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POLÍTICA

Audiência discute desdobramentos de expedição fluvial

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Durante a audiência, palestras e falas abordaram questões como impactos de hidrelétricas no ecossistema do rio, poluição, acúmulo de areia na barragem de Manso e secas prolongadas em Chapada dos Guimarães, por exemplo

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

A Assembleia Legislativa realizou na tarde desta quinta-feira (16) audiência pública para apresentação de desdobramentos da Expedição Fluvial no Rio Cuiabá, que de 16 a 20 de janeiro percorreu cerca 700 km do rio por barco. A criação de uma associação em defesa do rio Cuiabá e o reflorestamento das margens desse curso d’água estão entre os anúncios feitos no encontro, que contou com representantes da Marinha, UFMT, Ministério Público Estadual, Secretaria Estadual de Meio Ambiente, prefeituras, segmentos da pesca e turismo, entre outros.

O prefeito de Rosário Oeste, munícipio onde começa a correr o rio, Alex Berto, afirmou que o trabalho de recuperação da vegetação das margens já teve início e começou do Manso. “Isso vai ser feito até o rio São Lourenço [onde o rio Cuiabá desemboca]. Conseguimos emenda com o deputado Wilson Santos para fazer esse trabalho”, adiantou o gestor. 

O deputado Wilson Santos foi chefe da expedição, que reuniu pesquisadores, representantes do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá e teve apoio da Marinha do Brasil – Capitania Fluvial de Mato Grosso, entre outros. Durante o percurso, a comitiva realizou reuniões em colônias de pescadores, comunidades e órgãos municipais nos municípios de Chapada dos Guimarães (comunidade Padilha), Rosário Oeste (comunidade Acoparis e centro), Acorizal (Tenda), Cuiabá (São Gonçalo Beira Rio), Várzea Grande (Bonsucesso), Santo Antônio do Leverger (Colônia de Pescadores), Barão de Melgaço (centro e Cuiabá Mirim) e Poconé (Câmara Municipal).

O parlamentar disse que a associação a ser criada, em defesa do rio Cuiabá, deve concentrar ações da luta pela preservação do rio que leva o nome da capital do estado. “Nos próximos dias vamos colher sugestões e fazer uma assembleia geral para escolher a diretoria”, garantiu Wilson Santos (PSD).  O assessor parlamentar André Luís Rufino, explicou que a associação vai promover estudos e ações em prol do rio Cuiabá. A minuta do estatuto desse novo grupo foi distribuída entre os presentes interessados em compor a organização. 

O parlamentar disse que a associação a ser criada, em defesa do rio Cuiabá, deve concentrar ações da luta pela preservação do rio que leva o nome da capital do estado

Foto: ANGELO VARELA / ALMT

Outro anúncio, de retomada do projeto “Salve o peixe, salve o rio” (lançado na década de 1990 com objetivo de repovoar peixes e conscientizar para a preservação) foi feito pelo empresário Toninho Domingos. “Queremos buscar autorizações para realizar intervenções que sejam boas para o rio Cuiabá, não queremos fazer nada que contribua para o desiquilíbrio. Dessa vez vamos atuar em parceria com a Assembleia, por meio do deputado Wilson Santos e de outras organizações interessadas. Será um projeto da sociedade, de todos”, expôs Domingos. 

Situação do rio – Durante a audiência, palestras e falas abordaram questões como impactos de hidrelétricas no ecossistema do rio, poluição, acúmulo de areia na barragem de Manso e secas prolongadas em Chapada dos Guimarães, por exemplo. 

O professor da UFMT, geólogo Caiubi Khun, mostrou caso de assoreamento em barragem nos Estados Unidos. “Já podemos observar isso em Manso, com pouco mais de 20 anos da construção da barragem. A areia fica acumulada naquela região, principalmente no rio Quilombo e no rio da Casca”, defendeu. “É preciso chegar areia no rio Cuiabá, no Pantanal também, hoje não vai mais. Sem areia, o rio não extravasa para a lateral, causa erosões, com isso não tem corixos, falta água para os peixes”, disse ele, que reclamou ainda da falta de estrutura e equipamentos para medições pluviométricas e de vazão de água.

O professor biólogo da UFMT Jerry Penha, especialista em Ecologia da pesca, ressaltou que a construção de usinas hidrelétricas eliminaria sítios de desova de peixes, impactaria na pesca, o custo para pescar ficar mais alto enquanto o preço de venda ficaria baixo para o pescado e alto para o consumidor final. “A reprodução dos peixes é importante também para a Bacia do Alto Paraguai, manter a reprodução dos peixes do rio Cuiabá implica manter os peixes do Pantanal inteiro”, resumiu.

O deputado estadual Diego Guimarães (Republicanos) avaliou que a vocação hídrica do estado já foi explorada demasiadamente. “Acredito que com a energia fotovoltaica é possível gerar energia com menos impacto. Espero pelo dia que futuras gerações vão olhar para hidrelétricas e nos julgar, pensar ‘que absurdo vocês faziam, desviavam o curso de rios’”,  afirmou o parlamentar.

Fonte: ALMT

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POLÍTICA

TJMT suspende desocupação em condomínios após pedido da ALMT

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Em resposta ao pedido encaminhado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta sexta-feira (17), a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu suspender a medida de desocupação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso envolvendo famílias que residem nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, em Cuiabá. A decisão do Judiciário ocorreu após solicitação formal da Assembleia, diante da preocupação com os impactos sociais da medida.

A decisão considera que o caso apresenta potencial impacto social relevante, especialmente diante da possibilidade de cumprimento de medida de imissão na posse envolvendo famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de adoção de etapas preparatórias antes de qualquer decisão de desocupação coletiva.

“Recebemos uma decisão muito importante da Corregedoria do Tribunal de Justiça, que representa uma vitória significativa para as famílias dos condomínios Minas e Lavras do Sutil. Ainda não vencemos a guerra, mas conquistamos uma batalha importante, que traz tranquilidade aos moradores que estavam vivendo momentos de angústia. Quero agradecer à Procuradoria da Assembleia e ao Poder Judiciário pela sensibilidade em olhar para essa situação. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto. Agora, vamos continuar dialogando e trabalhando para construir uma solução justa e definitiva para essas famílias. Contem com a Assembleia Legislativa, porque estaremos ao lado de vocês”, comemorou o deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa.

O procurador da Assembleia Legislativa, Ricardo Riva, explicou que a decisão da Corregedoria do Tribunal de Justiça foi resultado direto do pedido formal apresentado pela Casa, que apontou a necessidade de cumprimento de etapas legais e sociais antes da execução da medida de desocupação.

Segundo ele, a Assembleia solicitou a suspensão da imissão na posse justamente para garantir que o processo observe as exigências previstas na legislação e nas normas que tratam de conflitos fundiários coletivos.

“A Assembleia oficiou a Corregedoria do Tribunal pedindo a suspensão do cumprimento da imissão na posse, ou seja, da retirada das famílias dos apartamentos, porque existem etapas legais e sociais que precisam ser cumpridas antes de qualquer desocupação coletiva. A decisão da Corregedoria foi tomada a partir dessa solicitação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso”, explicou o procurador.

Ricardo Riva destacou ainda que a medida busca assegurar que qualquer decisão judicial seja precedida de avaliação técnica e de diálogo institucional, garantindo segurança jurídica e proteção às famílias envolvidas.

O pedido da ALMT – No documento encaminhado ao Judiciário, o presidente Max Russi alerta que o cumprimento da ordem de imissão na posse, decorrente de um processo de falência iniciado em 2003, pode resultar na retirada imediata de moradores de suas residências sem que haja medidas adequadas de acolhimento social às famílias afetadas. O ofício destaca que a execução da decisão, da forma como está prevista, pode gerar consequências sociais graves, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.

A Assembleia também argumenta que a condução do processo deve observar normas e diretrizes que tratam da proteção de direitos humanos e da mediação de conflitos. Entre os dispositivos citados estão o Provimento nº 23/2023 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecem que desocupações coletivas precisam ser precedidas de diálogo entre as partes e da definição de estratégias de atendimento às famílias atingidas.

De acordo com o documento, essas normas determinam que, antes da execução de despejos coletivos, sejam realizadas reuniões preparatórias e elaborados planos de ação que considerem a situação social dos moradores, garantindo alternativas de acolhimento e encaminhamento a programas habitacionais ou de assistência social, sempre que necessário.

Visita aos condomínios – Na noite de quinta-feira (16), Russi esteve pessoalmente nos residenciais para ouvir os moradores e acompanhar de perto a situação. Durante a visita, o parlamentar conversou com os condôminos e manifestou preocupação com a possibilidade de retirada imediata das pessoas de suas casas, destacando o clima de insegurança e aflição vivido pelos moradores. A presença do deputado no local ocorreu após relatos de que centenas de famílias temem perder suas moradias em razão de decisão judicial.

Fonte: ALMT – MT

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