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Agronegócio

Agro cobra proteção a setores sensíveis diante da abertura comercial

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A tramitação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia no Congresso brasileiro reabriu uma divisão antiga dentro do próprio agronegócio. Enquanto cadeias exportadoras veem oportunidade de expansão de mercado, segmentos voltados ao abastecimento interno temem concorrência direta com produtos europeus. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, passou a atuar como uma das principais vozes na tentativa de equilibrar essas duas pressões.

Assinado recentemente após mais de duas décadas de negociações, o entendimento ainda depende da aprovação parlamentar. A análise ganhou novo prazo depois que a votação na Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul foi adiada por pedido de vista. A expectativa é que o tema retorne à pauta após o Carnaval, com votação prevista para o fim de fevereiro. Pelo formato do acordo, o Congresso brasileiro poderá apenas ratificar ou rejeitar o texto.

Tereza Cristina tem defendido publicamente a aprovação, mas com atenção às consequências internas. Segundo ela, parte do setor produtivo teme impactos diretos, sobretudo em cadeias mais sensíveis à concorrência externa.

“O Brasil precisa olhar com cuidado para alguns segmentos que podem ser fortemente atingidos, especialmente o leite. O setor lácteo já enfrenta uma crise interna e existe preocupação com a entrada de produtos europeus”, afirmou.

A preocupação reflete diferenças estruturais entre os sistemas produtivos. A pecuária leiteira brasileira é formada majoritariamente por pequenos e médios produtores, com custos mais elevados de logística e crédito, enquanto a União Europeia opera com forte política de subsídios agrícolas. O receio é de aumento das importações em momentos de queda de preços internacionais.

A senadora também citou outros acordos recentes do bloco — como Mercosul-Singapura e Mercosul-EFTA — para defender que o País se prepare internamente para a abertura comercial.

“O acordo é positivo, mas nós vamos precisar de políticas internas para que determinados setores consigam se adaptar. Não basta apenas abrir mercado; é preciso criar condições de competitividade”, disse.

Apesar das ressalvas, a avaliação dela é que o agronegócio exportador tende a ser beneficiado. Cadeias como soja, carnes e açúcar já possuem forte presença internacional e podem ampliar acesso ao mercado europeu, ainda que dentro de cotas.

“No agro, as salvaguardas acabaram tirando um pouco do brilho imediato do acordo. Mesmo assim, ele abre uma via de mão dupla. O Brasil já exporta soja, carne e proteínas; agora precisamos construir esse fluxo de forma equilibrada”, afirmou.

O debate ocorre num momento em que o comércio exterior agrícola se tornou peça central da economia brasileira. O setor responde por cerca de metade das exportações do País e é responsável por boa parte do superávit da balança comercial. Por isso, a discussão deixou de ser apenas diplomática e passou a envolver política econômica doméstica.

Nos bastidores do Congresso, a tendência é de aprovação, mas acompanhada da cobrança por medidas compensatórias. Entre as propostas em discussão estão crédito específico para cadeias sensíveis, políticas de defesa comercial e regras sanitárias mais rigorosas para importações.

Para Tereza Cristina, a abertura comercial é inevitável, mas o resultado dependerá da estratégia interna. “O acordo é importante para o Brasil, mas precisamos garantir que ele não gere desequilíbrios dentro do próprio campo. A abertura precisa vir acompanhada de proteção inteligente e competitividade”, concluiu.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Atenção para a declaração de rebanho obrigatória

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A atualização cadastral dos rebanhos, obrigatória para produtores rurais em todo o país, ganha força neste ano com a abertura das primeiras janelas de declaração em diferentes estados. Embora o calendário varie conforme a unidade da Federação, a exigência já se consolidou como um dos principais instrumentos de controle sanitário da pecuária brasileira.

Em Goiás, a primeira etapa de 2026 ocorre entre 1º e 31 de maio, conforme cronograma da Agência Goiana de Defesa Agropecuária. O procedimento é obrigatório e exige que o produtor informe a situação atualizada dos animais na propriedade, incluindo nascimentos, mortes e movimentações.

A exigência, no entanto, não é isolada. Estados como Rio Grande do Sul já realizam a declaração entre abril e junho, enquanto Paraná segue calendário semelhante. No Centro-Oeste, modelos semestrais também são adotados, com etapas distribuídas ao longo do ano, como ocorre em Mato Grosso do Sul. Já em Mato Grosso e Rondônia, a atualização costuma ocorrer no fim do ano, concentrada entre novembro e dezembro.

Apesar das diferenças de prazo, a lógica é a mesma em todo o país: manter um banco de dados atualizado sobre o rebanho nacional, permitindo resposta rápida a eventuais surtos sanitários e maior controle da movimentação animal.

Na prática, o produtor deve declarar todas as espécies existentes na propriedade — de bovinos e suínos a aves, equinos, ovinos, caprinos, abelhas e animais aquáticos — garantindo que o cadastro reflita a realidade atual da produção.

A medida ganhou ainda mais importância com o avanço do Brasil no status sanitário internacional, especialmente após a retirada gradual da vacinação contra febre aftosa em diversas regiões. Com menor margem para erro, a rastreabilidade e o controle do rebanho passaram a ser considerados essenciais para a manutenção de mercados e abertura de novos destinos para a carne brasileira.

Além da sanidade, os dados também são utilizados para orientar políticas públicas e planejamento do setor. Informações atualizadas permitem dimensionar com precisão o tamanho do rebanho, direcionar campanhas de controle de doenças e apoiar decisões comerciais.

O descumprimento da obrigação pode gerar penalidades, incluindo multas e restrições operacionais. Na prática, o produtor fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento indispensável para transporte e comercialização, o que pode travar a atividade dentro da porteira.

Com a digitalização dos sistemas, o processo tem migrado para plataformas online, o que amplia o acesso, mas também exige atenção redobrada do produtor quanto a prazos e regularidade cadastral.

Em um cenário de maior exigência sanitária e competitividade internacional, a declaração de rebanho deixou de ser apenas uma obrigação burocrática e passou a integrar a estratégia produtiva da pecuária brasileira — com impacto direto sobre a segurança do sistema e a capacidade de acesso a mercados.

Fonte: Pensar Agro

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