MATO GROSSO
Maus tratos a animais domésticos é crime com pena aumentada; população pode e deve denunciar
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2 meses atrásem
Por
oestenewsO crime de maus-tratos é caracterizado por situações como agressões físicas e psicológicas, abandono, falta de alimentação, água, abrigo e cuidados veterinários.
Titular da 3ª Vara Cível e Ambiental e do Juizado Volante Ambiental de Rondonópolis, a juíza Milene Aparecida Pereira Beltramini chama atenção para o fato de que existem situações de atropelamento proposital e envenenamento, e que deixar o animal em espaço incompatível com o seu porte também configura maus-tratos, não somente físico, mas também psicológico, conforme reconhecido por médicos veterinários. Para identificar os tipos de violência, em Cuiabá e Várzea Grande, a delegada Liliane Murata informa que a Polícia Civil costuma fazer parceria com o Conselho Regional de Medicina Veterinária, que envia profissionais para acompanhar resgates e operações.
“A recuperação depende muito da gravidade em que o animal se encontra. Muitos precisam ficar dias internados, recebendo antibióticos, antiinflamatórios, analgésicos por conta das dores que eles sentem. Alguns demoram mais tempo para se recuperarem, mas, quando recebem cuidados, é possível voltarem a sentir confiança no humano”, afirma.
Conforme o processo, os dois cachorros mortos eram dóceis, do porte de um pinscher, que brincavam com crianças sem nunca ter atacado ninguém. Um deles pertencia ao autor do crime desde que nasceu. Ambos animais foram mortos com golpes de facão no pescoço.
A juíza também relata outro caso marcante em que atuou: uma cadela resgatada cheia de ferimentos, sem receber cuidados veterinários, desnutrida, raquítica e, mesmo assim, tendo que amamentar quatro filhotes. “Essa espécie de violência contra animais existe no Brasil, infelizmente. É uma realidade. Não é caso isolado”, lamenta.
Beltramini explica que o Judiciário atua por meio do recebimento de denúncias no Juvam, bem como no julgamento dos casos judicializados. “Quando são recebidas essas denúncias no Juvam, elas são apuradas e, quando o promotor vê que a situação é de maus-tratos, que atinge a Lei 14.604, o caso é deslocado para a Vara. Mas quando é uma situação que dá pra fazer uma orientação, a equipe multidisciplinar orienta, auxilia, ajuda o tutor, exatamente pra evitar que chegue nesse extremo dos maus tratos”, relata.
Estatísticas
Em Cuiabá e Várzea Grande, no ano passado a Delegacia de Meio Ambiente atendeu a 1.050 denúncias de maus tratos a animais e atuou em 180 resgates de animais domésticos. “Tivemos alguns casos emblemáticos no ano passado, como de uma moça que matava os gatos, e ela, inclusive, chegou a ser presa e hoje está respondendo ainda, usando tornozeleira. Tivemos um cão que teve as patinhas cortadas. No final do ano, tivemos o caso de um pet shop em que resgatamos 70 animais. Muitos deles estavam numa situação bem ruim, cheios de carrapatos, com problema no olho, feridas… Eles estavam muito mal tratados mesmo! É um procedimento que também já foi encaminhado para o Judiciário”, relata a delegada Liliane Murata.
Conscientização
Além do atendimento às denúncias, o Juvam de Rondonópolis também tem trabalhado no âmbito da conscientização ambiental, especialmente junto ao público infantil, em parceria com escolas. “Levamos não só o respeito para com a natureza e a forma de melhor cuidar da natureza, mas também o respeito para com os animais. Isso a gente faz na primeira infância exatamente porque eles serão a sociedade de amanhã. E nosso trabalho com as crianças é gratificante! Eles são nossos colaboradores porque levam para o bairro, levam pra casa e para outras crianças essa conscientização ambiental”, afirma a juíza Milene Beltramini.
Como cuidar
O médico veterinário João Pedro Meireles elenca os principais cuidados que devem ser dados ao animal de estimação. “Dar muito carinho e amor para o animalzinho é muito importante. Também tem que ter uma ração de qualidade, uma higiene adequada, o animal tem que ser limpo para evitar doenças oportunistas, infecções bacterianas. Se o animalzinho sofrer, por exemplo, algum machucado, tem que cuidar dele para não infeccionar”, explica.
O profissional destaca ainda a importância do planejamento, mas ressalta que o cuidado é primordial mesmo quando o bicho chega na vida da pessoa de forma inesperada. “Seria interessante que a pessoa se programasse antes de ter um animalzinho. Às vezes, o animalzinho aparece na vida da gente também, mas a gente tem que se preparar financeiramente para cuidar e garantir uma vida adequada para ele”, orienta.
População deve denunciar
A delegada Liliane Murata ressalta que denúncias devem ser acompanhadas de provas para auxiliar as investigações. “É muito importante que a denúncia seja enviada junto com imagens do animal, em que se possa verificar o tutor agredindo”.
Confira alguns canais de denúncia
Em todo o estado, a Polícia Civil recebe denúncias pelos telefones 197 e 181.
Em Cuiabá e Várzea Grande, a Delegacia Especializada do Meio Ambiente atende pelos telefones (65) 3613-8941 ou (65)-98153-0239 (plantão) e pelo e-mail: dema@pjc.mt.gov.br.
Batalhão de Polícia Militar Ambiental de Várzea Grande – Telefone (65) 9 8170-0307 e e-mail: bpmpa@pm.mt.gov.br
2ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Rondonópolis – Telefone (66) 9 8467-7838 e e-mail: 2cipm_ambiental_sul@pm.mt.gov.br
1ª Companhia Independente de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Cáceres- Telefones (65) 9 9973-1333 / (65) 3223-3542 ou e-mail: ciaambientalcaceres@pm.mt.gov.br
Núcleo de Polícia Militar de Proteção Ambiental de Barra do Bugres – Telefone (65) 3361-1029
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Autor: Celly Silva
Fotografo: Maycon Xavier
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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