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Artigo: “O bizarro caso da escultura da Torre”

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Artigo: “O bizarro caso da escultura da Torre”
João Vicente Costa

Artigo: “O bizarro caso da escultura da Torre”

A obra não é considerada uma obra-prima. O autor é pouco conhecido ou comentado, ao contrário de Alfredo Ceschiatti ou Bruno Giorgio. No entanto, uma de suas obras é icônica e muito querida pela população de Brasília. Estou falando daquela escultura popularmente chamada de “Berimbau,” que fica bem em frente à Torre de TV .

Brasília guarda interessantes histórias sobre alguns de seus monumentos, que já mencionamos aqui nesta coluna: A Loba Romana que um dia sumiu, a Pequena Sereia que ficou perdida em algum porão da cidade, os sinos da Catedral que encalharam junto com o navio que os transportava, entre outras. Mas talvez a história mais bizarra seja sobre o tal “Berimbau” da Torre de TV.

A escultura é altíssima, medindo 15 metros de altura (a escultura Dois Candangos, na Praça dos Três Poderes, mede 8 metros). A placa afixada ao lado da obra deixa claro o seu nome e autor: A Era Espacial, do artista Alexandre Wakenwith. Em qualquer lugar que se pesquise, vai estar lá: “Era Espacial – Alexandre Wakenwith”.

Placa ao lado da obra | Foto: João Vicente
Placa ao lado da obra | Foto: João Vicente

Mas, pasmem, os nomes corretos da obra e de seu autor (citados em vários jornais da época, início dos anos 1970) são: FORCE NOIR OU L’ODISSÉE DES SPASMES (Força Negra ou A Odisseia dos Espasmos) de ALEXANDRE WAKHEVITCH. Como assim? Mudaram os nomes?

A história

Georges Wakhevitch, nascido na Rússia, foi um famosíssimo cenógrafo de cinema, teatro e espetáculos de ópera e balé. Cidadão francês, fez cenografia para filmes de Jean Renoir e espetáculos do bailarino russo Nureyev. Nos anos 60, veio ao Brasil algumas vezes com a família para produzir cenários de espetáculos no Rio de Janeiro, como o Diário das Carmelitas e a ópera Le Fou, já em 1970. George, casado com a atriz também franco-russa Maria Carlo, teve dois filhos: Igor e Alexandre. O mais velho, Igor, se tornou um dos mais importantes compositores contemporâneos franceses, tendo trabalhado com Jean Michel Jarre e Salvador Dalí, para quem compôs a trilha musical de uma ópera-poema.

Georges Wakhevitch com os filhos Alexandre e Igor | Foto: reprodução
Georges Wakhevitch com os filhos Alexandre e Igor | Foto: reprodução

Já Alexandre, aspirante a escultor, se apaixonou por Brasília e veio para cá aos 18 anos de idade, em 1969, oferecer uma escultura sua para Lúcio Costa, que estranhamente aceitou de imediato instalar a obra aos pés da Torre de TV. Alexandre teve ajuda de Ítalo Campofiorito, um arquiteto francês radicado no Brasil e amigo de Lúcio Costa.

Toda essa história me pareceu tão instigante que precisava encontrar respostas. Conversei com Alexandre recentemente. Ele vive hoje na Itália e dedicou sua vida ao estudo da história das artes visuais da escola italiana. Segundo ele, a escultura não tem referência alguma com berimbau ou espaço. Pouco se lembra (lá se vão mais de 50 anos), mas seguramente, disse ele, a obra jamais se chamou “A Era Espacial”. A primeira e mais importante parte do nome, “Força Negra,” seria uma referência ao momento político do Brasil na época (1969), profundamente perturbador para ele, dada a repressão que via nas ruas. Já a segunda parte, “A Odisseia dos Espasmos,” Alexandre assegura que é totalmente irrelevante e teria sido somente uma brincadeira com o filme “2001: Uma Odisseia no Espaço,” de Stanley Kubrick, de 1968. Daí “Odyssée Des Spasmes,” um trocadilho com o título do filme, mas sempre em referência ao clima social tenso daqueles anos.

Alexandre, no entanto, àquela época, não era ninguém na fila do pão. Um artista totalmente inexpressivo. A crítica caiu em cima! A pressão foi tanta que o governo de Brasília da época quase cancelou a instalação. Mas Lúcio Costa já estava convencido de ter a obra ali na Torre.

A escultura foi instalada em 1970 com recursos da Novacap e sem valor algum pago a Alexandre. Em 1978, desabou. Ficou encostada por alguns anos em algum galpão do governo até decidirem o que fazer com ela. Estava em estado lastimável de oxidação. Chegaram os anos 1980 e a escultura apodreceu (contam que teriam que refazê-la, tal era o estado em que se encontrava).

A essa altura, ninguém mais lembrava do nome da escultura nem do autor. O único veículo impresso que cita a obra, já em 1987, é o Correio Braziliense, numa ampla matéria sobre o estado lastimável do que sobrou da escultura abandonada. Aí, na matéria, já chamam de “Era Espacial de Alexandre Wakenwith”. De onde terão saído esses nomes? Ninguém sabe, mas, a partir daí, já nos anos 90, os jornais passaram a chamar assim a obra e a se referir ao autor como “Warkenwits” e “Wakenmitch”! Comentei isso com Alexandre, que gargalhou: “Nunca me importei com isso, sabendo da dificuldade de soletrar meu sobrenome”. E prossegue: “Meu filho Andrei, quando era menino, não conseguia pronunciar corretamente o nome da família, então, para simplificar, ele se apresentava como Andrei Blablavich!”

Nota de Ari Cunha no Correio Braziliense da época da montagem da escultura | Foto: reprodução
Nota de Ari Cunha no Correio Braziliense da época da montagem da escultura | Foto: reprodução

Mas, voltando à nossa historinha, no final dos anos 80, a obra é finalmente recuperada pela Novacap e reinstalada no seu local de origem em março de 1990. Junto a ela, acrescentaram uma placa com o nome “Era Espacial” de “Alexandre Wakenwith,” provavelmente por influência das matérias das publicações daquela época, sem o devido cuidado de consultar o autor ou referências da instalação original da obra.

No final das contas, o nome oficial está errado. O sobrenome do autor está errado. O contexto da obra está com seu sentido alterado em relação à motivação do jovem autor. O nome popular de “Berimbau,” então, nem se fala. Mas que parece um berimbau, parece. E vai seguir sempre sendo nosso querido Berimbau da Torre de TV. Alexandre aprova o apelido.

João Vicente Costa

* João Vicente Costa , o JVC, já fez de tudo um pouco: músico (5 Generais, Banda 80), DJ, programador musical, produtor de eventos, dono de bar (Bizarre), dono de restaurante (Antigamente). Hoje, administra pizzarias e há seis anos coleciona histórias não contadas de Brasília e adora compartilhar para os amantes da cidade nos grupos Memórias de Brasília e Bsbnight no Facebook

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Fonte: Nacional

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Rui Denardin: O que esperar do mercado automotivo em 2025?

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Por Rui Denardin – Grupo Mônaco: À medida que nos aproximamos do final do ano é natural começarmos a refletir sobre as projeções para 2025. No mercado automotivo não seria diferente. Grandes expectativas já surgem, especialmente diante dos resultados positivos de 2024, marcados pelo aumento das vendas e pela recuperação total do setor no cenário pós-pandemia.

Analisando os fatores que impactam esse mercado, 2025 promete ser um ano dinâmico, repleto de avanços tecnológicos e alinhado às novas demandas do consumidor. Conforme nos preparamos para esse futuro promissor, algumas tendências-chave já estão moldando o setor, e, como um player estratégico, precisamos estar atentos para liderar e inovar.

E uma dessas principais tendências que seguirá em alta é a busca por veículos sustentáveis. A eletrificação continuará sendo o principal motor de mudança, com uma previsão de aumento significativo na participação dos veículos elétricos, não apenas no Brasil, mas em mercados globais.

Isso ocorre devido à redução nos custos de produção de baterias e ao avanço da infraestrutura de carregamento. No Brasil, o crescimento do segmento tem sido impulsionado por incentivos fiscais e subsídios que tornam as soluções híbridas e elétricas mais acessíveis ao consumidor.

Além disso, a busca por sustentabilidade permeia todos os aspectos da vida moderna, inclusive a mobilidade urbana. A produção de veículos elétricos tornou-se mais limpa, com o uso de materiais recicláveis, consolidando a responsabilidade ambiental como um diferencial competitivo.

Apesar das transformações tecnológicas, uma coisa não mudará em 2025: o foco na experiência do cliente. As empresas que conseguem oferecer atendimento excepcional, simplificar processos e garantir um suporte eficiente sairão na frente, conquistando a fidelidade de seus consumidores.

No Grupo Mônaco, valorizamos essa conexão desde a nossa fundação, na década de 1970. Meu pai, Armindo Denardin, ao inaugurar nossa primeira concessionária em Altamira, no Pará, chamava seu empreendimento de “Casa de Amigos”. Esse espírito de proximidade e atenção personalizada, seja para fechar um negócio ou apenas para receber bem quem nos procura, é um legado que mantemos até hoje.

O futuro do mercado automotivo não é apenas sobre tecnologia; é sobre como utilizamos essa tecnologia para melhorar vidas e gerar um impacto positivo no planeta. No Grupo Mônaco, estamos comprometidos em liderar essa transformação, com inovação, excelência e uma visão estratégica que priorize nossos clientes, colaboradores e parceiros.

2025 será um ano para acelerar. Estou confiante de que estamos prontos para essa jornada, que promete grandes conquistas e novas possibilidades para montadoras, concessionárias e, principalmente, para nossos clientes. Que venha o novo!

Rui Denardin é CEO do Grupo Mônaco

Fonte: Auto

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