O Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso deu início nesta semana às primeiras ações de prevenção e conscientização sobre o uso irregular do fogo na região do Pantanal. Por meio do Batalhão de Emergências Ambientais (BEA), a corporação se reuniu com entidades para debater sobre formas de prevenção contra os incêndios florestais, a fim de reduzir ao máximo o impacto no meio-ambiente.
“Estamos nos antecipando para identificar os principais problemas, as estruturas disponíveis para o período de resposta, bem como estudando a possibilidade de capacitação de mais brigadistas e promover a educação ambiental para as populações ribeirinhas. É um trabalho contínuo que precisa ser feito em conjunto com as comunidades e demais órgãos para garantir efetividade”, pontua a tenente-coronel Pryscilla Jorge Machado de Souza, comandante do BEA.
A corporação se reuniu em Poconé (a 104 km de Cuiabá) com representantes do Ministério Público, Sindicato Rural, Sesc Pantanal, Secretaria do Meio Ambiente Municipal, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e pousadas da região ao longo da semana.
“É muito importante essa integração porque o combate de incêndios florestais não é feito sozinho. O Sesc Pantanal já é um velho parceiro das instituições locais, principalmente do Corpo de Bombeiros, e temos reforçado essa parceria desde 2020. Juntamos as forças, conseguimos melhores resultados. O Pantanal precisa desse esforço conjunto por ser um território extenso que apresenta dificuldades geográficas”, diz o ecólogo Alexandre Enout, gestor da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Sesc Pantanal.
A tenente-coronel ressalta também que o BEA faz o monitoramento diário dos focos de calor para planejar as ações de prevenção e combate de incêndios florestais no Pantanal e demais regiões no Estado. Segundo ela, este monitoramento contribui para a execução de ações mais assertivas, o que era impossível há alguns anos.
“Desde 2022, o BEA conta com um centro de monitoramento com tecnologia de ponta. Todos os dias temos atualizações de focos de calor no Estado. Assim, estamos sempre em alerta para os incêndios florestais e podemos encaminhar com mais eficiência equipes do BEA ou acionar bombeiros de outras regiões do BEA”, explica a comandante.
Além das reuniões, o BEA também fez uma visita técnica às regiões que costumam ser mais afetadas na época mais crítica do ano, com alta nos incêndios florestais.
Reunião do Comitê do Fogo
Também nesta semana, o Comitê de Gestão do Fogo realizou a primeira reunião deste ano para a apresentação de balanços das ações realizadas pelos órgãos-membro em 2023, como também para promover as discussões acerca do planejamento de combate aos incêndios florestais em 2024.
“Ampliamos os recursos ano a ano para o combate de incêndios florestais. Desde 2019, são mais de R$ 240 milhões investidos para o combate de crimes ambientais e já estamos fechando o orçamento para 2024. Mato Grosso passa por mudanças climáticas, o que tem resultado em longos períodos de seca. Precisamos combater esses focos e princípios de incêndios o quanto antes, por isso essa integração entre as entidades é tão importante”, disse o presidente do Comitê, o secretário-executivo da Sema, Alex Marega.
O Comitê Estado de Gestão do Fogo tem como objetivo promover ações de prevenção, monitoramento e combate de incêndios florestais em Mato Grosso. Fazem parte do comitê: Sema, Corpo de Bombeiros, instituições públicas, empresas privadas, ONGs e entidades de classe.
A Justiça recebeu a denúncia criminal apresentada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) por tentativa de feminicídio ocorrida no dia 1º de abril de 2026, no município de Alto Taquari (a 479 km de Cuiabá). A decisão, proferida pela Vara Única da Comarca, marca o início formal da ação penal contra o acusado.De acordo com a denúncia oferecida pela Promotoria de Justiça de Alto Araguaia e Alto Taquari, o réu mantinha um relacionamento afetivo com a vítima e teria invadido a residência dela de forma sorrateira, utilizando uma cópia da chave. A mulher foi atacada enquanto dormia e recebeu diversos golpes de faca em várias regiões do corpo, sofrendo ferimentos graves que configuraram risco concreto de morte. A vítima sobreviveu graças à própria resistência e ao rápido atendimento médico providenciado por pessoas próximas, sem que o agressor tenha prestado qualquer tipo de socorro.O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado pelo comportamento possessivo do acusado e pela inconformidade com o término do relacionamento, caracterizando violência doméstica e familiar praticada por razões da condição do sexo feminino. A acusação também apontou a incidência da agravante de motivo fútil, em razão do sentimento de posse demonstrado pelo agressor.Na denúncia, a Promotoria destacou ainda a presença de causas especiais de aumento de pena, entre elas o fato de a vítima ser mãe de filhos menores e o uso de recurso que dificultou sua defesa. Conforme narrado, o acusado se aproveitou do ingresso não autorizado na residência, surpreendendo a vítima em situação de extrema vulnerabilidade e utilizando arma branca contra uma pessoa desarmada.Além da tentativa de feminicídio, o réu também foi denunciado pelo crime de embriaguez ao volante. Logo após o ataque, durante a fuga, ele teria conduzido um veículo em via pública com a capacidade psicomotora alterada pelo consumo de álcool, vindo a colidir contra o canteiro central de uma rodovia estadual.Ao receber integralmente a denúncia ministerial, o juiz da Vara Única de Alto Taquari determinou a citação do acusado para apresentação de defesa escrita, dando prosseguimento ao trâmite processual que deverá culminar em julgamento pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público também requereu a fixação de indenização mínima pelos danos morais e patrimoniais sofridos pela vítima, reforçando o compromisso institucional com a proteção das mulheres em situação de violência doméstica e com a responsabilização penal dos autores desses crimes.