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MATO GROSSO

Promotoria reúne clubes de serviço para fortalecer iniciativas sociais

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O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da 26ª Promotoria de Justiça Cível da Capital – Especializada em Fazenda Pública e Fundações, realizou na tarde desta terça-feira (27) uma reunião institucional com representantes dos Rotary Clubs, Lions Clubs e da Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (ADHONEP) de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. O encontro teve como objetivo ampliar o diálogo com entidades da sociedade civil e fomentar ações voltadas ao fortalecimento do terceiro setor no Estado.A reunião foi conduzida pelo promotor de Justiça Renee do Ó Souza, que explicou as atribuições da Promotoria voltadas ao velamento das fundações privadas e ao apoio técnico e institucional às organizações sem fins lucrativos. Segundo ele, o Ministério Público busca atuar não apenas como órgão fiscalizador, mas também como indutor do desenvolvimento, estimulando boas práticas de governança, transparência e sustentabilidade.“Nosso trabalho não é punitivo. Ele é voltado à construção, ao desenvolvimento do terceiro setor. Precisamos fortalecer a atuação da sociedade civil organizada para enfrentarmos gargalos sociais que o Estado e o mercado não conseguem suprir sozinhos”, destacou o promotor.Durante a reunião, o promotor de Justiça apresentou o plano de atuação que prevê ações para ampliar o número de fundações privadas em Mato Grosso, hoje considerado baixo em comparação à pujança econômica do Estado. Ele enfatizou que as fundações não se limitam a atividades filantrópicas, podendo desenvolver ações econômicas autossustentáveis que revertam seus resultados para a finalidade social prevista em seus estatutos.O promotor ainda citou exemplos de fundações em funcionamento no país que, além de atenderem suas finalidades, geram receita a partir de serviços e produtos, tornando-se sustentáveis e ampliando sua capacidade de impacto. “Fundação não é sinônimo de assistencialismo. É um modelo jurídico robusto, profissional e transparente, que permite executar atividades privadas voltadas ao interesse público”, explicou.Renee do Ó também destacou que muitas associações desempenham trabalhos relevantes, mas de forma limitada por falta de estrutura, profissionalização e segurança jurídica. Nesse sentido, convidou as entidades presentes a refletirem sobre possibilidades de criação de novas fundações ou apoio à multiplicação desse modelo.“O Estado de Mato Grosso possui grande potencial, mas ainda carece de iniciativas estruturadas em áreas como educação, cultura, cidadania e profissionalização. A criação de novas fundações pode preencher lacunas históricas e permitir que a sociedade civil lidera soluções para desafios sociais complexos”, afirmou.Ainda durante a reunião os participantes puderam compreender como funciona e de que forma pode acessar recursos do Banco de Projetos, Fundos e Entidades (Bapre). Conforme a normativa, podem se inscrever no banco órgãos da administração pública direta e indireta, entidades sem fins lucrativos voltadas à defesa de direitos difusos e coletivos, além de fundos federais, estaduais e municipais. Roger Figueiredo, representante da ADHONEP, avaliou o encontro como uma oportunidade inédita de aproximação com o Ministério Público. “É algo fundamental ter esse apoio, essa abertura. Isso nos dá condições de buscar recursos, expandir ideias e discutir dentro da ADHONEP a possibilidade de criar novas fundações. Com certeza já temos projetos guardados que podem vir à tona no futuro”, afirmou.O ex-governador do Lions Club e integrante do Lions Cuiabá Leste, Paulo de Brito Cândido, destacou o caráter inovador da reunião. “Excelente iniciativa. É a primeira vez que vejo o Ministério Público convidar entidades do terceiro setor para conhecer uma nova sistemática de orientação e apoio. A cartilha apresentada e as explicações do promotor serão muito úteis para corrigirmos falhas e fazermos um mundo melhor para quem precisa”, declarou.Presidente do Rotary Club de Cuiabá Bandeirantes, Roner Fabrício Leite Antônio ressaltou o ineditismo da aproximação. “Estou há seis anos no Rotary e nunca vi um convite para uma reunião desse porte. Abre-se uma grande janela de possibilidades para nós. É o primeiro passo; agora depende de nós levar ideias, dar retorno e construir junto com o Ministério Público”, disse.A representante do Lions Club Cuiabá Boa Esperança, Cristina Burato, também avaliou positivamente o encontro. “A tarde foi muito proveitosa. É uma grande satisfação ter esse diálogo com o Ministério Público. As oportunidades apresentadas, especialmente sobre a criação de fundações, abrem caminhos para reforçar nosso trabalho. Com certeza levaremos o tema aos nossos clubes”, afirmou.Ao final da reunião, o promotor informou que novos encontros serão realizados com outras entidades, empresários e lideranças comunitárias para ampliar o debate sobre a ampliação do terceiro setor em Mato Grosso. A intenção é identificar áreas estratégicas, incentivar a criação de fundações privadas e fomentar iniciativas voltadas à educação, cultura, profissionalização, proteção social e cidadania.“As melhores soluções nascem da sociedade civil organizada. Queremos construir esse caminho passo a passo, com participação, diálogo e compromisso com o interesse público”, concluiu o promotor de Justiça.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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MATO GROSSO

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, diz juiz após quase 40 anos dedicados à Justiça

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Em uma solenidade marcada pela emoção, gratidão e reconhecimento, o juiz Luiz Antônio Sari despediu-se da magistratura após 39 anos e seis meses de atuação no Poder Judiciário. Realizada no Fórum da Comarca de Rondonópolis, na sexta-feira (29), a cerimônia reuniu magistrados, servidores, representantes do Ministério Público, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), familiares, amigos e convidados para homenagear uma trajetória marcada pela dedicação à Justiça, pelo atendimento humanizado e pela contribuição ao fortalecimento institucional do Judiciário mato-grossense.

Compuseram o dispositivo de honra a juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni; o promotor de Justiça Reinaldo Antônio Vessani Filho, representando o Ministério Público; o advogado Bruno de Castro Silveira, representante da OAB de Rondonópolis; e os defensores públicos Jacqueline Gevizier Rodrigues Ciscato e Fernando Ciscato Bastos, representantes da Defensoria Pública.

Durante a cerimônia de despedida, Luiz Antônio Sari destacou os valores que nortearam sua caminhada profissional e pessoal. “Entrei no Judiciário em 1986, aos 35 anos. Já era casado com a minha companheira de seis décadas, Sonia Maria, e já tinha meus dois filhos”, relembrou.

Ao fazer um balanço da carreira, o magistrado definiu a magistratura como uma vocação que transcende os limites de uma atividade profissional.

“A magistratura é mais que um sacerdócio. É mais que uma profissão. É algo divino. Não é para qualquer um. É preciso ter amor ao próximo, ser cada vez mais fraterno”, definiu.

A visão humanista que marcou sua atuação também ficou evidente ao recordar os ensinamentos acumulados ao longo de quase quatro décadas julgando conflitos e lidando diariamente com histórias de vida: “Aprendi que o ser humano deve cuidar de si mesmo e buscar harmonia e compreensão ao semelhante.”

Ao olhar para a própria trajetória, Sari afirmou não guardar ressentimentos ou lamentações.

“Eu não tive tristeza, nem dificuldade no caminho. É preciso não ter queixa nenhuma. Só tenho um pouco de decepção porque poderia ter feito mais daquilo que fiz. Nunca parei”, revelou.

A juíza diretora do Foro da Comarca de Rondonópolis, Aline Luciane Ribeiro Viana Quinto Bissoni, destacou a relevância da trajetória de Luiz Antônio Sari para a história do Judiciário local. A juíza pontua que o magistrado construiu uma carreira marcada pela dedicação à comarca e pela decisão de permanecer em Rondonópolis, mesmo diante de oportunidades de ascensão profissional.

“O doutor Luiz Antônio Sari completa 39 anos de magistratura e chega aos 75 anos de idade com uma trajetória admirável. Ele fez a escolha de permanecer em Rondonópolis, mesmo quando a comarca ainda era menor. Sempre teve um vínculo muito forte com a cidade e com a população. Muitos colegas seguiram na carreira para outros cargos e comarcas, mas ele optou por permanecer aqui, onde constituiu sua família e construiu sua história”, afirmou.

A magistrada lembrou ainda que Sari participou ativamente do desenvolvimento da estrutura judiciária local ao longo de mais de três décadas de atuação no município.

“Ele está em Rondonópolis desde 1993 e ajudou a construir a história desta comarca. Foi o primeiro juiz da Execução Penal, atuou nas varas criminais que foram sendo criadas ao longo dos anos e, há bastante tempo, está à frente da 1ª Vara Cível. Sempre foi um magistrado discreto, simples e extremamente humano”, ressaltou.

Ao falar sobre a despedida, Aline destacou o carinho e a admiração que o juiz conquistou entre servidores, magistrados e demais profissionais do sistema de Justiça.

“Todos aqui no fórum têm grande afeição por ele. A homenagem que realizamos foi muito emocionante”.

A dedicação integral ao trabalho é uma característica reconhecida por quem conviveu diariamente com o magistrado. A assessora técnica jurídica Tammy Bellinaso, que trabalhou ao lado dele durante 19 anos na 1ª Vara Cível de Rondonópolis, destacou o compromisso permanente com a magistratura e com os jurisdicionados.

“Dr. Sari deixa um legado de dedicação, respeito e total entrega à magistratura, primando sempre pela entrega humana ao jurisdicionado e pela eficiência dos trabalhos prestados. Ele é exemplo de humanidade, integridade, devoção e amor ao que faz”, disse.

Tammy iniciou sua trajetória profissional no gabinete ainda no segundo ano da faculdade. Começou como auxiliar e, em 2010 assumiu a função de assessora técnica jurídica. Segundo ela, o magistrado viveu a profissão de maneira intensa.

“Durante 39 anos e seis meses de sua vida, o magistrado se entregou ao ofício de corpo e alma. Não houve um dia sequer em que não tenha trabalhado, fossem finais de semana ou feriados. Um verdadeiro amor à magistratura e à Justiça”, contou.

Ela afirma que os ensinamentos recebidos permanecerão como referência para toda a vida. “Ele foi e sempre será meu exemplo de dedicação, resiliência e amor em tudo o que faz. Minha gratidão é imensurável ao profissional e homem exemplar, íntegro e excepcional que ele é”.

Em seu discurso de despedida, Luiz Antônio Sari compartilhou reflexões sobre empatia, solidariedade e convivência humana, valores que considera essenciais para a construção de uma sociedade mais justa.

“Acredito que só exista a religião do amor. Amar o próximo como a si mesmo significa respeitar os sentimentos das pessoas. É um dever que temos a cumprir. Se cada um fizer a sua parte, dois terços dos problemas do mundo estarão resolvidos”, ensinou.

Para o magistrado, a vida em sociedade exige compreensão da interdependência entre as pessoas, pois “somos seres gregários, interligados e interdependentes”.

A mensagem final escolhida para marcar o encerramento de sua carreira resume a filosofia que guiou sua atuação no Judiciário e sua visão de mundo.

“Façam da vida uma lista de amor e não de terror”, ensinou.

Aposentado da magistratura, Luiz Antônio Sari garante que continuará vivendo os mesmos valores que defendeu ao longo da carreira: “Independentemente de estar na ativa, estou aqui. Vejo o sol, danço de manhã porque escolhi ser feliz. O amor é eterno.”

Despedida

A programação da solenidade contou ainda com a exibição de um vídeo institucional produzido pela Coordenadoria de Comunicação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, além de homenagens e pronunciamentos que relembraram a contribuição do magistrado para a história da comarca e do Poder Judiciário.

Ao longo da carreira, Luiz Antônio Sari participou de importantes marcos da Justiça em Rondonópolis. Entre eles, a mobilização para a elevação da comarca a Entrância Especial, a implantação da Penitenciária Major PM Eldo Sá Corrêa, conhecida como Mata Grande, o fortalecimento do Tribunal do Júri e a construção do atual Fórum Desembargador William Drosghic.

Reconhecido pelo compromisso com a cidade, o magistrado chegou a recusar, em 1994, uma promoção para Cuiabá. A decisão foi motivada pelo entendimento de que sua missão profissional estava ligada ao desenvolvimento da comarca de Rondonópolis e ao atendimento da população local.

A conquista da Entrância Especial, concretizada em 2004 com a inauguração do atual fórum, é considerada um dos momentos históricos de sua trajetória. Outro marco foi a consolidação do Tribunal do Júri da comarca, que passou a contar com espaço próprio em 2007, encerrando décadas de funcionamento em estruturas improvisadas.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: imprensa@tjmt.jus.br

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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