São 20 anos de luta para celebrar o orgulho, reafirmar a existência e semear a resistência. Para comemorar esta data, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou uma sessão especial em homenagem ao 20º ano da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso, na noite de sexta-feira (01). A sessão reuniu os principais representantes do movimento LGBTQIA+ e pessoas que apoiam a luta pelos direitos desta população.
Requerida pelo deputado Lúdio Cabral (PT), a sessão também prestou homenagens a personalidades e organizações que desenvolvem ações e políticas em prol das pessoas LGBTQIA+, seja no segmento econômico, social, da saúde ou da segurança pública.
O presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+, Clóvis Arantes, destacou uma palavra para resumir a luta de todos, todas e todes em busca de sua existência, o orgulho. Orgulho, inclusive, que é o tema da Parada 2023, realizada no sábado (02).
“Nós conseguimos fazer com que o estado de Mato Grosso reconhecesse a população LGBTQIA+. Temos que avançar mais, mas precisamos celebrar os 20 anos dessa instituição que fez e mostrou para a sociedade mato-grossense essa população. A Parada é uma entidade instituída para lutar pelos nossos direitos e para mostrar que temos orgulho da nossa existência. Saímos dos guetos para ocupar os espaços e ganhar visibilidade”, destacou Clóves Arantes.
Ocupar, aliás, foi a palavra exaltada pelo representante do Conselho Municipal de Atenção à Diversidade, Daniel Victor Pereira. “Precisamos ocupar os espaços de poder, saudar esses espaços. Infelizmente nem todos têm acesso a Assembleia Legislativa, mas precisamos estar aqui para lutar pelo nosso direito à saúde, à educação, ao mercado de trabalho, à renda mínima”.
Foto: Ronaldo Mazza
A sessão solene também homenageou, com moção de aplausos, pessoas que dedicaram tempo e trabalho em apoio à conquista de direitos. Como é o caso da servidora Vandely Muniz, de Cáceres. Ela é coordenadora do primeiro ambulatório de acolhimento à pessoa LGBTQIA+ do estado, que iniciou as atividades este ano por meio do Serviço de Assistência Especializada em HIV/AIDS e Centro de Testagem e Aconselhamento em ISTs (CTA/SAE).
“Há dez anos trabalhamos no SAE no atendimento às pessoas LGBTQIA+ e vimos a necessidade de ter um ambulatório especializado para atender essa população. Então este ano conseguimos implantar e somos referência no atendimento a 22 municípios da região”. Ainda de acordo com Vandely, os profissionais passaram por treinamentos e capacitação para que pudessem acolher essa população da melhor maneira possível.
Clóvis Arantes destacou que, apesar dos avanços, como a implantação deste primeiro laboratório, não existem leis específicas e políticas públicas voltadas para as pessoas LGBTQIA+. “Todas as nossas conquistas se dão por meio da judicialização. O STF (Supremo Tribunal Federal) nos deu direito à doar sangue, o STF regulamentou a união estável, o STF garantiu o direito ao nome social. Até hoje não existem leis que nos ampare”.
O deputado Lúdio Cabral, requerente da sessão especial, destacou a luta nestes 20 anos. “É uma luta em todas as áreas de atuação, na saúde, na educação, na cultura, na assistência social. E a Assembleia tem uma dívida histórica com essas pessoas, há muitas políticas públicas que já poderiam ser colocadas em práticas, que dependem da aprovação dessa Casa e que hoje não foram aprovadas. Por exemplo, o Conselho de Direito das Pessoas LGBTQIA+, que poderia pensar e desenvolver ações concretas para assegurar direitos dessa população”.
Homenagens – Ao final da sessão especial, o deputado Lúdio Cabral fez uma homenagem à servidora Hend Santana, que morreu em maio de 2022, vítima de uma parada cardíaca. Profissional de carreira, Hend trabalhou como produtora e apresentadora do Programa Lugar de Mulher, da Rádio Assembleia (89,5 FM), era artista e ativista da luta LGBTQIA+.
“Aqui no parlamento estadual nós convivemos e aprendemos muito com a Hend Santana, que está lá no céu, cantando lindamente como sempre cantou. Hend Santana”. Os participantes responderam: presente.
Clóvis Arantes, que encerrou a sessão especial, agradeceu à Rádio Assembleia e à TV Assembleia pelo espaço dado às pessoas LGBTQIA+.
Em resposta ao pedido encaminhado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta sexta-feira (17), a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu suspender a medida de desocupação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso envolvendo famílias que residem nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, em Cuiabá. A decisão do Judiciário ocorreu após solicitação formal da Assembleia, diante da preocupação com os impactos sociais da medida.
A decisão considera que o caso apresenta potencial impacto social relevante, especialmente diante da possibilidade de cumprimento de medida de imissão na posse envolvendo famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de adoção de etapas preparatórias antes de qualquer decisão de desocupação coletiva.
“Recebemos uma decisão muito importante da Corregedoria do Tribunal de Justiça, que representa uma vitória significativa para as famílias dos condomínios Minas e Lavras do Sutil. Ainda não vencemos a guerra, mas conquistamos uma batalha importante, que traz tranquilidade aos moradores que estavam vivendo momentos de angústia. Quero agradecer à Procuradoria da Assembleia e ao Poder Judiciário pela sensibilidade em olhar para essa situação. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto. Agora, vamos continuar dialogando e trabalhando para construir uma solução justa e definitiva para essas famílias. Contem com a Assembleia Legislativa, porque estaremos ao lado de vocês”, comemorou o deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa.
O procurador da Assembleia Legislativa, Ricardo Riva, explicou que a decisão da Corregedoria do Tribunal de Justiça foi resultado direto do pedido formal apresentado pela Casa, que apontou a necessidade de cumprimento de etapas legais e sociais antes da execução da medida de desocupação.
Segundo ele, a Assembleia solicitou a suspensão da imissão na posse justamente para garantir que o processo observe as exigências previstas na legislação e nas normas que tratam de conflitos fundiários coletivos.
“A Assembleia oficiou a Corregedoria do Tribunal pedindo a suspensão do cumprimento da imissão na posse, ou seja, da retirada das famílias dos apartamentos, porque existem etapas legais e sociais que precisam ser cumpridas antes de qualquer desocupação coletiva. A decisão da Corregedoria foi tomada a partir dessa solicitação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso”, explicou o procurador.
Ricardo Riva destacou ainda que a medida busca assegurar que qualquer decisão judicial seja precedida de avaliação técnica e de diálogo institucional, garantindo segurança jurídica e proteção às famílias envolvidas.
O pedido da ALMT – No documento encaminhado ao Judiciário, o presidente Max Russi alerta que o cumprimento da ordem de imissão na posse, decorrente de um processo de falência iniciado em 2003, pode resultar na retirada imediata de moradores de suas residências sem que haja medidas adequadas de acolhimento social às famílias afetadas. O ofício destaca que a execução da decisão, da forma como está prevista, pode gerar consequências sociais graves, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A Assembleia também argumenta que a condução do processo deve observar normas e diretrizes que tratam da proteção de direitos humanos e da mediação de conflitos. Entre os dispositivos citados estão o Provimento nº 23/2023 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecem que desocupações coletivas precisam ser precedidas de diálogo entre as partes e da definição de estratégias de atendimento às famílias atingidas.
De acordo com o documento, essas normas determinam que, antes da execução de despejos coletivos, sejam realizadas reuniões preparatórias e elaborados planos de ação que considerem a situação social dos moradores, garantindo alternativas de acolhimento e encaminhamento a programas habitacionais ou de assistência social, sempre que necessário.
Visita aos condomínios – Na noite de quinta-feira (16), Russi esteve pessoalmente nos residenciais para ouvir os moradores e acompanhar de perto a situação. Durante a visita, o parlamentar conversou com os condôminos e manifestou preocupação com a possibilidade de retirada imediata das pessoas de suas casas, destacando o clima de insegurança e aflição vivido pelos moradores. A presença do deputado no local ocorreu após relatos de que centenas de famílias temem perder suas moradias em razão de decisão judicial.