Connect with us

Agronegócio

Instabilidade global encarece o campo e afetam custos e decisões do produtor

Publicado

em

As tensões geopolíticas que se acumulam no início de 2026 — envolvendo desde disputas estratégicas no Ártico até conflitos latentes no Oriente Médio e movimentos protecionistas de grandes economias — ajudam a explicar por que o produtor rural brasileiro passou a lidar com um ambiente cada vez menos previsível. Mesmo distantes da realidade da lavoura, esses episódios influenciam diretamente custos, margens e decisões dentro da porteira.

O efeito mais imediato não aparece na demanda por alimentos, que segue firme globalmente, mas na formação dos preços dos insumos. Fertilizantes, combustíveis, defensivos e fretes estão entre os principais canais de transmissão dessas incertezas. O Brasil, altamente dependente do mercado externo para suprir sua agricultura, sente o impacto antes mesmo de qualquer ruptura efetiva no abastecimento.

Disputas diplomáticas envolvendo grandes potências, como o endurecimento do discurso dos Estados Unidos sobre territórios estratégicos, casos recentes de instabilidade no Oriente Médio ou sanções comerciais cruzadas, não significam escassez imediata de produtos. O que ocorre, segundo analistas de mercado, é um movimento antecipatório: fornecedores reajustam preços, tradings reduzem exposição e compradores correm para garantir volumes, pressionando as cotações.

No caso dos fertilizantes, a vulnerabilidade é estrutural. O País importa a maior parte do que consome, especialmente nitrogenados, fosfatados e potássicos. Em momentos de tensão internacional, o mercado passa a precificar riscos futuros — seja por conflitos armados, sanções econômicas ou gargalos logísticos — o que se reflete em altas mesmo quando o fluxo físico segue normal.

A energia é outro fator-chave. Regiões sensíveis do ponto de vista geopolítico concentram parte relevante da produção e do transporte global de petróleo. Qualquer ameaça a essas rotas eleva o preço do barril, com efeito direto sobre o diesel, o frete agrícola e o custo de escoamento da produção. Para o produtor, isso significa maior pressão sobre a margem, especialmente em culturas de menor rentabilidade.

Segundo Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o produtor brasileiro vive hoje um cenário em que fatores externos passaram a pesar tanto quanto o clima. “O agricultor sempre soube lidar com risco climático. O desafio agora é administrar o risco geopolítico, que afeta preços, insumos e crédito sem aviso prévio”, afirma.

Rezende avalia que o aumento da instabilidade global exige uma postura mais estratégica no planejamento da safra. “Não é mais possível tomar decisão olhando apenas para a produtividade esperada. O produtor precisa acompanhar câmbio, cenário internacional, custo de insumos e logística, porque tudo isso pode mudar rapidamente”, destaca.

Do ponto de vista logístico, o comércio internacional segue funcionando. Rotas alternativas existem, e o transporte marítimo continua sendo o modal mais competitivo. Ainda assim, especialistas alertam que desvios de rota e maior percepção de risco elevam o custo do frete, o que acaba sendo repassado ao longo da cadeia. Em um país continental como o Brasil, esse impacto é potencializado pelas longas distâncias internas.

A reação do produtor a esse ambiente, segundo analistas, passa menos por tentar prever conflitos e mais por adotar mecanismos de proteção. Fixação antecipada de preços, escalonamento de compras de insumos, diversificação de fornecedores e maior atenção à gestão de caixa aparecem como estratégias centrais para reduzir a exposição à volatilidade.

Para Isan Rezende, a capacidade de adaptação será decisiva. “O produtor brasileiro é competitivo, eficiente e resiliente. Mas, em um mundo mais instável, quem se organiza melhor financeiramente e toma decisões com base em informação tende a atravessar esses períodos com menos impacto”, afirma.

Ele ressalta ainda que, apesar do cenário global mais tenso, o Brasil segue bem-posicionado como fornecedor de alimentos. “A demanda mundial por comida continua crescendo. O risco não está na venda da produção, mas no custo de produzi-la. É aí que o produtor precisa estar atento”, conclui.

Em meio a um cenário internacional marcado por disputas comerciais, tensões políticas e reconfiguração das cadeias globais, o campo brasileiro não enfrenta risco de ruptura, mas opera sob pressão crescente de custos. Para o produtor, entender o que acontece fora do País deixou de ser um exercício distante — tornou-se parte essencial da gestão do negócio rural.

Fonte: Pensar Agro

Continue Lendo

Agronegócio

Pequenos produtores ampliam presença no mercado internacional

Publicado

em

Por

O comércio exterior deixou de ser uma realidade exclusiva das grandes tradings e cooperativas para se tornar uma oportunidade cada vez mais concreta para pequenos negócios ligados ao agronegócio brasileiro.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que 877 microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte do setor exportaram seus produtos em 2025, um crescimento de 154,9% em comparação com 2015.

Mais expressivo ainda foi o avanço da receita gerada por esses negócios. Em dez anos, o faturamento das exportações quintuplicou, passando de R$ 583 milhões para R$ 2,9 bilhões, um crescimento de 402%. Os números revelam uma mudança importante no perfil do comércio exterior brasileiro e demonstram que produtores de menor porte estão encontrando espaço em mercados cada vez mais exigentes ao redor do mundo.

O avanço é resultado de uma combinação de fatores, entre eles a busca internacional por alimentos diferenciados, a organização dos produtores em cooperativas, o acesso a certificações de qualidade, a profissionalização da gestão rural e a abertura de novos mercados para produtos com identidade regional. Hoje, cafés especiais, mel, frutas, castanhas, erva-mate, pescados, queijos artesanais e diversos outros produtos oriundos de pequenas propriedades já chegam a consumidores na Europa, Ásia, Oriente Médio e América do Norte.

O crescimento também mostra que exportar deixou de ser apenas uma estratégia para grandes volumes. Em muitos casos, o diferencial competitivo está justamente na qualidade, na rastreabilidade, na sustentabilidade e na história por trás do produto. É o caso de pequenos cafeicultores de Minas Gerais e Espírito Santo, produtores de mel do Sul do país, fruticultores do Nordeste e agroindústrias familiares que agregam valor à produção antes de comercializá-la.

Segundo dados do governo federal, os pequenos negócios já representam mais da metade das empresas exportadoras do agronegócio brasileiro. Embora ainda respondam por uma parcela menor do valor total exportado quando comparados aos grandes grupos, sua participação cresce ano após ano e demonstra o potencial de inclusão produtiva e geração de renda no campo.

A expansão das exportações de pequenos produtores também fortalece economias regionais, estimula investimentos em tecnologia e incentiva a sucessão familiar nas propriedades rurais. Em um cenário de crescente demanda global por alimentos, o mercado internacional passa a ser visto não apenas como uma oportunidade de negócios, mas como um caminho para aumentar a rentabilidade e reduzir a dependência exclusiva do consumo interno.

Os números mostram que a internacionalização do agro brasileiro não está acontecendo apenas nas grandes fazendas ou nas multinacionais do setor. Ela também avança dentro das pequenas propriedades, onde produtores encontram novas oportunidades para transformar qualidade, tradição e inovação em renda e desenvolvimento.

Fonte: Pensar Agro

Continue Lendo
queiroz

Publicidade

Câmara de Vereadores de Porto Esperidião elege Mesa Diretora