MATO GROSSO
Posse de novos juízes evidencia o papel das famílias na conquista da magistratura
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oestenews“Sinto que venci”, define a dona de casa Francine de Cássia da Silva, de Paracatu (MG). Mãe solo, ela viu o filho, Iorran Damasceno Oliveira, transformar um sonho de infância em realidade. Foram cinco anos de estudo intenso até a aprovação, mas a rotina ia muito além dos livros. Enquanto se preparava para o concurso, Iorran também era arrimo da família e dividia o tempo entre estudos, trabalho e os cuidados intensos com a irmã Ingryd, portadora de mielomeningocele, acompanhando-a em tratamentos e garantindo todo o suporte necessário.
Para Francine, a posse simbolizou não apenas a realização de um sonho profissional, mas a confirmação de um caminho trilhado com responsabilidade e empenho, valores que, segundo ela, o filho levará para o exercício da magistratura. “Sempre fomos só nós três. Ver meu filho chegar até aqui é a certeza de que todo o esforço valeu a pena”, relatou.
Outra mulher orgulhosa era Selma Gonçalves de Almeida, mãe do magistrado Magno Batista da Silva. Ela trabalhou durante 30 anos como faxineira na Secretaria de Educação da cidade de Crisópolis, na Bahia, conciliando jornadas de trabalho com o cuidado da família. Sustentando o lar com um salário mínimo, enfrentou períodos de extrema dificuldade. “Os estudos dos meus filhos sempre foram prioridade. Poderia faltar qualquer coisa em casa, mas os livros estavam todos em dia”, conta.
Foi nesse contexto que se formou o primeiro contato do magistrado com a realidade da Justiça, não como conceito abstrato, mas como experiência concreta de ausência, demora e desigualdade. “Eu conheço o que é a injustiça na pele”, relata o juiz, ao lembrar do período em que a mãe ficou afastada do serviço público e a família precisou se reinventar para sobreviver. Essa vivência, segundo ele, foi determinante para a escolha da carreira jurídica e para a forma como pretende exercer a magistratura: com sensibilidade, responsabilidade social e compromisso com o justo.
Durante a preparação para os concursos, Magno chegou a morar em Salvador, enquanto Selma permanecia no interior da Bahia, enviando parte do que ganhava para auxiliar nas despesas do filho. A renda familiar era dividida com rigor, e a solidariedade entre mãe e filhos foi essencial para atravessar os anos mais difíceis. Ainda assim, Selma nunca questionou o esforço. “Se fosse para fazer tudo de novo, eu faria. Hoje estou aqui, em um Tribunal, vendo meu filho se tornar juiz depois de varrer muito chão. Sempre achei que lugares como este eu só poderia conhecer pela televisão”, emocionou-se.
De volta a Mato Grosso
Voltar agora ao Tribunal de Justiça como mãe de um magistrado empossado, trouxe uma emoção ainda mais intensa. “É uma alegria imensa estar aqui. Vivi a história do Tribunal desde os tempos do antigo prédio, acompanhei amigos, desembargadores, toda essa construção. Ver meu filho assumir aqui é uma emoção indescritível”, afirmou.
Divina nunca rompeu seus laços com Mato Grosso. “Já avisei meu filho: qualquer cidade deste estado é um ótimo lugar”, disse, com convicção, ao comentar sobre os próximos passos da carreira. O orgulho, segundo ela, soma-se à tranquilidade de saber que o Judiciário mato-grossense valoriza o trabalho, reconhece trajetórias e promove uma justiça que vai além da letra da lei. “É a justiça do reconhecimento. Isso motiva, fortalece e inspira”, concluiu.
Parceria, compreensão e incentivo
Esposa do magistrado Pedro Henrique de Deus Moreira, Jaqueline Trouche, procuradora municipal em Mato Grosso do Sul, esteve ao lado do marido desde o início do sonho de ingressar na magistratura. Segundo ela, o projeto sempre esteve presente desde a época do namoro e foi assumido como um objetivo comum do casal. “Sempre estivemos focados nesse propósito, mesmo diante das dificuldades, do trabalho e dos obstáculos do caminho. O apoio foi constante, sempre seguindo em frente”, relatou.
Durante o período de preparação, o desafio se intensificou com a chegada da filha Heloísa, hoje com um ano e seis meses. Nascida prematura, a criança exigiu cuidados redobrados e trouxe novas responsabilidades à rotina familiar. Ainda assim, a paternidade não afastou o foco do objetivo, tornando-se, ao contrário, um incentivo adicional. Para Pedro Henrique, a filha representou uma motivação ainda maior para perseverar. “Foi um desafio a mais, mas também um estímulo. A vontade de vencer aumentou”, destacou. Para Jaqueline, a experiência reforçou a importância da parceria e da compreensão mútua para atravessar essa fase com equilíbrio e fé.
Para Leandra, apoiar o sonho do marido significou compreender as ausências, oferecer suporte emocional e manter a confiança mesmo nos períodos mais difíceis. “Eu sempre vi nele um grande potencial. Sabia que ele chegaria, mesmo sabendo o quanto o caminho era desafiador. Estar ao lado, como uma base firme, fez parte desse processo”, ressaltou.
Concurso e maternidade
Solange relembra que, ainda antes do vestibular, Luana já demonstrava a intenção de seguir a magistratura, decisão que se consolidou com determinação ao longo dos anos. Para ela, a posse representa orgulho e a sensação de meta cumprida ao ver uma filha dedicada, estudiosa e madura assumir uma função de tamanha responsabilidade, mesmo sendo ainda jovem na carreira.
Homenagem aos ausentes
“Hoje meu pai e minha avó não estão aqui me vendo me tornar juíza, mas eles sempre tiveram certeza de que este dia chegaria e de que eu nasci para esta missão: prestar uma jurisdição excelente”, afirmou.
Cheia de orgulho e emoção, a mãe de Laís, Rose Mary Santana Baptista, relembrou que o desejo da filha de se tornar juíza surgiu ainda na infância e nunca deixou de ser cultivado. Segundo ela, a trajetória até a aprovação exigiu inúmeras renúncias por parte da família, mas a convicção de que a filha alcançaria o objetivo sempre superou as dificuldades.
“Fico muito tranquila quanto ao futuro dela, pois sempre a orientei a pautar a vida pela dignidade, pela empatia e pelo senso de justiça. São esses valores que continuarão guiando seu crescimento pessoal, emocional e profissional no exercício da magistratura”, destacou.
Sessão solene
A sessão solene ocorreu no Plenário 1 Desembargador Wandyr Clait Duarte, sob a condução do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, seguindo o rito oficial das cerimônias do Poder Judiciário mato-grossense.
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Fotos: Josi Dias/Lucas Figueiredo – TJMT
Autor: Ana Assumpção
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Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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