MATO GROSSO
Investimentos em rodovia acompanham expansão da produção agrícola no Estado
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Desde 2019, o crescimento da produção agropecuária de Mato Grosso tem sido acompanhado pelos investimentos na ampliação da malha rodoviária asfaltada. Nos últimos sete anos, o Estado viu sua produção de grãos aumentar em 55%, passando de 69,3 para 107,7 milhões de toneladas.
Ao mesmo tempo, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), asfaltou 6.197 quilômetros de rodovias e construiu 261 pontes de concreto. Além disso, investiu na substituição de quase mil pequenas pontes de madeira por aduelas de concreto.
Os impactos dos investimentos em infraestrutura são avaliados de forma positiva pelo vice-prefeito de Lucas do Rio Verde, Joci Piccini, que também é produtor rural e presidente da Fundação Rio Verde. “Isso transformou a vida do produtor, o seu trabalho, porque ele tem segurança no dia a dia, no prazo, na janela de plantio, na janela de colheita, além do principal, que é trazer qualidade de vida para o produtor e para os seus colaboradores”, disse.
Segundo Piccini, as rodovias asfaltadas trazem mais segurança para investir mais. “Isso se transforma, tudo isso que aconteceu é um seguro que o Estado fez para o produtor”, completou.
Uma análise regionalizada desses números mostra que o crescimento da produção agrícola coincide com os investimentos em logística. A Sinfra separou a produção agrícola e os investimentos em asfalto novo nas suas 12 regiões de manutenção, e o ranking de estradas pavimentadas é similar ao ranking de produção. A única exceção é a região de Cuiabá, que não concentra produção agropecuária, apesar de também ter investimentos em estradas.
A região de Sinop foi a que mais recebeu asfalto novo desde 2019, com 1.129 km de asfalto novo. Esta região é a que viu o maior incremento de sua produção de grãos desde 2019, registrando 9,3 milhões de toneladas a mais neste período.
Em Santa Rita do Trivelato, que faz parte da região de Sinop, os investimentos em asfalto novo impactaram o desenvolvimento da cidade, destacou o prefeito da cidade, Volmir Bassani. Segundo ele, há uma procura grande de empresas que querem conhecer o município para se instalar.
“Todos os investimentos em infraestrutura que foram feitos aqui nós estamos começando a colher os frutos e isso se reflete na procura das empresas. A melhoria da infraestrutura rodoviária prepara o município para continuar crescendo nos próximos anos”, afirmou o prefeito.
A segunda região que mais recebeu asfalto novo também é a segunda que mais aumentou sua produção total. No caso, é a região de Juara, que recebeu 641 km de asfalto e aumentou a produção em 4,7 milhões de toneladas.
Depois aparecem as regiões de Barra do Garças e Alta Floresta, onde foram asfaltados 591 km e 559 km de estradas, respectivamente. Na primeira, o aumento da produção foi de 4,2 milhões de toneladas e, na segunda, houve aumento de 4,6 milhões de toneladas.
O acompanhamento segue nas regiões seguintes, que são as de Primavera do Leste e de Confresa. Enquanto a primeira teve 500 km de asfalto novo e aumento de 3,2 milhões de toneladas de produção, a segunda, no Norte Araguaia, aumentou sua produção em 3,8 milhões de toneladas e teve 452 km de asfalto novo executado.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, pontuou que os investimentos em infraestrutura reduzem os custos logísticos e permitem a abertura de novas fronteiras agrícolas em Mato Grosso.
“As rodovias asfaltadas e a construção de pontes de concreto garantem uma maior previsibilidade para o escoamento da produção agrícola. Toda vez que o Governo de Mato Grosso asfalta uma estrada, é uma nova fronteira que se expande, atraindo investidores que passam a ter condições de viabilizar sua produção”, afirmou.
É importante ponderar que as estradas não explicam totalmente o aumento da produção. Mato Grosso, nos últimos anos, viu o aumento da sua produção de etanol de milho, assim como do DDG, um subproduto do etanol rico em proteína e energia e que é utilizado na alimentação de animais. Isso permite o aumento da produtividade pecuária, com sistemas intensivos de produção.
Sinop, Alta Floresta, Barra do Garças, Confresa e Juara são as cinco regiões, nesta ordem, que mais aumentaram a sua área de produção. O que provavelmente significa que está ocorrendo uma migração da pecuária extensiva para a produção de grãos.
“São vários fatores que permitem que o produtor passe a investir mais. Mas, para escoar a produção de grãos, é preciso ter estradas asfaltadas e pontes de concreto, garantindo o transporte ao longo do ano. Mato Grosso é um estado longe dos portos e precisa de melhorias na logística”, finalizou o secretário.
Veja no gráfico abaixo a comparação entre a produção e a pavimentação nas rodovias. Além de Cuiabá, a única exceção é a região de Campo Novo dos Parecis, que tem a menor malha rodoviária das 12 regiões e já era a segunda maior produtora de grãos.
Fonte: Governo MT – MT
MATO GROSSO
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça
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8 horas atrásem
junho 1, 2026Por
oestenews
Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.
Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.
Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.
Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.
“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.
A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”
Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.
“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.
A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.
“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.
A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.
“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.
Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.
“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.
A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.
“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.
Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.
“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.
Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.
Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.
“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.
Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.
A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.
“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.
Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”
Despedida
A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.
Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.
Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.
A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
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