Promover um espaço de escuta ativa pode ser o primeiro passo, de um longo e doloroso caminho, porém, necessário de apoio aos sobreviventes enlutados do suicídio. Pensando em trazer visibilidade e acolhimento à dor daqueles que sofrem com a perda, na maioria das vezes silenciada por sentimentos como vergonha, culpa e raiva, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso manifesta seu apoio às famílias e chama a atenção sobre a importância de refletirmos sobre o assunto.
Marcado como o Dia Internacional dos Sobreviventes Enlutados pelo Suicídio, o dia 18 de novembro ressalta a importância de falarmos sobre a prevenção e combate ao suicídio, e principalmente, do cuidado que devemos ter com aqueles que ficam.
E assim como em campanhas anteriores, o Tribunal de Justiça abre espaço ao Centro de Valorização da Vida (CVV), que realizará entre os dias 17 e 23 de novembro, a 19ª Semana de Valorização da Vida – Pensando o Sentido da Vida. A programação terá abertura no dia 17 (sexta-feira), às 19h30, na sede do CVV. Durante toda a semana, inúmeras ações envolvendo palestras sobre suicídio, luto e depressão, meditação sobre autoamor e amor ao próximo, e a apresentação dos diversos trabalhos desenvolvidos pelo CVV, com programações fixas, durante toda a semana.
O dialogo com outras pessoas que também estão enlutadas, possibilita o reconhecimento da dor no outro, abrindo espaço para o início da cura.
O tema vem ao encontro do trabalho realizado pelo Poder Judiciário, que transformou o cuidado com a saúde emocional de magistrados, servidores e seus familiares, como uma de suas principais metas para uma sociedade do amanhã, cada vez mais harmônica, humanizada e acolhedora. As iniciativas envolvem um calendário ativo de ações e campanhas realizado durante todo ano, inclusive com a mobilização da sociedade e dos usuários do Sistema da Justiça.
Dados da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) apontam que para cada suicídio, cerca de 120 pessoas são afetadas pela perda, recebendo pouco ou nenhum suporte emocional. Nestes casos, a intervenção emocional após o suicídio é capaz de aliviar o sofrimento e a angústia diante da perda, prevenindo o adoecimento e reduzindo o risco de comportamento suicida nos sobreviventes.
Apoio 24 horas – O CVV é uma organização de caráter filantrópico, que presta serviço voluntário e gratuito de prevenção ao suicídio e apoio emocional, com atendimento 24 horas por dia, pelo telefone 188. As ligações podem ser realizadas por orelhão, celular e telefone fixo. O contato com o CVV pode ser feito pelo site www.cvv.org.br , pelo e-mail apoioemocional@cvv.org.br , chat e inclusive atendimento presencial.
Além dos canais de atendimento por telefone, chat e e-mail, o Centro de Valorização da Vida possui uma agenda de atendimento aberto ao público, com atividades presenciais durante toda a semana. As atividades são oferecidas na sede do CVV em Cuiabá, localizado na Rua Comandante Costa, 296, Centro Note.
Em Mato Grosso, mais de 50 voluntários estão à disposição para as pessoas que querem e precisam falar. No Brasil são mais de 100 postos de atendimento espalhados e 3,5 mil voluntários. Em 2022 foram realizados 3,4 milhões de apoios.
Mais de 89 mil cestas de alimentos entregues, 15,5 mil famílias indígenas atendidas com transferência de renda, quase 900 filtros de água distribuídos e mais de R$ 31 milhões investidos. Esses são alguns dos números que mostram como o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), tem ampliado o cuidado com os povos indígenas em todo o Estado.
Ao longo dos últimos anos, programas como o SER Família Solidário, o SER Família Aconchego, o SER Família Indígena e o SER Família Capacita, têm feito diferença no dia a dia das famílias, garantindo alimento na mesa, apoio financeiro e melhores condições de vida, sempre considerando as especificidades de cada povo e território.
O secretário de Estado de Assistência Social e Cidadania, Klebson Gomes, ressaltou o compromisso contínuo com os povos indígenas e a importância de políticas públicas construídas com respeito e proximidade.
“Nosso trabalho é guiado pelo respeito à cultura, à história e às necessidades dos povos indígenas. Cada ação desenvolvida pela Setasc busca garantir dignidade, promover inclusão e fortalecer a autonomia dessas comunidades. Mais do que levar serviços, queremos estar presentes, ouvir e construir soluções junto com cada povo, reconhecendo a riqueza dos seus saberes e a importância deles para o nosso Estado. E neste domingo, 19 de abril, Dia dos Povos Indígenas, reafirmamos nosso compromisso de seguir avançando com políticas públicas que realmente façam a diferença na vida das pessoas”, ressaltou.
Esse apoio também promove ações de valorização e cuidado diretamente nas comunidades. No território Umutina, em Barra do Bugres, por exemplo, mulheres do povo Balatiponé participaram de uma roda de conversa e do “Dia de Beleza e Homenagem às Indígenas”.
A ação realizada em parceria com o município, levou serviços estéticos, brindes e uma palestra motivacional. A iniciativa promoveu autoestima, bem-estar e fortalecimento do papel das mulheres dentro de suas comunidades, respeitando suas identidades culturais.
Foto: Reprodução
A Setasc também integrou uma grande ação no Médio Xingu, em parceria com a Prefeitura de Feliz Natal e outros órgãos, dentro do projeto Prefeitura Participativa. A iniciativa levou serviços essenciais às comunidades indígenas, incluindo a entrega de cestas básicas, filtros de água e brinquedos, além da oferta de capacitações e apoio à agricultura familiar com assistência técnica.
Outro destaque foi o encaminhamento para implantação de poços artesianos, atendendo a uma demanda histórica por acesso à água de qualidade. A atuação da Setasc foi fundamental para fortalecer o atendimento social e garantir mais dignidade às famílias atendidas.
Foto: Reprodução
O cacique Tafareiup Panará, da aldeia Sôsérasã, destacou a importância da ação realizada na região e o impacto direto para a comunidade.
“Quero agradecer a chegada da equipe que veio até aqui, nessa ação realizada em parceria com a prefeitura. Para nós, isso é muito importante, porque mostra que estão olhando para a nossa comunidade, ouvindo nossas necessidades e trazendo melhorias. Esse tipo de presença faz diferença no nosso dia a dia e fortalece o cuidado com o nosso povo”, disse.
As ações também ajudam a abrir caminhos e dar visibilidade a histórias como a do arquiteto indígena Jucimar Ipaikire, da etnia Kurâ Bakairi, da Aldeia Pakuera. Com apoio da Setasc, ele participou da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, experiência que, segundo ele, levou o conhecimento tradicional de seu povo para o centro do debate sobre sustentabilidade.
Foto: Arquivo Pessoal
“Participar da Bienal foi ótimo. Discutimos os desafios climáticos na construção civil e percebi o quanto a arquitetura indígena tem a contribuir, já que nossas casas são sustentáveis e respeitam a natureza”, contou.
Ele destaca que o apoio foi essencial para essa conquista. “A Setasc foi essencial, pois me deu a oportunidade de estar lá ao disponibilizar passagens. Sou muito grato, porque isso me permitiu conhecer outros profissionais e ampliar o diálogo sobre sustentabilidade”, afirmou.
Ao falar sobre sua atuação, Jucimar reforça o valor do conhecimento tradicional. “A âtâ (casa) Kurâ Bakairi carrega ancestralidade e tecnologia. Nossas construções respeitam o território, o tempo e até as fases da lua. É um conhecimento profundo que precisa ser valorizado”, disse.
Foto: Arquivo Pessoal
Depois da experiência, novas oportunidades surgiram. “Os convites para palestras aumentaram, trazendo mais visibilidade ao nosso saber”, destacou.
Para ele, a presença indígena em diferentes espaços é essencial. “Devemos dialogar de forma inteligente e mostrar que podemos contribuir. Isso enriquece qualquer discussão”, afirmou.
E, ao falar sobre o Dia dos Povos Indígenas, deixou uma mensagem direta e potente: “O dia é logo ali quando se luta”.
Outro destaque é o Programa SER Família Capacita, que também atende a população indígena em Mato Grosso por meio da oferta de cursos de qualificação profissional. A iniciativa busca ampliar oportunidades de geração de renda e inclusão produtiva, respeitando as especificidades culturais de cada comunidade.
Com formações em diferentes áreas, o programa contribui para o fortalecimento da autonomia das famílias indígenas, incentivando o desenvolvimento local e criando caminhos para que esses cidadãos possam acessar o mercado de trabalho sem abrir mão de suas tradições e modos de vida.
Outro destaque foi a participação da Setasc no 1º Jogos Indígenas de Mato Grosso, realizado na aldeia Curva, na Terra Indígena Erikpatsa, no município de Brasnorte. O evento reuniu 43 etnias de diferentes regiões do Estado em um grande encontro de integração cultural, esportiva e social, considerado um marco histórico para os povos indígenas.
Durante a programação, a Secretaria esteve próxima das lideranças e comunidades, reafirmando o compromisso com a escuta ativa, a valorização das tradições e a promoção de políticas públicas voltadas aos povos indígenas. Para além das competições, os jogos se consolidaram como um importante espaço de união, visibilidade e reconhecimento da diversidade cultural indígena em Mato Grosso.