MATO GROSSO
Posse de novos juízes evidencia o papel das famílias na conquista da magistratura
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oestenews
Passar em um concurso da magistratura requer sacrifícios, abdicação e muitas emoções. Não somente por parte de quem encara a maratona de estudos e provas, mas também de toda sua família. A cerimônia de posse de 35 novos juízes e juízas substitutos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, realizada nesta quarta-feira (21 de janeiro), foi marcada pela presença expressiva de familiares que acompanharam, ao longo de anos, a trajetória até este tão sonhado momento.
“Sinto que venci”, define a dona de casa Francine de Cássia da Silva, de Paracatu (MG). Mãe solo, ela viu o filho, Iorran Damasceno Oliveira, transformar um sonho de infância em realidade. Foram cinco anos de estudo intenso até a aprovação, mas a rotina ia muito além dos livros. Enquanto se preparava para o concurso, Iorran também era arrimo da família e dividia o tempo entre estudos, trabalho e os cuidados intensos com a irmã Ingryd, portadora de mielomeningocele, acompanhando-a em tratamentos e garantindo todo o suporte necessário.
Para Francine, a posse simbolizou não apenas a realização de um sonho profissional, mas a confirmação de um caminho trilhado com responsabilidade e empenho, valores que, segundo ela, o filho levará para o exercício da magistratura. “Sempre fomos só nós três. Ver meu filho chegar até aqui é a certeza de que todo o esforço valeu a pena”, relatou.
Outra mulher orgulhosa era Selma Gonçalves de Almeida, mãe do magistrado Magno Batista da Silva. Ela trabalhou durante 30 anos como faxineira na Secretaria de Educação da cidade de Crisópolis, na Bahia, conciliando jornadas de trabalho com o cuidado da família. Sustentando o lar com um salário mínimo, enfrentou períodos de extrema dificuldade. “Os estudos dos meus filhos sempre foram prioridade. Poderia faltar qualquer coisa em casa, mas os livros estavam todos em dia”, conta.
A própria história de dona Selma influenciou Magno a seguir a carreira jurídica. Uma demissão em massa na Prefeitura de Crisópolis, motivada por questões políticas, deixou-a desempregada por mais de uma década. Foram anos de instabilidade, insegurança financeira e incertezas, vividos quando Magno ainda era criança.
Foi nesse contexto que se formou o primeiro contato do magistrado com a realidade da Justiça, não como conceito abstrato, mas como experiência concreta de ausência, demora e desigualdade. “Eu conheço o que é a injustiça na pele”, relata o juiz, ao lembrar do período em que a mãe ficou afastada do serviço público e a família precisou se reinventar para sobreviver. Essa vivência, segundo ele, foi determinante para a escolha da carreira jurídica e para a forma como pretende exercer a magistratura: com sensibilidade, responsabilidade social e compromisso com o justo.
Durante a preparação para os concursos, Magno chegou a morar em Salvador, enquanto Selma permanecia no interior da Bahia, enviando parte do que ganhava para auxiliar nas despesas do filho. A renda familiar era dividida com rigor, e a solidariedade entre mãe e filhos foi essencial para atravessar os anos mais difíceis. Ainda assim, Selma nunca questionou o esforço. “Se fosse para fazer tudo de novo, eu faria. Hoje estou aqui, em um Tribunal, vendo meu filho se tornar juiz depois de varrer muito chão. Sempre achei que lugares como este eu só poderia conhecer pela televisão”, emocionou-se.
Já a aposentada Susete Zahia Muro Cais Correa de Castro veio do interior de São Paulo para prestigiar a posse do filho, Thiago Rais de Castro. “Tudo o que tenho de mais precioso são meus três filhos, e dediquei minha vida a eles. Ver um deles conquistando seu sonho é a minha maior felicidade. Espero que ele exerça essa missão com muita dedicação e honra”, afirmou.
De volta a Mato Grosso
Para a professora de Direito, escritora e palestrante Divina Maria Bertalia, a posse do filho, Antônio Bertalia Neto, como magistrado em Mato Grosso representa mais do que uma realização profissional: simboliza um reencontro afetivo com um estado que faz parte de sua própria história de vida. Formada em Direito, ela iniciou sua trajetória profissional e pessoal entre Rondonópolis e Cuiabá, acompanhando de perto diferentes fases do desenvolvimento institucional do Judiciário mato-grossense. Depois de casar, seguiu para Americana (SP), onde vive até hoje
Voltar agora ao Tribunal de Justiça como mãe de um magistrado empossado, trouxe uma emoção ainda mais intensa. “É uma alegria imensa estar aqui. Vivi a história do Tribunal desde os tempos do antigo prédio, acompanhei amigos, desembargadores, toda essa construção. Ver meu filho assumir aqui é uma emoção indescritível”, afirmou.
Divina nunca rompeu seus laços com Mato Grosso. “Já avisei meu filho: qualquer cidade deste estado é um ótimo lugar”, disse, com convicção, ao comentar sobre os próximos passos da carreira. O orgulho, segundo ela, soma-se à tranquilidade de saber que o Judiciário mato-grossense valoriza o trabalho, reconhece trajetórias e promove uma justiça que vai além da letra da lei. “É a justiça do reconhecimento. Isso motiva, fortalece e inspira”, concluiu.
Parceria, compreensão e incentivo
Entre as histórias que marcaram a posse dos novos magistrados, destacam-se aquelas vividas no âmbito familiar, especialmente a partir da parceria construída entre os casais ao longo dos anos de preparação para o concurso da magistratura. A rotina de estudos intensos, as renúncias pessoais e a necessidade de manter o equilíbrio emocional tornaram o apoio das companheiras um elemento essencial para a conquista da aprovação.
Esposa do magistrado Pedro Henrique de Deus Moreira, Jaqueline Trouche, procuradora municipal em Mato Grosso do Sul, esteve ao lado do marido desde o início do sonho de ingressar na magistratura. Segundo ela, o projeto sempre esteve presente desde a época do namoro e foi assumido como um objetivo comum do casal. “Sempre estivemos focados nesse propósito, mesmo diante das dificuldades, do trabalho e dos obstáculos do caminho. O apoio foi constante, sempre seguindo em frente”, relatou.
Durante o período de preparação, o desafio se intensificou com a chegada da filha Heloísa, hoje com um ano e seis meses. Nascida prematura, a criança exigiu cuidados redobrados e trouxe novas responsabilidades à rotina familiar. Ainda assim, a paternidade não afastou o foco do objetivo, tornando-se, ao contrário, um incentivo adicional. Para Pedro Henrique, a filha representou uma motivação ainda maior para perseverar. “Foi um desafio a mais, mas também um estímulo. A vontade de vencer aumentou”, destacou. Para Jaqueline, a experiência reforçou a importância da parceria e da compreensão mútua para atravessar essa fase com equilíbrio e fé.
História semelhante foi vivida pela médica Leandra Moraes Ribeiro Alves, esposa do magistrado Danilo Marques Ribeiro Alves. O casal se conhece desde 2010 e construiu a vida a dois enquanto o projeto da magistratura era desenvolvido. “Desde que decidimos seguir esse caminho, sabíamos que seria uma jornada longa e exigente. Houve momentos de angústia, mas sempre estivemos juntos”, afirmou.
Para Leandra, apoiar o sonho do marido significou compreender as ausências, oferecer suporte emocional e manter a confiança mesmo nos períodos mais difíceis. “Eu sempre vi nele um grande potencial. Sabia que ele chegaria, mesmo sabendo o quanto o caminho era desafiador. Estar ao lado, como uma base firme, fez parte desse processo”, ressaltou.
Concurso e maternidade
A médica Solange Wendt Ferreira conta, com satisfação, a trajetória da filha Luana Wendt Ferreira Corrêa da Costa, que precisou conciliar múltiplos papéis: manteve a rotina de trabalho como assessora, dedicou-se intensamente aos estudos e, ao mesmo tempo, viveu a experiência da maternidade. “Foi um sacrifício grande, mas consciente e repleto de apoio. Ela queria, e por isso valeu a pena. A parceria do marido e da família foi fundamental para que ela pudesse seguir firme, organizando a rotina entre os estudos e os cuidados com a filha pequena”, resumiu a mãe, destacando que a conquista da magistratura é, ao mesmo tempo, individual e coletiva.
Solange relembra que, ainda antes do vestibular, Luana já demonstrava a intenção de seguir a magistratura, decisão que se consolidou com determinação ao longo dos anos. Para ela, a posse representa orgulho e a sensação de meta cumprida ao ver uma filha dedicada, estudiosa e madura assumir uma função de tamanha responsabilidade, mesmo sendo ainda jovem na carreira.
Homenagem aos ausentes
Ao ser questionada sobre os sentimentos no momento da posse como juíza substituta, Laís Baptista Trindade lembrou daqueles que não puderam estar presentes fisicamente, mas foram fundamentais em sua caminhada.
“Hoje meu pai e minha avó não estão aqui me vendo me tornar juíza, mas eles sempre tiveram certeza de que este dia chegaria e de que eu nasci para esta missão: prestar uma jurisdição excelente”, afirmou.
Cheia de orgulho e emoção, a mãe de Laís, Rose Mary Santana Baptista, relembrou que o desejo da filha de se tornar juíza surgiu ainda na infância e nunca deixou de ser cultivado. Segundo ela, a trajetória até a aprovação exigiu inúmeras renúncias por parte da família, mas a convicção de que a filha alcançaria o objetivo sempre superou as dificuldades.
“Fico muito tranquila quanto ao futuro dela, pois sempre a orientei a pautar a vida pela dignidade, pela empatia e pelo senso de justiça. São esses valores que continuarão guiando seu crescimento pessoal, emocional e profissional no exercício da magistratura”, destacou.
Sessão solene
A posse de 35 novos juízes e juízas substitutos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso fortalece a estrutura do Judiciário estadual e amplia a capacidade de atendimento à população, com mais celeridade, eficiência e proximidade do cidadão.
A sessão solene ocorreu no Plenário 1 Desembargador Wandyr Clait Duarte, sob a condução do presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, seguindo o rito oficial das cerimônias do Poder Judiciário mato-grossense.
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Fotos: Josi Dias/Lucas Figueiredo – TJMT
Autor: Ana Assumpção
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: imprensa@tjmt.jus.br
MATO GROSSO
Inteligência artificial e fake news marcam debate sobre eleições
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35 minutos atrásem
abril 22, 2026Por
oestenews
O avanço da inteligência artificial e os riscos da desinformação no contexto do ano eleitoral foram o foco da entrevista promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) na sexta-feira (17), no Espaço MP Por Elas, no Pantanal Shopping. Parte projeto Diálogos com a Sociedade, a entrevista reuniu promotores e servidores para discutir como o uso dessas tecnologias pode impactar o processo democrático e quais medidas vêm sendo adotadas para prevenir abusos e práticas ilegais durante o período eleitoral.Participaram do debate o promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano, o coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral (CAO), Mauro Poderoso de Souza, e o analista de inteligência cibernética do MPMT, Kembolle Amilkar de Oliveira.Durante a conversa, os convidados destacaram que a desinformação não se limita à mentira explícita, mas também inclui conteúdos verdadeiros divulgados fora de contexto, especialmente potencializados pelo uso indevido da inteligência artificial. “Fake news não é só a mentira descarada; é também a verdade fora de contexto. Nosso maior receio é não conseguirmos dar as respostas com a mesma velocidade que a mentira se espalha”, alertou o promotor de Justiça Mauro Poderoso.Do ponto de vista técnico, Kembolle Amilkar de Oliveira explicou como a tecnologia pode ser usada para manipular a percepção do eleitor e dificultar a identificação de conteúdos falsos. “Existe uma técnica chamada operação psicológica, que é uma manobra de persuasão em massa. Usando IA, é possível fazer manipulações em vídeos e áudios que influenciam a tomada de decisão do eleitor”, afirmou, ressaltando ainda a importância da educação digital da população para evitar a propagação de informações falsas.Ao tratar do papel institucional, o promotor de Justiça Daniel Carvalho Mariano destacou que a inteligência artificial também pode ser uma aliada da democracia, desde que utilizada de forma responsável e transparente. “A IA trouxe facilidades e pode igualar oportunidades, desde que haja a obrigatoriedade de informar que o conteúdo foi feito com IA”, pontuou. O promotor de Justiça anunciou ainda que o MPMT trabalha no lançamento de um compilado de ferramentas, acessíveis por QR Code e links encurtados, para que os cidadãos possam verificar a autenticidade de fatos, imagens e vídeos. Segundo Daniel Carvalho Mariano, internamente, a tecnologia já auxilia na extração de informações processuais e na transcrição de áudios e vídeos, permitindo mais tempo de dedicação ao atendimento à sociedade.Os entrevistados também chamaram atenção para as consequências legais da desinformação no período eleitoral. “O descumprimento das regras é crime eleitoral. A consequência é a cassação e a inelegibilidade do candidato, além de multas”, explicou Mauro Poderoso. Para Daniel Carvalho Mariano, a melhor prevenção ainda é a cautela do cidadão. “Se o conteúdo é bombástico e pede para repassar sem pensar, a orientação é parar, respirar e não compartilhar. Na imensa maioria das vezes, é mentira”, concluiu.Assista à entrevista na íntegra aqui. Diálogos com a Sociedade – A entrevista marcou o encerramento da primeira temporada de 2026 do projeto Diálogos com a Sociedade. Neste ano, o Espaço MP Por Elas integrou a programação da temporada 2026 do projeto, ampliando o diálogo do Ministério Público com a população em um ambiente acessível e de grande circulação. As entrevistas seguem disponíveis no canal do Youtube do Ministério Público do Mato Grosso (MPMT), fortalecendo o acesso à informação e reafirmando o compromisso institucional com a promoção da cidadania.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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