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Agronegócio

Recorde de exportações ajuda a segurar preços no mercado interno

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O ano de 2026 começou com números históricos para a avicultura brasileira. As exportações de carne de frango — considerando produtos in natura e processados — atingiram 459 mil toneladas em janeiro, o maior volume já registrado para o mês, segundo levantamento da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O resultado representa crescimento de 3,6% na comparação com janeiro de 2025. Em receita, o desempenho também foi positivo: o país faturou US$ 874,2 milhões (cerca de R$ 4,72 bilhões, considerando dólar médio de R$ 5,40), avanço de 5,8% frente aos US$ 826,4 milhões do mesmo período do ano passado.

Entre os principais compradores da proteína brasileira aparecem os mercados tradicionais do Oriente Médio e da Ásia. Os Emirados Árabes Unidos lideraram as aquisições, com 44,3 mil toneladas (+14%), seguidos por África do Sul (36,8 mil t; +34%), Arábia Saudita (33,5 mil t; +5%), China (33,5 mil t; -25%) e Japão (29,2 mil t; +4%).

O protagonismo interno segue concentrado na região Sul. O Paraná manteve ampla liderança nacional, com 187,7 mil toneladas embarcadas (+3,9%). Na sequência aparecem Santa Catarina (103,1 mil t; +9,3%), Rio Grande do Sul (58,7 mil t; +0,75%), São Paulo (26,7 mil t; +2%) e Goiás (25,6 mil t; +9,5%).

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) confirmam o ritmo aquecido: somente nas vendas externas de carne de aves e miudezas comestíveis foram 430,3 mil toneladas exportadas, gerando US$ 795,2 milhões. O preço médio ficou em US$ 1.847,70 por tonelada, com aumento tanto de volume (+3,7%) quanto de valor médio diário (+5,6%) sobre janeiro do ano passado.

Mercado interno ainda pressionado

Apesar do bom desempenho externo, o mercado doméstico vive outro momento. Segundo o analista Fernando Iglesias, da Safras & Mercado, há excesso de oferta, principalmente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, o que mantém pressão de baixa nas cotações no curto prazo.

A boa notícia ao produtor vem dos custos. A queda recente do milho reduziu o gasto com ração — principal componente da produção — aliviando a margem das granjas. Além disso, o descarte de matrizes já começa a aparecer como estratégia para diminuir o alojamento de pintainhos e ajustar a oferta ao longo dos próximos meses.

No atacado, os preços permaneceram praticamente estáveis em janeiro. Em São Paulo, referência nacional, os valores médios ficaram em:

  • Peito: R$ 9,50/kg no atacado e R$ 10,00/kg na distribuição

  • Coxa: R$ 6,70/kg e R$ 7,00/kg

  • Asa: R$ 11,00/kg e R$ 11,20/kg

Nos produtos resfriados, as cotações também não variaram.

Já o frango vivo segue com preços equilibrados nas principais regiões produtoras: R$ 4,60/kg no Oeste do Paraná, R$ 4,65/kg em Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e até R$ 5,50/kg no Ceará.

Iglesias avalia que a carne de frango ainda depende do consumo interno para reagir, mas a competitividade frente às demais proteínas é fundamental. Com o poder de compra das famílias pressionado, o consumidor continua priorizando alimentos mais baratos.

Mesmo assim, o desempenho das exportações tem papel decisivo: sem o escoamento externo, a oferta interna seria ainda maior e os preços poderiam cair de forma mais acentuada. Na prática, o mercado internacional hoje funciona como o principal “amortecedor” das cotações no Brasil.

Fonte: Pensar Agro

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Agronegócio

Atenção para a declaração de rebanho obrigatória

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A atualização cadastral dos rebanhos, obrigatória para produtores rurais em todo o país, ganha força neste ano com a abertura das primeiras janelas de declaração em diferentes estados. Embora o calendário varie conforme a unidade da Federação, a exigência já se consolidou como um dos principais instrumentos de controle sanitário da pecuária brasileira.

Em Goiás, a primeira etapa de 2026 ocorre entre 1º e 31 de maio, conforme cronograma da Agência Goiana de Defesa Agropecuária. O procedimento é obrigatório e exige que o produtor informe a situação atualizada dos animais na propriedade, incluindo nascimentos, mortes e movimentações.

A exigência, no entanto, não é isolada. Estados como Rio Grande do Sul já realizam a declaração entre abril e junho, enquanto Paraná segue calendário semelhante. No Centro-Oeste, modelos semestrais também são adotados, com etapas distribuídas ao longo do ano, como ocorre em Mato Grosso do Sul. Já em Mato Grosso e Rondônia, a atualização costuma ocorrer no fim do ano, concentrada entre novembro e dezembro.

Apesar das diferenças de prazo, a lógica é a mesma em todo o país: manter um banco de dados atualizado sobre o rebanho nacional, permitindo resposta rápida a eventuais surtos sanitários e maior controle da movimentação animal.

Na prática, o produtor deve declarar todas as espécies existentes na propriedade — de bovinos e suínos a aves, equinos, ovinos, caprinos, abelhas e animais aquáticos — garantindo que o cadastro reflita a realidade atual da produção.

A medida ganhou ainda mais importância com o avanço do Brasil no status sanitário internacional, especialmente após a retirada gradual da vacinação contra febre aftosa em diversas regiões. Com menor margem para erro, a rastreabilidade e o controle do rebanho passaram a ser considerados essenciais para a manutenção de mercados e abertura de novos destinos para a carne brasileira.

Além da sanidade, os dados também são utilizados para orientar políticas públicas e planejamento do setor. Informações atualizadas permitem dimensionar com precisão o tamanho do rebanho, direcionar campanhas de controle de doenças e apoiar decisões comerciais.

O descumprimento da obrigação pode gerar penalidades, incluindo multas e restrições operacionais. Na prática, o produtor fica impedido de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento indispensável para transporte e comercialização, o que pode travar a atividade dentro da porteira.

Com a digitalização dos sistemas, o processo tem migrado para plataformas online, o que amplia o acesso, mas também exige atenção redobrada do produtor quanto a prazos e regularidade cadastral.

Em um cenário de maior exigência sanitária e competitividade internacional, a declaração de rebanho deixou de ser apenas uma obrigação burocrática e passou a integrar a estratégia produtiva da pecuária brasileira — com impacto direto sobre a segurança do sistema e a capacidade de acesso a mercados.

Fonte: Pensar Agro

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queiroz

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