MATO GROSSO
Inclusão no trabalho, na família e na educação: caminhos para autonomia e pertencimento
Publicado
3 meses atrásem
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oestenews
A inclusão é um processo contínuo que acompanha a pessoa ao longo de toda vida. Ela começa na infância, se fortalece na educação, se consolida no trabalho e encontra na família um espaço fundamental de apoio, informação e acolhimento. Quando esses ambientes são inclusivos, criam-se trajetórias mais justas, oportunidades reais e maior autonomia para pessoas com deficiência.
No serviço público, especialmente no Judiciário, promover inclusão nesses diferentes contextos é uma estratégia essencial para garantir direitos, fortalecer a cidadania e construir uma sociedade mais democrática.
Inclusão na educação: base para o desenvolvimento e a autonomia
A educação inclusiva permite que pessoas com deficiência desenvolvam habilidades, construam autonomia e participem plenamente da vida social. Para isso, é fundamental que escolas e instituições educacionais adotem práticas como:
Adaptações pedagógicas, respeitando diferentes ritmos de aprendizagem;
Uso de linguagem simples e recursos visuais, especialmente para pessoas com deficiência intelectual;
Tecnologias assistivas, como leitores de tela, softwares de apoio à escrita, audiolivros e materiais em braile;
Intérpretes de Libras, legendas e materiais acessíveis para estudantes com deficiência auditiva;
Ambientes acolhedores, que evitem estigmatização e promovam convivência respeitosa.
Uma educação inclusiva não beneficia apenas estudantes com deficiência, mas amplia a empatia, a cooperação e o respeito à diversidade entre todos.
Inclusão no trabalho: diversidade que fortalece instituições
No ambiente de trabalho, a inclusão promove diversidade, inovação e senso de pertencimento. Pessoas com deficiência contribuem com diferentes perspectivas, experiências e habilidades, desde que tenham condições adequadas para exercer suas funções.
Entre as ações que podem ser implementadas no trabalho estão:
Acessibilidade física, como rampas, elevadores, banheiros adaptados e mobiliário adequado;
Acessibilidade comunicacional, com documentos acessíveis, linguagem clara, Libras, legendas e recursos digitais compatíveis com leitores de tela;
Adaptações razoáveis, como flexibilização de horários, adequação de tarefas ou uso de tecnologias assistivas;
Capacitação de equipes e gestores, para reduzir preconceitos e promover uma cultura organizacional inclusiva;
Avaliação baseada em competências, evitando pré-julgamentos sobre capacidade;
Ambientes de trabalho inclusivos não favorecem apenas pessoas com deficiência: eles se tornam mais humanos, colaborativos e eficientes.
Inclusão na família: informação, apoio e respeito à autonomia
A família exerce papel central na inclusão, especialmente nas fases iniciais da vida. O acesso à informação e o apoio adequado ajudam a reduzir inseguranças e a fortalecer a autonomia da pessoa com deficiência.
Práticas importantes no contexto familiar incluem:
Estimular a independência, respeitando limites e potencialidades;
Evitar a superproteção, que pode limitar o desenvolvimento e a autoestima;
Buscar informação qualificada, combatendo mitos e preconceitos;
Respeitar escolhas, inclusive relacionadas à educação, trabalho, afetividade e vida social;
Quando a família atua como aliada da inclusão, contribui para que a pessoa com deficiência construa sua identidade, autonomia e participação social.
O papel estratégico do serviço público
O serviço público tem papel estratégico na articulação entre educação, trabalho e família. Ao promover políticas inclusivas, garantir acessibilidade e investir em formação, as instituições públicas ajudam a romper barreiras históricas e a criar oportunidades reais para todos.
A inclusão, nesse contexto, não é um favor ou concessão, mas um direito fundamental e um compromisso com a dignidade humana.
🟦 Compromisso com a Inclusão
Apoie ambientes de trabalho acessíveis, flexíveis e baseados na equidade;
Evite paternalismo, superproteção ou decisões tomadas sem ouvir a pessoa;
Valorize a autonomia, a participação ativa e o protagonismo das pessoas com deficiência;
Lembre-se: inclusão beneficia toda sociedade, não apenas um grupo específico.
🟦 Comissão de Acessibilidade e Inclusão
A Comissão de Acessibilidade e Inclusão do Poder Judiciário de Mato Grosso atua de forma permanente para eliminar barreiras e assegurar o acesso pleno aos serviços judiciais por todas pessoas. 
Presidida pela vice-presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, o trabalho da Comissão reforça a prioridade institucional dada ao tema e o compromisso da alta administração com a promoção da inclusão no Judiciário mato-grossense.
Em 2025, o trabalho da Comissão foi intensificado tanto na sensibilização quanto na implementação de melhorias estruturais. Ao longo do ano, foram realizados eventos sobre inclusão de pessoas autistas em Cuiabá, Rondonópolis, Cáceres, Sinop e Sorriso, ampliando o diálogo, a conscientização e a formação sobre inclusão no âmbito do Judiciário.
Além das ações educativas, a Comissão promoveu ainda vistorias técnicas e a implantação de melhorias para garantir acesso viável aos jurisdicionados em Fóruns e Cartórios Extrajudiciais das comarcas de Cuiabá, Jaciara, Rondonópolis, Tangará da Serra, Sinop e Sorriso.
Entre as adequações realizadas, destacam-se a implantação e melhoria de rampas de acesso, a adequação de banheiros, o acesso às varas judiciais e aos tribunais do júri, reforçando o compromisso institucional com a autonomia, a dignidade e o direito de acesso à Justiça.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
MATO GROSSO
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça
Publicado
12 horas atrásem
junho 1, 2026Por
oestenews
Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.
Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.
Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.
Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.
“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.
A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”
Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.
“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.
“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.
A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.
“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.
Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.
“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.
A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.
“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.
Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.
“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.
Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.
Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.
Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.
A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.
Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”
Despedida
A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.
Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.
Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.
A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
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