Em 2022 a Round Table On Responsible Soy (RTRS), uma organização Suíça que tem como foco garantir ao mercado internacional a produção da chamada “soja responsável”, certificou mais de 6 milhões de toneladas em todo o mundo.
O Brasil foi responsável por quase 85% deste montante, em uma área de aproximadamente 1.360 milhões de hectares e Mato Grosso, sozinho, produziu quase metade desse total.
Fundada em 2006, a entidade emite o selo RTRS que garante aos principais representantes da cadeia de valor, como produtores, indústria, comércio, finanças e a sociedade civil, que a soja que esta sendo comercializada foi produzida de maneira que não agrida o meio ambiente e respeite as questões sociais.
O Padrão RTRS de Produção de Soja Responsável garante, por exemplo, que a propriedade de onde saiu aquele produto teve zero desmatamento, que as condições de trabalho e relações com a comunidade foram legais e adequadas do ponto de vista do bem-estar social e trabalhista, que o processo produtivo respeitou o meio ambiente e a qualidade de vida das pessoas.
A associação fortaleceu a sua base de membros com 22 novos associados e agora passa a contar com mais de 200 organizações distribuídas em 32 países. A RTRS também registrou um salto de 184 novos locais certificados, de acordo com o Padrão RTRS de Cadeia de Custódia, distribuídos em vários países do mundo. O número inclui portos, que agora são capazes de receber, processar e comercializar a soja física certificada RTRS.
AMAGGI – O destaque para o Mato Grosso na produção de soja cerificada veio graças à Amaggi, que é líder em volume originado com certificação no Brasil e no mundo. Recentemente a empresa reuniu um grupo de fornecedores do grão RTRS para entregar simbolicamente o prêmio pago pelo produto – que, de maneira geral, varia conforme negociações com cada empresa compradora.
Veja o vídeo
MILHO – Com o número de 653 mil toneladas de milho certificado na Argentina, Brasil e Uruguai, sendo 489.825 toneladas oriundas apenas do Brasil, as primeiras experiências em certificação de milho RTRS demonstram como é possível capitalizar os resultados alcançados por meio da certificação da soja para continuar o processo produtivo sustentável por meio de sua extensão para outras culturas.
A adoção de material certificado RTRS em 2022 aumentou 7% em relação ao ano anterior, para cerca de 5,3 milhões de toneladas. Deste total, aproximadamente 522,8 mil foram Balance de Massas e 4,7 milhões foram Créditos RTRS em Apoio à Soja Responsável. Soma-se ainda a esses números 69 empresas de 29 países que adotaram pela primeira vez o material certificado RTRS.
O Padrão RTRS para a Produção de Milho Responsável é o complemento do Padrão RTRS para a Soja Responsável, permitindo expandir a demanda de culturas produzidas de forma que respeito o meio ambiente, as leis de cada país e a qualidade de vida das comunidades. Atualmente existe uma ampla variedade de padrões de certificação de acordo com as necessidades de cada setor, como por exemplo outras culturas, óleos, grãos e sementes.
O avanço dos custos de produção e a maior frequência de eventos climáticos extremos estão entre os principais desafios enfrentados pelo agronegócio mineiro em 2026. A avaliação é de que o setor convive simultaneamente com os reflexos das tensões geopolíticas internacionais, que afetam o mercado global de insumos, e com fenômenos climáticos cada vez mais imprevisíveis, capazes de comprometer a produtividade no campo.
Segundo dados apresentados durante evento realizado em Belo Horizonte, os custos dos insumos agrícolas acumularam alta de cerca de 70% desde 2019. O aumento atinge diretamente a rentabilidade dos produtores rurais e acaba repercutindo ao longo da cadeia, influenciando os preços dos alimentos que chegam ao consumidor.
A pressão sobre os custos ocorre em um contexto de forte dependência de fertilizantes e outros insumos importados. Conflitos internacionais, restrições comerciais e oscilações nos mercados globais têm provocado instabilidade nos preços e aumentado a preocupação de produtores e entidades do setor.
Diante desse cenário, uma das apostas para reduzir a vulnerabilidade das propriedades rurais tem sido a ampliação do uso de bioinsumos e o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às condições brasileiras. A estratégia busca diminuir a dependência de produtos importados e aumentar a eficiência produtiva das lavouras.
O incentivo ao uso de variedades mais resistentes também integra esse movimento. A expectativa é que cultivares com maior tolerância a estresses climáticos e menor exigência de determinados insumos possam contribuir para reduzir custos e ampliar a resiliência das atividades agrícolas.
Minas Gerais ocupa posição de destaque na agropecuária nacional, com forte participação em cadeias como café, leite, batata, citros e diversas outras culturas. Essa diversidade produtiva ajuda a distribuir riscos e fortalece a participação do agronegócio na economia estadual.
Nos últimos anos, o setor registrou crescimento das exportações e ampliou sua contribuição para a geração de renda e empregos. Ainda assim, produtores continuam enfrentando desafios relacionados ao acesso ao crédito, à incorporação de novas tecnologias e à gestão das propriedades diante de um ambiente de negócios cada vez mais complexo.
Entre as preocupações mais imediatas está a influência do clima sobre as lavouras. Em regiões produtoras de café, episódios recentes de chuva de granizo têm gerado apreensão entre agricultores devido ao potencial de danos às plantações. Além das perdas diretas, eventos desse tipo aumentam a incerteza sobre a produção e podem afetar a qualidade dos grãos.
A combinação entre custos elevados e instabilidade climática reforça a necessidade de investimentos em inovação, pesquisa e gestão de risco. Para especialistas do setor, a capacidade de adaptação será cada vez mais determinante para manter a competitividade da agropecuária brasileira nos próximos anos.
Mesmo diante das dificuldades, o agronegócio segue como um dos principais motores da economia mineira. A expectativa é que o avanço de tecnologias, a adoção de práticas sustentáveis e a busca por maior eficiência produtiva permitam ao setor enfrentar um cenário marcado por desafios globais e mudanças cada vez mais rápidas no ambiente de produção.