A reação imediata da Venezuela classificou os exercícios como uma “provocação”, aumentando ainda mais as tensões já exacerbadas pelo referendo sobre a região disputada de Essequibo.
“Esta infeliz provocação dos Estados Unidos em favor da ExxonMobil na Guiana é mais um passo na direção errada. Alertamos que não seremos desviados de nossas ações futuras para a recuperação do Essequibo”, afirmou Vladimir Padrino López, ministro do Poder Popular para a Defesa.
Os exercícios são conduzidos em parceria com a Força Aérea guianense e têm como objetivo declarado “melhorar a segurança” local. Especialistas interpretam essa ação como uma estratégia de dissuasão, mostrando apoio militar à Guiana em caso de conflito com a Venezuela.
Analistas internacionais sugerem que os gestos de dissuasão visam desencorajar possíveis ações militares da Venezuela em Essequibo. Além disso, há especulações sobre a possibilidade de os EUA buscarem uma presença militar mais permanente na América do Sul.
Os posicionamentos e reações dos envolvidos revelam um cenário geopolítico complexo. A Venezuela procura “construir consensos” e recuperar Essequibo, enquanto a Guiana se prepara para possíveis desdobramentos, fortalecendo sua cooperação de defesa. Os EUA oferecem apoio à Guiana, desafiando abertamente a Venezuela.
O referendo venezuelano sobre Essequibo, apesar de seus resultados não vinculantes, desafia diretamente a determinação da Corte Internacional de Justiça (CIJ), gerando preocupações sobre o respeito às decisões internacionais.
A disputa histórica por Essequibo entre Venezuela e Guiana remonta a mais de um século, intensificada recentemente pela descoberta de reservas significativas de petróleo na região. Ambos os países reivindicam direitos com base em documentos internacionais, agravando uma questão já complexa.
A Guiana, impulsionada por suas reservas de petróleo, se destaca como o país sul-americano de maior crescimento econômico. Com 11 bilhões de barris de petróleo, especialmente “offshore” perto de Essequibo, o país atrai investimentos e se torna um player importante na geopolítica regional.
O cenário diplomático atual envolve o Brasil, que mantém uma abordagem diplomática, mantendo diálogos com ambas as partes. Enquanto isso, os EUA expressam apoio claro à Guiana, desafiando as reivindicações da Venezuela.
Foto da agência russa Sputnik mostra o presidente russo Vladimir Putin e o homólogo chinês Xi Jinping em Astana, em 3 de julho
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou nesta quinta-feira (12) que receberá seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Kazan, no próximo mês de outubro, por ocasião da cúpula dos Brics.
O anúncio foi feito pelo mandatário russo durante encontro com o ministro das Relações Exteriores de Pequin, Wang Yi, em São Petersburgo, segundo a agência Interfax.
De acordo com Putin, as relações entre a China e a Rússia continuam a desenvolver-se “com muito sucesso em todas as direções”, incluindo a “coordenação no cenário internacional”.
Em imagens divulgadas pela mídia russa, Wang destacou que “o presidente Xi está muito feliz em aceitar o convite”.
“Nessa ocasião os dois chefes de Estado terão novas discussões estratégicas”, acrescentou o chanceler, destacando que ambos os líderes “estabeleceram uma confiança mútua sólida e uma amizade profunda”.
O ministro chinês chegou a São Petersburgo para participar da cúpula de altos funcionários e conselheiros de segurança nacional do bloco Brics. Sua visita também foi vista como uma oportunidade para lançar as bases do encontro presencial entre os líderes dos dois países.
A reunião dos Brics está marcada para acontecer entre 22 e 24 de outubro, na cidade russa de Kazan, e será o terceiro encontro presencial de 2024 entre Xi e Putin, poucas semanas antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro.
Formado inicialmente por Brasil, China, Índia e Rússia em 2009, o bloco foi ampliado com a adesão da África do Sul em 2010 e este ano incluiu vários outros países emergentes, como Egito e Irã. No início de setembro, a Turquia também apresentou um pedido de adesão ao bloco.