MATO GROSSO
Entrevistado defende caráter educativo de Operação Lei Seca
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O caráter educativo e preventivo das Operações Lei Seca foi defendido pelo tenente-coronel Adão César Rodrigues Silva, comandante do Batalhão de Trânsito Urbano e Rodoviário da Polícia Militar de Mato Grosso, na segunda entrevista da campanha de enfrentamento à violência no trânsito promovida pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso e parceiros, com o slogan “No trânsito, respeite a vida. A sua e a dos outros”. Ele, que foi o entrevistado desta quarta-feira (10) na rádio CBN Cuiabá (95,9 FM), revelou que a estimativa é de que pelo menos mais 100 operações sejam realizadas no Estado até o fim do ano, superando 200 no decorrer de 2024.
O tenente-coronel lembrou que a primeira Operação Lei Seca de Mato Grosso ocorreu em fevereiro de 2014, na Avenida Isaac Póvoas, em Cuiabá. Contou que inicialmente eram realizadas duas operações por mês e que hoje são 16. “No primeiro semestre de 2024 já realizamos 100 Operações Lei Seca. Vamos passar de 200 este ano. Estamos investindo no aumento da fiscalização para diminuir o número de pessoas dirigindo sob o efeito de álcool. Beber pode, o que não pode é beber e dirigir. A ideia não é arrecadar e sim educar, nem que seja pela dor”, afirmou.
Conforme o entrevistado, existe uma Câmara Temática de Trânsito no âmbito da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), composta por representantes do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito da Polícia Judiciária Civil, Departamento Estadual de Trânsito, Polícia Penal, Sistema Socioeducativo, Politec, Corpo de Bombeiros, Secretaria de Mobilidade Urbana e Guarda Municipal. “Nos reunimos mensalmente para definir o calendário de operações Lei Seca e de outras operações de trânsito, inclusive ações educativas. Esse calendário é definido de forma técnica. Identificamos as regiões com maior número de acidentes, onde está a problemática do trânsito, e direcionamos para lá. Fazemos operações na área central e bairros periféricos”, assinalou.
O comandante do Batalhão de Trânsito também informou que estão expandindo as Operações Lei Seca para o interior, e que as blitzes já são realizadas em Sinop, Alta Floresta, Sorriso, Nova Mutum, Tangará da Serra, Cáceres e Barra do Garças. E traçou um perfil dos principais condutores identificados nessas operações. “Embora esteja crescendo o número de mulheres paradas por dirigir sob efeito de álcool, na maioria dos casos os condutores são homens, de 20 a 40 anos de idade. O número de prisões varia de local para local”, apontou.
Adão César Rodrigues Silva falou ainda sobre o papel do condutor de veículo automotivo para um trânsito seguro. Segundo ele, falar em segurança no trânsito é falar na teoria dos três Es: Educação (seguir as regras de trânsito, no caso dos condutores, e promover campanhas educativas, no caso do poder público), Engenharia (ruas, avenidas e rodovias em boas condições e bem sinalizadas), e Esforço legal (fiscalização e aplicação de penalidades em caso de descumprimento das regras de trânsito).
“O que eu posso afirmar por experiência, após tantos anos à frente do Batalhão de Trânsito, é que a maioria excessiva dos acidentes é causada pelos condutores, que desrespeitam as regras de trânsito, cometem excesso de velocidade, fazem consumo de bebida alcoólica aliada à direção de veículo automotor, e ultrapassam em local proibido. É incessante a divulgação do que é permitido e proibido no trânsito. Se a pessoa continua fazendo algo errado, é uma decisão dela. Arrisco dizer que mais de 90% dos acidentes estão relacionados diretamente à conduta do condutor”, destacou.
Serviço – Por fim, o entrevistado orientou os ouvintes a como proceder em caso de acidentes. “Existem três tipos de acidentes: sem vítima, com vítima ferida e com vítima fatal. Em todos eles, é responsabilidade do condutor informar o ocorrido. Se não há vítima, os condutores envolvidos devem colher os dados e evidências e ir até o Batalhão de Trânsito na Avenida Fernando Corrêa, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, para acidentes em Cuiabá. No caso de Várzea Grande, devem procurar a Guarda Municipal, e dos demais municípios do interior, a unidade de Polícia Militar mais próxima para fazer o registro”, explicou.
“No caso de acidente com vítima ferida, o condutor deve acionar o Samu ou o serviço de urgência disponível e registrar a ocorrência na Delegacia de Delitos de Trânsito de Cuiabá ou na Polícia Civil. E em caso de vítima fatal, é preciso ligar para o 190 porque a Polícia Civil será acionada para fazer perícia no local. Além disso, em todos os casos o condutor tem a responsabilidade de, se possível, retirar o veículo do local para dar fluidez ao trânsito e diminuir o risco de um novo acidente”, acrescentou.
Assista à entrevista na íntegra aqui.
Fonte: Ministério Público MT – MT
MATO GROSSO
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça
Publicado
12 horas atrásem
junho 1, 2026Por
oestenews
Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.
Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.
Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.
Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.
“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.
A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”
Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.
“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.
“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.
A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.
“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.
Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.
“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.
A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.
“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.
Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.
“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.
Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.
Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.
Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.
A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.
Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”
Despedida
A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.
Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.
Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.
A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
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