Filmada em casarões históricos de Cuiabá e em paisagens emblemáticas da Chapada dos Guimarães, a aguardada minissérie de quatro episódios “O Portão do Inferno: Casos Arquivados”, inspirada no livro homônimo do escritor cuiabano Jefferson Neves, estreia oficialmente em sessão única no Cineflix do Shopping 3 Américas na próxima segunda-feira (2.3), às 19h30. O lançamento será em formato de maratona, com a exibição sequencial dos quatro episódios, cada um com cerca de 30 minutos, totalizando duas horas de imersão em uma narrativa que costura passado e presente, realidade e ficção, documento e delírio. A entrada é gratuita, mediante retirada de ingressos, e a classificação indicativa da obra é 16 anos.
Produzida pela CALM Filmes (Centro Audiovisual Luiz Marchetti), a série mergulha em arquivos históricos da capital para transformar crimes reais da década de 1940 em um thriller de atmosfera noir, estética barroca e forte densidade política. O elenco é majoritariamente formado por artistas locais, reunindo nomes reconhecidos da cena cultural do Estado, como Vera Capilé, Ilto Silva, Maria Clara Bertulio, Millena Machado, Bia Corrêa e Carolina Argenta, além da participação especial da atriz Maria Zilda Bethlem, um dos nomes marcantes da televisão e do cinema brasileiro. A presença dela surgiu a partir da proposta da obra de unir talentos locais a referências nacionais para ampliar o alcance da obra, produzida com recursos do maior edital da Lei Paulo Gustavo em Mato Grosso, – Cinemotion – Produção Audiovisual – viabilizado pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel/MT) com investimento total de R$ 16 milhões em filmes e minisséries.
Para o diretor Luiz Marchetti, o momento de estreia carrega um sentido simbólico. “O Portão do Inferno é uma obra sobre o que foi silenciado. A série nasce da necessidade de revisitar a história e encarar as sombras que ajudaram a construir nossa cidade. Exibir os quatro episódios em sequência é um convite à imersão. Queremos que o público atravesse essa experiência por completo, como quem percorre um arquivo vivo”, explica.
A obra é uma experiência audiovisual sensorial e política. A narrativa, entre 1940 e tempos atuais, é realizada a partir de crimes reais investigados em arquivos históricos e transformados em ficção. O roteiro não linear constrói um quebra-cabeça de imagens e silêncios, onde passado e presente se atravessam e assombram mutuamente.
A atmosfera e o uso da estética barroca ajudam a moldar o tom sombrio da trama, que investiga os limites da justiça, da memória e da identidade social. “Essa minissérie é uma obra que atravessa linguagens e propõe uma escuta sensível do território. É sobre o que foi apagado, mas também sobre o que resiste. E o audiovisual, quando feito com profundidade e conexão com o lugar, pode ser esse catalisador de memórias e futuros”, destaca Marchetti.
A produção do evento vai liberar, nesta quinta (26.2), às 12h, o link da plataforma Sympla para retirada dos ingressos gratuitos, com divulgação no perfil @oportaodoinferno no Instagram. Cada CPF tem direito a dois ingressos, limitados à lotação da Sala 07 do Cineflix 3 Américas.
Serviço
Lançamento da minissérie O Portão do Inferno: Casos Arquivados Exibição dos 4 episódios (30 minutos cada), em sequência Data: 2 de março (segunda-feira), às 19h30 Local: Sala 07 do Cineflix 3 Américas, em Cuiabá Ingresso gratuito: retirada pelo Sympla a partir das 12h de quinta-feira (26.2) Instagram: @oportaodoinferno
Da análise de vestígios em locais de homicídio à investigação de crimes ambientais, o trabalho da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) é fundamental para esclarecer ocorrências e subsidiar decisões da Justiça. Na área ambiental, a instituição atua na produção de provas técnicas que permitem identificar, dimensionar e comprovar danos causados aos recursos naturais em Mato Grosso.
A atuação é realizada pela Gerência de Perícias em Meio Ambiente (GPMA), unidade especializada na identificação, análise e quantificação de impactos provocados por atividades ilícitas contra a natureza.
Para o diretor-geral adjunto da Politec, Renato Simões, a perícia ambiental é uma ferramenta essencial para garantir a responsabilização de infratores e a preservação do patrimônio natural mato-grossense.
“A perícia ambiental é uma ferramenta essencial para a defesa do patrimônio natural de Mato Grosso. Por meio da ciência e da produção de provas técnicas, a Politec contribui para a responsabilização de infratores e para a preservação dos recursos naturais que são fundamentais para a qualidade de vida da população”, afirma.
Segundo o perito criminal George Adriano de Lamônica Araújo, o trabalho começa a partir do acionamento das autoridades policiais e envolve uma série de procedimentos técnicos para comprovar a materialidade do crime.
“A atuação da perícia ambiental é fundamentada na materialidade do ilícito ambiental. Nosso papel é constatar o dano, quantificar sua extensão, qualificar o impacto e, sempre que possível, determinar a autoria ou o nexo causal. O trabalho une o exame de campo à análise e ao processamento de dados geoespaciais”, explica.
Principais ocorrências
Entre os crimes ambientais mais registrados em Mato Grosso estão o desmatamento ilegal, os incêndios florestais e queimadas irregulares, intervenções em Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais, casos de poluição ambiental e infrações relacionadas à pesca ilegal.
Para identificar e comprovar essas práticas, os peritos analisam diferentes tipos de vestígios. Em ocorrências de desmatamento, por exemplo, são avaliadas as características da vegetação afetada, os limites da área degradada e os indícios de utilização de maquinário pesado.
Nos incêndios florestais, o foco está na identificação do ponto inicial do fogo e na delimitação da área atingida. Já nos casos de poluição ambiental, são coletadas amostras de água e sedimentos para exames laboratoriais capazes de identificar contaminantes e mensurar os impactos causados ao ecossistema.
Tecnologia como aliada
O trabalho pericial ambiental conta com tecnologias que ampliam a precisão das análises e fortalecem a produção de provas técnicas.
Imagens de satélite, drones e softwares especializados permitem mapear áreas degradadas, reconstruir a dinâmica dos danos ambientais e fornecer informações detalhadas para investigações e processos judiciais.
“O trabalho começa ainda na fase de planejamento, com a análise de séries temporais de imagens de satélite para compreender quando o dano ocorreu e qual era o estado original da área. Em campo, validamos essas informações, realizamos imageamento aéreo e coletamos evidências físicas para posterior elaboração do laudo”, destaca George.
Entre as principais ferramentas utilizadas estão a vetorização de imagens de satélite, o mapeamento por drones e a fotogrametria computacional, técnica que possibilita a criação de ortomosaicos e imagens georreferenciadas de alta resolução.
A importância da prova técnica
Os laudos produzidos pela Politec são fundamentais para a responsabilização dos infratores e para a reparação dos danos ambientais.
“A perícia fornece a prova material do crime ambiental. Os laudos apresentam dados matemáticos, mapas de satélite e análises laboratoriais que subsidiam o trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário. Também realizamos a valoração dos danos ambientais, transformando os vestígios encontrados em elementos técnicos e jurídicos”, afirma o perito.
Além de demonstrar a existência do dano, a perícia delimita com precisão as coordenadas geográficas da área afetada, vinculando o ilícito à propriedade ou ao local de origem da infração e conferindo maior segurança jurídica aos processos.
Impactos para sociedade
Os crimes ambientais produzem consequências que vão além das áreas diretamente afetadas. O desmatamento compromete a biodiversidade, altera o regime de chuvas e impacta atividades econômicas importantes para o Estado.
As queimadas provocam problemas de saúde pública, especialmente entre crianças e idosos, devido à fumaça e à piora da qualidade do ar. Já a contaminação de rios e nascentes pode comprometer o abastecimento de água e afetar comunidades que dependem diretamente desses recursos.
E é nesse contexto que entra a perícia ambiental como papel estratégico ao produzir provas que auxiliam na responsabilização dos infratores e na reparação dos danos causados ao patrimônio natural.