O presidente da Unale (União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais), Diogo Moraes (PSB/PE), acompanhado da deputada Ivana Bastos (PSD/BA), foi recebido pelo presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado Eduardo Botelho (União Brasil), na manhã desta quarta-feira (27), na sala da presidência do Parlamento estadual.
Diogo Moraes veio a Mato Grosso discutir a unificação dos parlamentos estaduais brasileiros e convidar os deputados estaduais para participarem da 26ª Conferência Nacional da Unale que acontece nos dias 8, 9 e 10 de novembro, em Fortaleza/CE. Segundo ele, é preciso fortalecer os laços legislativos entre as 26 Assembleias Legislativa e a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Para Moraes, é preciso um Parlamento mais forte e ativo, voltado aos anseios da população brasileira.
De acordo com Botelho, durante o encontro, foi definido que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso vai apresentar a proposta de aproximar de todas as assembleias lutarem por mais atribuições dos parlamentos estaduais.
“Defendo a questão do meio ambiente. Somos uma país continental, com diversidades de regiões. O que temos aqui, não tem nada a ver com o Rio Grande do Sul. Aqui, temos o Pantanal, o Cerrado, a região do Araguaia e a Floresta Amazônica. Por isso, não pode o Congresso Nacional legislar sozinho. Os estados precisam ter sua autonomia”, destacou Botelho.
Botelho defendeu ainda uma legislação de trânsito de veículos mais específica para cada estado brasileiro. “A legislação tem que ser descentralizada. Ela não pode estar unicamente nas mãos do Congresso Nacional. Mas para isso é preciso o fortalecimento da Unale”, disse Botelho.
Aumento de parlamentares
Questionado sobre a decisão de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter fixado o prazo de até 30 de junho de 2025, para a redistribuição de cadeiras de parlamentares no Congresso Nacional, visando as eleições de 2026, Diogo Moraes afirmou que essa discussão vem desde 2014, quando o estado do Pará solicitou a recontagem do número de deputados na esfera federal.
“No caso de Mato Grosso, o aumento é de mais três cadeiras, passando de 24 para 27 parlamentares estaduais, mas há estados que perdem e outros ganham. Em Pernambuco, por exemplo, haverá a perda de um deputado federal e dois estaduais. Isso faz parte do novo censo realizado pelo IBGE. Vejo isso com naturalidade porque esse debate vem se arrastando por mais de dez anos”, disse Diogo Moraes.
Nesse contexto, o presidente da Unale descartou a possibilidade de haver aumento de gastos financeiros com a decisão do STF. “O número de legisladores, somadas as 26 assembleias e a Câmara Federal do Distrito Federal, continua o de 1.059 cadeiras de deputados estaduais e 523 deputados federais. Isso não vai onerar o conjunto da despesa legislativa na esfera nacional. É apenas uma redistribuição dessas cadeiras legislativas”, disse Diogo Moraes.
Para este ano, de acordo com a vice-presidente da Unale, Ivana Bastos, a pauta da 26ª Conferência Nacional é a educação. “O trabalho vem sendo executado com as associações e as comunidades, trazendo o povo para perto do Parlamento. Tenho a certeza que vamos ter muitas sugestões positivas para transformá-las em legislações que beneficiam a população”, disse Bastos.
Bastos lembrou que a conferência não é especifica aos parlamentares, mas também aos servidores públicos que terão eventos simultâneos aos dos deputados. “Haverá trocas de experiências com servidores taquigráficos, das TVs Assembleias, dos procuradores legislativos. A Assembleia Legislativa não se resume aos deputados; é o conjunto que faz a Assembleia Legislativa. Nesse evento a gente discute o Parlamento”, explicou Ivana Bastos.
Com dispensa de pauta, os deputados aprovaram, durante a sessão desta quarta-feira (22), a Mensagem 73/2026, referente ao Projeto de Lei 481/2026, de autoria do Poder Executivo, que autoriza o financiamento de até R$ 15 milhões para a Associação dos Camelôs do Shopping Popular (ACSP), de Cuiabá. A proposta segue agora para sanção do governo do estado.
Os recursos serão viabilizados por meio da Desenvolve MT, com verbas do Fundo de Desenvolvimento Econômico (FUNDES), e destinados à melhoria da infraestrutura, aquisição de equipamentos e modernização do espaço comercial, destruído por um incêndio em julho de 2024.
O projeto prevê condições facilitadas de pagamento, com juros baseados no IPCA mais 2% ao ano, prazo de até dois anos de carência e até cinco anos para quitação. A garantia será feita por meio da cessão de receitas da própria associação, como taxas condominiais.
Foto: ANGELO VARELA / ALMT
Inúmeros comerciantes do Shopping Popular acompanharam a votação da galeria do Plenário, momento em que presidente da ACSP, Misael Galvão foi convidado para usar a tribuna e destacar a luta pela reconstrução e o impacto social.
“Vivemos uma tragédia que atingiu centenas de famílias, mas nunca desistimos. Com união, apoio dos deputados e sensibilidade do governo, estamos reconstruindo o Shopping Popular, que não pertence a uma pessoa, mas é um patrimônio de Cuiabá e de Mato Grosso”, afirmou Galvão.
Na justificativa da Mensagem encaminhada à Assembleia Legislativa, o governador Otaviano Pivetta ressaltou o alcance social da medida.
“Este financiamento representa o compromisso com a reconstrução do Shopping Popular e com centenas de famílias que dependem dessa atividade, fortalecendo a economia local e promovendo inclusão social”, diz trecho do documento.
Com a realização de três sessões para a limpeza da pauta, o presidente da ALMT, Max Russi (Podemos), enfatizou a importância da força-tarefa à aprovação da proposta.
“É uma medida importante para garantir a retomada das atividades do Shopping Popular e dar condições para que os trabalhadores reconstruam seus negócios com dignidade”, afirmou.
O deputado Eduardo Botelho (MDB) destacou o esforço coletivo para viabilizar o projeto.
“Foi um trabalho conjunto desta Casa, com vários parlamentares envolvidos. Agora, com a aprovação, o Shopping Popular será reconstruído e voltará ainda melhor para todos os cuiabanos”, disse.
Da mesma forma, o deputado Alex Sandro (Republicanos) reforçou a união dos parlamentares em torno da proposta.
“Quando a população ganha, não é um ou dois deputados, é toda a Assembleia. O esforço é coletivo para garantir que esse recurso chegue e beneficie quem mais precisa”, pontuou.
O deputado Sebastião Rezende destacou a perseverança dos trabalhadores do local. “Esse é um exemplo de resiliência e determinação. Vocês não desistiram e agora terão condições de reconstruir com mais dignidade, ampliando a geração de emprego e renda”, afirmou.
Presidindo a sessão, o deputado Wilson Santos (PSD) relembrou o processo histórico de organização do comércio ambulante em Cuiabá e a origem do Shopping Popular.
“Esse espaço é fruto de um trabalho construído ao longo de décadas para organizar o comércio informal e garantir dignidade aos trabalhadores. Hoje, estamos dando mais um passo importante nessa trajetória”, destacou.
A proposta também permite o acréscimo de recursos por meio de emendas parlamentares e estabelece que a liberação do financiamento será feita conforme o avanço das obras, com pagamento direto aos fornecedores, garantindo maior controle e transparência na aplicação dos recursos.
Ordem do Dia – Com 45 propostas em pauta, 26 propostas foram aprovadas, sete com parecer contrários foram arquivadas e quatro tiveram pedido de vista.
Além do empréstimo para o Shopping popular, os deputados aprovaram, em redação final, o Projeto de Lei 723/2025, que altera a legislação sobre criação e transporte de abelhas-sem-ferrão no estado, de autoria do deputado Gilberto Cattani (PL) e o Projeto de Lei 12/2024, que institui o programa “Meu Primeiro Emprego”, de autoria do deputado Thiago Silva (MDB).
Também aprovaram o Projeto de Lei Complementar 23/2026, sobre fiscalização de produtos de origem florestal e o Projeto 1983/2024, de autoria do deputado Elizeu Nascimento (Novo), com coautoria dos parlamentares Dilmar Dal Bosco (União) e Gilberto Cattani (PL), que trata da ocupação do solo no entorno do reservatório do APM Manso.