A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) apoia a realização do projeto “Roda-Hans: Carreta da Saúde – Hanseníase” em Mato Grosso, realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com a Novartis Biociências S.A. e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, para capacitar as equipes da Atenção Primária à Saúde (APS) no manejo da doença e no diagnóstico oportuno.
A unidade móvel está em Pontes e Lacerda até sexta-feira (8.5), instalada ao lado da Unidade de Saúde da Família (USF) São Cristóvão, e atende pacientes dos municípios da região. Na próxima semana (11 a 15 de maio), a carreta estará em Conquista d’Oeste.
“A Secretaria investe em diferentes estratégias para fortalecer o enfrentamento da hanseníase. Trata-se de um problema de saúde pública que exige busca ativa de casos, diagnóstico precoce, avaliação de contatos e adesão ao tratamento gratuito pelo SUS [Sistema Único de Saúde] para alcançar a cura”, destacou a secretária adjunta de Atenção e Vigilância à Saúde da SES, Alessandra Moraes.
Com apoio dos Escritórios Regionais de Saúde de Cáceres e Pontes e Lacerda, a ação já percorreu municípios estratégicos, como Cáceres (22 a 24 de abril) e Porto Esperidião (27 a 30 de abril), mobilizando profissionais e serviços de saúde da região.
Em Cáceres, foram capacitados 103 profissionais, entre médicos, enfermeiros, dentistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e bioquímicos, evidenciando o alcance regional e o potencial da estratégia para fortalecer a rede de atenção.
Para a servidora da SES, Ingridh Farina, que atua na área técnica do Programa Estadual de Hanseníase, a iniciativa também se destaca pelo impacto na qualificação das equipes locais, ampliando a percepção diagnóstica e contribuindo diretamente para a interrupção da cadeia de transmissão da doença.
“As equipes recebem capacitação teórica e prática, o que fortalece a atuação no território e a continuidade do cuidado. Após o treinamento, os profissionais seguem mais preparados para identificar precocemente os casos, acompanhar os pacientes e atuar na vigilância da doença”, explicou.
O projeto ainda busca sensibilizar os gestores e a população sobre os sinais e sintomas da hanseníase, incentivando a participação nas ações de promoção à saúde e reforçando a importância do diagnóstico precoce. Também estão sendo realizados testes rápidos para a avaliação de contatos e dispensação de medicamentos.
SES capacita agentes comunitários de Várzea Grande
Em abril, a SES-MT realizou a 1ª Capacitação em Hanseníase para Agentes Comunitários de Saúde, em parceria com a Frente Parlamentar de Enfrentamento à Hanseníase da Assembleia Legislativa (ALMT).
O treinamento reuniu 80 profissionais de Várzea Grande, com foco no fortalecimento da atenção primária, foram tratados temas voltados a identificação precoce de sinais e sintomas na comunidade e estratégias para busca ativa de casos e acompanhamento dos casos.
Saiba mais sobre a hanseníase
A hanseníase é uma doença crônica e transmissível, causada por bactéria que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, a mucosa das vias respiratórias superiores e os olhos. Tem cura e tratamento gratuito pelo SUS. A detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar incapacidades e interromper a transmissão.
O atendimento pode ser iniciado nas unidades básicas de saúde e, nos casos mais complexos, os pacientes são encaminhados para serviços especializados.
“O combate à invisibilidade passa por reconhecer essas pessoas vulneráveis como sujeitos de direitos, não apenas como casos sociais”. A fala é do juiz Wanderlei José dos Reis, coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Rondonópolis, e retrata uma realidade enfrentada pela população em situação de rua em todo o país.
Em meio à correria das cidades, essas pessoas acabam passando despercebidas pela sociedade, mesmo que estejam em busca de dignidade. Em Mato Grosso, no entanto, esse cenário tem sido enfrentado com atuação ativa do Poder Judiciário.
Continuamente, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) desenvolve ações para garantir que essas pessoas sejam vistas não apenas pelas vulnerabilidades, mas como cidadãos com direitos assegurados pela Constituição Federal.
A proposta do TJMT vai além do atendimento jurídico tradicional, construindo possibilidades de recomeço a partir da recuperação de documentos, acesso a serviços públicos e benefícios sociais, emprego e outras iniciativas de acolhimento. Para o juiz Wanderlei José dos Reis, levar o aparato da Justiça até essa população é fundamental para o enfrentamento dessas barreiras.
“O modelo tradicional de Justiça não alcança essas pessoas, por isso temos a Resolução CNJ n.º 425/2021, que estabeleceu mais uma política pública judiciária, instituindo que o Judiciário deve ser proativo. Ao caminharmos ao encontro delas, concretizamos o princípio do acesso universal à Justiça e densificamos o princípio da dignidade humana, ambos previstos na Constituição”, avalia o magistrado.
Wanderlei Reis, que é titular da 2ª Vara de Família e Sucessões de Rondonópolis e coordenador do PopRuaJud, explica ainda que, por meio de mutirões de cidadania e projetos itinerantes, o Judiciário leva atendimento até os locais onde essas pessoas estão. O objetivo é oferecer orientação, acolhimento e assegurar direitos básicos.
O magistrado relata que as demandas apresentadas são diversas. Há busca por documentos civis, atendimento de saúde, benefícios assistenciais, trabalhistas e até auxílio em questões familiares. Existem ainda casos envolvendo violência, discriminação e violação de direitos. Segundo Wanderlei Reis, o trabalho engajado do TJMT também cria uma relação de confiança entre a instituição e essa população.
“Nossas ações envolvem parcerias com órgãos de assistência social, Defensoria Pública e outras entidades que nos ajudam a proporcionar um atendimento diversificado, humanizado e simplificado. Dessa forma, conseguimos oferecer suporte completo, permitindo que essas pessoas encontrem caminhos para retomar a própria autonomia”, pontua o juiz coordenador.
*A expressão “casos sociais” costuma ser usada para tratar pessoas vulneráveis apenas como um problema assistencial, alguém que depende de ajuda ou caridade, sem enxergar sua individualidade, cidadania e direitos garantidos por lei.
Autor: Bruno Vicente
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT