Antônio Geraldo: entenda os conceitos de Efeito Werther e Efeito Papageno
Falar ou não sobre suicídio . Eis a questão! A forma como a mídia aborda os temas relacionados ao suicídio é fundamental para nos ajudar no combate ao estigma contra as doenças mentais e principalmente na prevenção ao suicídio.
A cobertura de casos de suicídio requer extrema sensibilidade e responsabilidade, já que a exposição de informações sensíveis pode desencadear um fenômeno conhecido como efeito de contágio. Uma abordagem responsável e informativa pode ser uma forma de prevenção. Estamos falando de dois conceitos chamados Efeito Werther e Efeito Papageno.
O conceito “Efeito Werther” é usado na literatura médica para designar casos de imitacão de suicídio. Werther, é o protagonista do romance “Os Sofrimentos do Jovem Werther”, do autor alemão Johann Wolfgang von Goethe, publicado em 1774. O livro descreve o trágico suicídio do protagonista, que ao apaixonar por uma mulher e não ser correspondido, decide tira a própria vida. Após a publicação do livro, houve um aumento significativo no número de suicídios entre jovens e no local onde eles eram encontrados havia exemplares do livro e eles foram encontrados com roupas parecidas com a do personagem ou adotaram o mesmo método que ele, causando um efeito de contágio.
Trazendo para o contexto midiático, podemos dizer que relatar métodos específicos de suicídio pode influenciar pessoas mais vulneráveis que estão tendo pensamentos suicidas. Nestes casos, é melhor focar em aspectos mais gerais da história e enfatizar que há alternativas e apoio disponíveis. Incluir informações sobre serviços de saúde mental e onde buscar ajuda.
Diante dos desafios apresentados pelo Efeito Werther e da necessidade urgente de promover a prevenção para diminuir os casos de suicídio, organismos internacionais recomendam comunicar sem detalhar métodos de suicídio e evitar a romantização do ato. Em vez de evitar falar sobre o assunto, informar corretamente, indicar onde a pessoa pode buscar ajuda e oferecer esperança são as formas mais eficazes de prevenir o suicídio.
Outro conceito que usamos para falar sobre efeito contágio é o “Efeito Papageno”. Papageno é um dos personagens principais da ópera Flauta Mágica de Mozart. O personagem desesperado, decide tirar a própria vida. No entanto, ao compartilhar seus pensamentos com três amigos, sua perspectiva começa a mudar. Esses amigos, ao ouvir sua angústia, não apenas oferecem palavras de conforto, mas também o convencem a reconsiderar sua decisão. Através de uma conversa sincera, eles ajudam a explorar alternativas e possibilidades que antes pareciam inalcançáveis.
Ao mostrar que existem diferentes formas de enfrentar e superar as dificuldades, e ao oferecer uma rede de suporte que ajuda a ver alternativas viáveis, os amigos desempenharamm um papel essencial na prevenção do suicídio. Em vez de focar apenas no ato de não cometer suicídio, o efeito Papageno destaca a importância de demonstrar como superar crises é possível.
O Efeito Papageno mostra que uma cobertura responsável do suicídio pode ajudar uma pessoa que está com ideação suicida a buscar ajuda e oferecer alternativas. Em vez de abordar de forma sensacionalista e explorar detalhes do ato, as matérias devem focar em apresentar histórias de indivíduos que, com a ajuda correta e tratamento médico, evitaram um desfecho trágico como o da ópera de Mozart.
Compartilhar histórias de recuperação e histórias de pessoas que superaram crises pode trazer esperança e encorajar quem está lendo a buscar ajuda. Mostrar como algumas pessoas superaram problemas graves e hoje têm uma boa qualidade de vida pode servir de inspiração.
É imprescindível que toda e qualquer mensagem com o intuito de orientar sobre o suicídio inclua informações claras e práticas sobre como obter ajuda. No final da mensagem, a pessoa que está lendo precisa ter a informação do que fazer em caso de uma necessidade, se ela precisar ajuda, onde encontrar essa ajuda e como adotar mudanças no estilo de vida, na forma de pensar ou de agir pode melhorar a qualidade de vida e prevenir o suicídio.
Falar sobre suicídio não é algo simples como parece, não é qualquer pessoa que tem formação adequada para isso. É um assunto complexo e uma situação universal, mas que precisa de abordagem especializada, com muito cuidado e atenção, porque o que está em jogo aqui é a vida de uma pessoa. Por isso, é importante não disseminar informações errôneas sem embasamento científico, da mesma maneira que não divulgamos informação para tentar ajudar uma pessoa que tem um quadro médico não psiquiátrico, como um infarto ou apendicite, sem o devido conhecimento sobre essas condições.
O suicídio é uma emergência médica. Se uma pessoa está tendo pensamentos suicidas ou com sintomas de doenças mentais é recomendável indicar ou encaminhar a um serviço de saúde. Para tratar doenças mentais, o mais indicado é buscar um psiquiatra para uma avaliação e tratamento médico. Quando a situação se torna um caso de emergência, deve-se ligar para o SAMU 192, para que uma equipe preparada para atender casos de emergências possa intervir.
Se precisar, peça ajuda!
*Antônio Geraldo da Silva é médico formado pela Faculdade de Medicina na Universidade Estadual de Montes Claros – UNIMONTES. É psiquiatra pelo convênio HSVP/SES – HUB/UnB. É doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto – Portugal e possui Pós-Doutorado em Medicina Molecular pela Faculdade de Medicina da UFMG. Entre 2018 e 2020, foi Presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina – APAL.
Atualmente é Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, Diretor Clínico do IPAGE – Instituto de Psiquiatria Antônio Geraldo e Presidente do IGV – Instituto Gestão e Vida. Associate Editor for Public Affairs do Brazilian Journal of Psychiatry – BJP. Editor sênior da revista Debates em Psiquiatria. Review Editor da Frontiers. Acadêmico da Academia de Medicina de Brasília. Acadêmico Correspondente da Academia de Medicina de Minas Gerais. Coordenador Nacional da Campanha “Setembro Amarelo®”, da Campanha ABP/CFM Contra o Bullying e o Cyberbullying e da Campanha de Combate à Psicofobia. É autor de dezenas de livros e artigos científicos em revistas internacionais e também palestrante nacional e internacional.
Por Rui Denardin – Grupo Mônaco: À medida que nos aproximamos do final do ano é natural começarmos a refletir sobre as projeções para 2025. No mercado automotivo não seria diferente. Grandes expectativas já surgem, especialmente diante dos resultados positivos de 2024, marcados pelo aumento das vendas e pela recuperação total do setor no cenário pós-pandemia.
Analisando os fatores que impactam esse mercado, 2025 promete ser um ano dinâmico, repleto de avanços tecnológicos e alinhado às novas demandas do consumidor. Conforme nos preparamos para esse futuro promissor, algumas tendências-chave já estão moldando o setor, e, como um player estratégico, precisamos estar atentos para liderar e inovar.
E uma dessas principais tendências que seguirá em alta é a busca por veículos sustentáveis. A eletrificação continuará sendo o principal motor de mudança, com uma previsão de aumento significativo na participação dos veículos elétricos, não apenas no Brasil, mas em mercados globais.
Isso ocorre devido à redução nos custos de produção de baterias e ao avanço da infraestrutura de carregamento. No Brasil, o crescimento do segmento tem sido impulsionado por incentivos fiscais e subsídios que tornam as soluções híbridas e elétricas mais acessíveis ao consumidor.
Além disso, a busca por sustentabilidade permeia todos os aspectos da vida moderna, inclusive a mobilidade urbana. A produção de veículos elétricos tornou-se mais limpa, com o uso de materiais recicláveis, consolidando a responsabilidade ambiental como um diferencial competitivo.
Apesar das transformações tecnológicas, uma coisa não mudará em 2025: o foco na experiência do cliente. As empresas que conseguem oferecer atendimento excepcional, simplificar processos e garantir um suporte eficiente sairão na frente, conquistando a fidelidade de seus consumidores.
No Grupo Mônaco, valorizamos essa conexão desde a nossa fundação, na década de 1970. Meu pai, Armindo Denardin, ao inaugurar nossa primeira concessionária em Altamira, no Pará, chamava seu empreendimento de “Casa de Amigos”. Esse espírito de proximidade e atenção personalizada, seja para fechar um negócio ou apenas para receber bem quem nos procura, é um legado que mantemos até hoje.
O futuro do mercado automotivo não é apenas sobre tecnologia; é sobre como utilizamos essa tecnologia para melhorar vidas e gerar um impacto positivo no planeta. No Grupo Mônaco, estamos comprometidos em liderar essa transformação, com inovação, excelência e uma visão estratégica que priorize nossos clientes, colaboradores e parceiros.
2025 será um ano para acelerar. Estou confiante de que estamos prontos para essa jornada, que promete grandes conquistas e novas possibilidades para montadoras, concessionárias e, principalmente, para nossos clientes. Que venha o novo!