ressalta ainda que ao terem seus direitos respeitados, os adolescentes em medida socioeducativa passam a se enxergar como parte integrante da sociedade. “Quando o Tribunal traz uma ação como essa aqui pra dentro do sistema socioeducativo, também é um processo de inserção porque, às vezes, lá fora, até cooptados pelas facções, eles sequer se lembram de ter um documento, um registro civil, não se alistam e também não fazem título de eleitor. Então, essa ação é uma forma da gente trabalhar ainda mais os direitos que eles têm, as perspectivas de vida que eles podem ter lá fora e, principalmente, que eles são cidadãos e que a vida não se resume aos atos infracionais que eles cometeram”, defende.
Autor: Celly Silva
Fotografo: Lucas Figueiredo
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br