“Peço aos atuais membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas que impeçam qualquer tentativa da Rússia de abusar de sua presidência. Também lembro que a Rússia não é cumpridora das leis do Conselho”, afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, nas redes sociais, no primeiro dia em que Moscou assume a liderança mensal do órgão da ONU .
A primeira reunião do Conselho sob a atual chefia será realizada na próxima segunda-feira (3), a portas fechadas. Depois, haverá uma conferência de imprensa do representante permanente da Federação Russa junto da ONU, Vasily Nebenzia.
O Conselho de Segurança tem 15 membros, sendo que cinco deles — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — são permanentes e têm poder de veto, com uma presidência rotativa todos os meses.
Na última quinta (30), Kuleba chamou a presidência russa do Conselho de “piada de mau gosto”, ao afirmar que a Rússia é um país “fora da lei” que “usurpou sua posição” no órgão.
Ontem, a porta-voz de Lavrov, Maria Zakharova, disse que o chanceler russo pretende presidir pessoalmente uma reunião do Conselho de Segurança sobre “multilateralismo efetivo” no final deste mês. Ela ainda indicou que Lavrov também vai conduzir um debate sobre o Oriente Médio no dia 25 de abril.
“Em caso de abuso por parte da presidência [russa], certamente reagiremos”, disse um diplomata do Conselho de Segurança da ONU de Nova York à agência de notícias AFP . No entanto, “este não é o ponto. O ponto é a guerra na Ucrânia e garantir que acabemos com ela”.
“Um país que viola flagrantemente a Carta da ONU e invade seu vizinho não tem lugar no Conselho de Segurança da ONU”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, em Washington.
“Infelizmente, a Rússia é um membro permanente do Conselho de Segurança e não há um caminho jurídico internacional viável para mudar essa realidade.” acrescentou, chamando a presidência de “cargo amplamente cerimonial”.