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Agronegócio

Cacau avança no Norte e certificação passa a definir acesso a mercados

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O setor cacaueiro brasileiro volta a ganhar organização institucional. Produtores, técnicos e entidades da cadeia se reúnem no dia 19, em Porto Velho (RO), para discutir planejamento produtivo e certificação, tema que passou a influenciar diretamente preço, comercialização e financiamento da cultura.

O movimento ocorre em um momento de crescimento da produção nacional. O Brasil colhe atualmente perto de 300 mil toneladas de amêndoas de cacau por ano, volume que mantém o país entre os maiores produtores mundiais, atrás principalmente de Costa do Marfim, Gana e Indonésia. O valor bruto da produção supera R$ 3 bilhões anuais, segundo levantamentos agrícolas recentes baseados em dados oficiais do IBGE.

A geografia da cultura mudou. Historicamente concentrada no sul da Bahia, a expansão recente ocorre na região amazônica. Rondônia tornou-se um dos principais polos nacionais e já disputa a liderança da produção brasileira. O avanço se deu sobretudo em áreas antes ocupadas por pastagens, com implantação de sistemas agroflorestais — modelo que combina cacaueiro com árvores nativas e reduz risco climático.

O crescimento também acompanha um ciclo internacional de preços elevados. Problemas climáticos e sanitários em países africanos reduziram a oferta global e elevaram as cotações da amêndoa, aumentando a atratividade econômica do plantio no Brasil. Na prática, a cultura voltou a competir em rentabilidade com atividades tradicionais em pequenas e médias propriedades.

Nesse contexto, a certificação deixou de ser apenas exigência ambiental e passou a condição comercial. Importadores, principalmente europeus, passaram a exigir comprovação de origem, rastreabilidade e ausência de desmatamento associado à produção. Sem esses registros, o produto perde acesso a compradores e financiamento privado.

A adequação atende também às novas regras internacionais de comércio. A legislação ambiental europeia que restringe produtos associados ao desmatamento pressiona cadeias agrícolas tropicais. Para o cacau brasileiro, o impacto é direto: a rastreabilidade pode definir se a produção será vendida como commodity ou como produto de maior valor agregado.

O efeito econômico aparece no preço. Lotes certificados conseguem remuneração superior e acesso a contratos diretos com indústrias de chocolate e compradores especializados, reduzindo intermediação e volatilidade.

Além da exportação de amêndoas, cresce o processamento interno. Pequenas indústrias e chocolaterias artesanais ampliam a produção nacional de chocolate de origem, agregando valor e criando mercado regional, especialmente na própria Amazônia.

A reunião em Rondônia ocorre, portanto, em meio a uma reorganização da cadeia. O foco deixou de ser apenas expansão de área e passou a incluir padronização, rastreabilidade e qualidade — fatores que passaram a determinar competitividade econômica do cacau brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

China confirma foco de aftosa e abates na Rússia elevam alerta no mercado

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A confirmação de um foco de febre aftosa na China, somada ao abate de dezenas de milhares de bovinos na Rússia, colocou o mercado global de carne em estado de atenção. O cenário mistura fato sanitário confirmado com dúvidas sobre a real dimensão de problemas no rebanho russo, combinação que já começa a repercutir no comércio internacional.

O governo chinês confirmou casos da doença na região noroeste do país, próxima à fronteira russa, e classificou a cepa como altamente contagiosa. A resposta seguiu o protocolo sanitário: abate dos animais infectados, desinfecção das áreas e reforço no controle de fronteiras, incluindo restrições ao trânsito de gado.

Do lado russo, não há confirmação oficial de febre aftosa. As autoridades atribuem os casos a doenças como pasteurelose, mas o volume de medidas adotadas chama a atenção. Desde fevereiro, mais de 90 mil bovinos foram abatidos em diferentes regiões, com concentração na Sibéria. O número elevado e as restrições impostas em áreas rurais ampliam a desconfiança do mercado sobre a real natureza do problema.

A reação já começa a aparecer no comércio. Países da região adotaram restrições à carne russa, movimento típico em situações de risco sanitário. O episódio ganha peso adicional porque a Rússia foi reconhecida recentemente pela Organização Mundial de Saúde Animal como área livre de febre aftosa — condição essencial para manter exportações.

Para o mercado global, a combinação de foco confirmado na China e incerteza na Rússia eleva o risco de volatilidade nos preços e de redirecionamento de fluxos comerciais. Em situações desse tipo, importadores tendem a buscar fornecedores com maior previsibilidade sanitária.

É nesse ponto que o Brasil entra no radar. O país produz cerca de 10 milhões de toneladas de carne bovina por ano, é o 2º maior produtor mundial — atrás apenas dos Estados Unidos — e o maior exportador global, com embarques superiores a 3 milhões de toneladas anuais, principalmente para China, Estados Unidos e países do Oriente Médio. Sem registro de febre aftosa desde 2006, o país sustenta o acesso aos mercados com base em vigilância sanitária, rastreabilidade e controle de fronteiras

No campo sanitário, mantém um histórico favorável: O último foco de febre aftosa no Brasil foi registrado em 2006, no Mato Grosso do Sul, e desde então o país avançou no controle da doença, com reconhecimento internacional de áreas livres e, mais recentemente, a retirada gradual da vacinação em alguns estados. Nesse contexto, episódios sanitários em concorrentes tendem a abrir espaço comercial, mas também aumentam a responsabilidade sobre vigilância, rastreabilidade e controle de fronteiras para preservar o acesso aos mercados.

Para o produtor brasileiro o impacto é direto. Qualquer instabilidade sanitária global influencia preço, demanda e fluxo de exportação. Para o produtor brasileiro, o momento exige atenção ao mercado internacional e reforça um ponto conhecido: sanidade animal continua sendo um dos principais ativos de competitividade do país.

Fonte: Pensar Agro

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queiroz

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