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MATO GROSSO

Projeto Nosso Judiciário aproxima universitários do Univag da rotina do Tribunal de Justiça de Mato

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Para muitos universitários que estão apenas no início da graduação em Direito, a visita ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta quarta-feira (11) foi mais do que uma aula fora da sala. Ao participarem do projeto Nosso Judiciário, 55 acadêmicos do 1º semestre do curso de Direito do Centro Universitário de Várzea Grande – Univag tiveram a oportunidade de conhecer de perto a estrutura do Judiciário estadual e ouvir a trajetória da juíza Patrícia Ceni, magistrada que por muitos anos foi a única mulher do país a atuar em uma jurisdição pouco conhecida: o Juizado do Torcedor e dos Grandes Eventos.

Implantado em 2015, o projeto proporciona aos estudantes uma experiência imersiva no funcionamento do Judiciário. Durante a visita, os acadêmicos percorrem a estrutura do Tribunal, acompanham sessões de julgamento e conversam diretamente com magistrados, aproximando a formação acadêmica da realidade da profissão.

Para o estudante Bruno Fhelipe Lopes Evangelista, de 18 anos, a visita marcou seu primeiro contato com o ambiente jurídico. “É a primeira vez que venho ao Tribunal de Justiça. Nunca havia estado no meio jurídico e esta visita ao Tribunal está sendo uma experiência maravilhosa para mim”, afirmou.

Segundo ele, acompanhar a dinâmica real da Justiça ajuda a ampliar as perspectivas sobre o futuro profissional. “Já começo a pensar no que vou querer seguir depois de formado. No Direito existem várias áreas e aqui a gente já pode ver como funciona o dia a dia, os processos com os quais eles lidam e a forma como lidam. A gente pode usar isso como referência para construir nossa própria trajetória”.

Aproximação entre teoria e prática

Para o vice-presidente do Centro Acadêmico do Univag, Arthur Campos, que está no 7º semestre de Direito, o contato dos alunos com o Judiciário logo no início da graduação é essencial para ajudar na escolha da carreira.

“Essa convivência dos alunos com os órgãos do Judiciário desde o início da graduação é fundamental para que comecemos a decidir quais carreiras queremos seguir. Acompanhar o plenário, ver uma sustentação oral presencial, entender o papel do desembargador e do promotor, tudo isso é muito importante para a nossa formação”, destacou.

O professor de Direito do Univag e advogado criminalista Rafael Salem Gonçalves Pimenta também ressaltou o impacto que experiências como essa têm na formação acadêmica. Ele contou que, há 11 anos, esteve no mesmo local, mas como estudante. “Eu falo isso de um ponto de vista muito especial: nessa mesma semana, há 11 anos, eu estava aqui como aluno da faculdade de Direito da UFMT. Hoje tenho a oportunidade de ver o outro lado, como professor. Posso dizer com toda tranquilidade que essa visita é uma ferramenta muito importante”.

De acordo com o professor, a experiência ajuda a romper a ideia de que o Judiciário é distante da sociedade. “Para alunos do primeiro semestre, entrar no Poder Judiciário e perceber que ele está aberto à sociedade faz toda a diferença. O estudante pode vir aqui, usar a biblioteca, conversar com um servidor, até com um juiz ou desembargador. Esse projeto tem referência nacional e mostra que o Judiciário de Mato Grosso é inclusivo e aberto ao público”.

Trajetória que inspira

Durante o encontro com os acadêmicos, a juíza Patrícia Ceni, titular do 7º Juizado Especial Cível de Cuiabá e do Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, compartilhou sua história na carreira jurídica, que começou ainda muito cedo, como estagiária do próprio Tribunal.

“Entrei no Tribunal de Justiça no primeiro semestre da faculdade, com 16 anos. Comecei fazendo o trabalho mais básico possível, carimbando processos e carregando pilhas de papel. Um dia o juiz me chamou para o gabinete e perguntou se eu queria aprender. Eu disse que sim, e ali começou minha trajetória”, contou.

A magistrada relatou que, ao longo dos anos, passou por diferentes funções dentro do Judiciário, até chegar à magistratura. “Fui estagiária, assessora, depois passei em concurso para servidora e assumi como escrivã. Quando me formei, resolvi tentar o concurso da magistratura. Fui passando fase por fase até a prova oral, quando o presidente da banca me disse: ‘Seja muito bem-vinda à magistratura’. Saí daquele plenário chorando de emoção”.

A juíza também falou sobre sua atuação no Juizado do Torcedor e Grandes Eventos, que funciona em shows, jogos e outras grandes atividades com público. Durante muito tempo, ela foi a única mulher do país a atuar nesse tipo de jurisdição, hoje exercida também por outras duas magistradas, no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo.

“Em todo grande evento que vocês frequentarem, shows, jogos ou feiras, o Poder Judiciário estará presente. Se houver briga, assédio ou descumprimento do que foi anunciado, podem nos acionar ali mesmo. A gente resolve na hora”, explicou.

Para Patrícia Ceni, iniciativas como o projeto Nosso Judiciário ajudam os estudantes a compreender melhor as possibilidades da carreira jurídica. “É muito importante receber esses estudantes porque eles estão começando a se deslumbrar com o Direito. Conhecer como as coisas realmente acontecem dentro do Tribunal traz uma nova percepção, inclusive sobre se a magistratura é ou não o caminho que querem seguir”, afirmou.

Ela também deixou uma mensagem aos futuros profissionais do Direito: “Independente da carreira que escolherem, façam com amor. Que acordem todos os dias com a certeza de que é aquilo que querem fazer”.

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Anderson Borges

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: imprensa@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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MATO GROSSO

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

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Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: imprensa@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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