Durante a solenidade de posse de 35 juízes e juízas substitutos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), realizada nesta quarta-feira (21), a desembargadora Maria Erotides prestou um depoimento marcado pela experiência de quem dedica mais de quatro décadas à magistratura e pela defesa do papel do Judiciário como agente de pacificação social. A solenidade foi realizada no Plenário I – Desembargador Wandyr Clait Duarte.
Ao se dirigir aos novos magistrados, ela ressaltou que o momento ultrapassa a dimensão individual e se inscreve na história institucional do Judiciário. “A posse de novos magistrados representa sempre um pacto renovado entre o Poder Judiciário e a sociedade”, afirmou.
Justiça como presença e compromisso
Em um discurso permeado por memória institucional e reflexão humanista, a desembargadora destacou que julgar é mais do que aplicar normas. “O juiz não é um aplicador automático da lei. Ele é, antes de tudo, um pacificador social”, disse, ao lembrar que os processos judiciais nascem de conflitos humanos reais e exigem responsabilidade social.
Segundo ela, decisões tecnicamente corretas não bastam se não estiverem conectadas à realidade. “A sentença, portanto, não pode ser apenas tecnicamente correta. Ela precisa ser socialmente responsável.” Para Maria Erotides, o magistrado que se distancia do contexto social corre o risco de produzir injustiças materiais. “O juiz que desconhece a realidade ao seu redor corre o risco de produzir decisões formalmente perfeitas, mas materialmente injustas”.
Humanização, escuta e coragem
Ao compartilhar sua trajetória iniciada em 1985, com passagens por comarcas do interior e longa atuação em Várzea Grande, a desembargadora enfatizou o valor da escuta e da sensibilidade.
“O juiz não julga abstrações, mas pessoas. Não decide sobre papéis, mas sobre vidas”, afirmou, destacando que ouvir é uma das virtudes mais raras e necessárias à magistratura.
Ela também reforçou que a independência judicial é condição essencial para a confiança da sociedade. “Sem ela não há juiz, há apenas executor de vontades alheias”, declarou, ao lembrar que coragem não vem da toga, mas da consciência.
Ao encerrar, Maria Erotides deixou uma mensagem de compromisso ético e humano aos empossados. “A toga é acima de tudo o escudo para os vulneráveis”, afirmou, antes de aconselhar: “Sejam humildes. Sejam independentes. Sejam estudiosos. Sejam humanos e tenham fé”.
Foram empossados na manhã desta quarta-feira (21):
Marco Antonio Luz de Amorim
Bruno Guerra Sant’Anna Deliberato
Ana Emília Moreira de Oliveira Gadelha
Leandro Bozzola Guitarrara
Laís Baptista Trindade
Isabela Ramos Frutuoso Delmondes
Antonio Dias de Souza Neto
Tiago Gonçalves dos Santos
Francisco Barbosa Júnior
Izabele Balbinotti
Nathália de Assis Camargo Franco
Thiago Rais de Castro
José dos Santos Ramalho Júnior
Iôrran Damasceno Oliveira
Iron Silva Muniz
Ana Flávia Martins François
Lais Paranhos Pitas
Hugo Fernando Men Lopes
Israel Tibes Wense de Almeida Gomes
Pedro Henrique de Deus Moreira
Felipe Barthón Lopez
Taynã Cristine Silva Araujo
Victor Valarini
Magno Batista da Silva
Danilo Marques Ribeiro Alves
Victor Hugo Sousa Santos
Raphael Alves Oldemburg
Lessandro Réus Barbosa
Ana Carolina Pelicioni da Silva Volkers
Nelson Luiz Pereira Júnior
Thaís d’Eça Morais
Antonio Bertalia Neto
Luana Wendt Ferreira Corrêa da Costa
Yago da Silva Sebastião
Gabriella Andressa Moreira Dias de Oliveira.
Autor: Patrícia Neves
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT