Pedro Gurek, advogado especialista em direito penal econômico e sócio do Sade & Gritz Advogados, explica que os requisitos que constam na Constituição dos Estados Unidos para que uma pessoa concorra à Casa Branca “são basicamente que o candidato precisa ter pelo menos 35 anos e ter nascido nos EUA ou residir no país nos últimos 14 anos”.
O advogado ainda menciona que, caso, eventualmente, Trump seja condenado, ele não seria o primeiro na história do país a concorrer nas eleições nessa posição. “Isso já aconteceu nos EUA em duas ocasiões: em 1920, com Eugene V. Debs, e em 1992, com Lyndon LaRouche. Esses dois candidatos estavam presos e concorreram normalmente”, afirma.
No caso de Debs, à época, com mais de 900 mil votos, ele deixou a cela onde cumpria pena de 10 anos de prisão por ter convocado resistência ao recrutamento compulsório para a Primeira Guerra Mundial dois anos antes. Ele teve a sentença comutada em 1921 e foi solto.
Já LaRouche, havia sido condenado a 15 anos de prisão por sonegação de impostos no fim dos anos 1980, mas concorreu às eleições de 1992 da prisão, angariando mais de 26 mil votos.
Autoperdão
No caso de Trump, Gurek diz que a Constituição norte-americana não deixa claro o que aconteceria caso ele fosse preso e vencesse as eleições.
Como relatado pelo jornal, logo após as eleições de 2020, Trump sugeriu que deseja se autoperdoar. Fontes informaram ao noticiário que ele pediu a opinião de especialistas para saber se ele teria autoridade para levar a ideia adiante e foi avisado sobre potenciais consequências políticas.
“O artigo II, seção 2 da Constituição norte-americana prevê a possibilidade de ele perdoar terceiros. Esse cenário de ele perdoar a si mesmo é algo controverso, nunca aconteceu e algumas pessoas até questionam se isso seria possível, se é constitucional ou não”, explica o advogado.
A possibilidade de essa estratégia ser adotada levantou discussões sobre o assunto no país, inclusive entre pesquisadores. Citando o professor Jonathan Turley, da The George Washington University, Gurek afirma que não teria problema nenhum Trump usar do aparato, porque o texto constitucional fala que ele pode perdoar quem ele quiser e não o limita de, eventualmente, conceder o perdão a si mesmo.
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Ex-presidente Donald Trump se tornou réu pela terceira vez na última semana
No entanto, de acordo com o professor Laurence Tribe, da Harvard University, a ação seria imoral e ele não poderia ser o juiz da própria causa. “Até porque a Constituição diz que ele não poderia se livrar de um eventual impeachment, então, por comparação, ele também não poderia se autoperdoar de um crime”, pontua Gurek.
“Porém, o autoperdão se aplica apenas a crimes de competência federal, não a crimes de competência dos estados. Então, por exemplo, o Trump também está sendo processado criminalmente na Geórgia, ele não poderia eventualmente se autoperdoar em relação a esse processo, caso seja condenado.”
No caso de o republicano ser considerado culpado e não ter o poder de conceder o perdão a si mesmo, Gurek explica que não existe uma limitação específica na lei dos EUA que afirme que alguém condenado não possa ser o presidente do país. “Então fica essa questão em aberto: como ele governaria caso fosse condenado e não pudesse se perdoar?”
Suprema Corte
Considerando questões processuais, o advogado acredita que, caso Trump fosse condenado e não fosse permitido conceder o perdão a si mesmo, ele recorreria e adiaria o caso até chegar na Suprema Corte dos Estados Unidos, o mais alto tribunal constitucional do país, que tem maioria conservadora.
Estudo de mais de uma década publicado na PNAS, revista da Academia de Ciências dos Estados Unidos, indica que a corte “tornou-se muito mais conservadora do que o público americano” nos últimos anos.
“A distância entre a Suprema Corte e o público cresceu desde 2020, com o tribunal passando de uma posição bastante próxima do americano médio para uma posição mais conservadora do que a maioria dos americanos”, afirma a pesquisa.
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Caso seja eleito, Trump pode tentar levar processos à Suprema Corte, de maioria conservadora
Na possibilidade de uma vitória nas eleições do ano que vem, Trump poderia tentar passar o mandato questionando a condenação até chegar ao tribunal, para que o caso seja julgado pelos membros da corte.
“Como o Direito americano é baseado na Common Law, muitas questões não são codificadas igual aqui no Brasil, que existe lei para tudo. A própria Constituição americana é bem menor que a brasileira. Então lá, muitas vezes se recorre aos precedentes, aos costumes, para se resolver situações que não estão previstas em lei. Por isso se dá uma importância à Suprema Corte, porque essa discussão vai crescendo até chegar lá e os juízes definem qual interpretação que eles darão ao caso.”
A acusação referente ao Capitólio, porém, tem grande peso para o processo eleitoral, já que é discutida a chance de Trump ter violado a 14ª emenda da Constituição. Segundo Gurek, a emenda trata da possibilidade de “desqualificar ao cargo alguém que, por insurreição ou rebelião, cometer algum crime contra os Estados Unidos”.
Isso, no entanto, não o impediria de concorrer nas eleições. “A única limitação que ele teria, caso condenado, é de não poder votar, mas de ser votado e assumir o posto de presidente, não”, afirma o advogado.
Foto da agência russa Sputnik mostra o presidente russo Vladimir Putin e o homólogo chinês Xi Jinping em Astana, em 3 de julho
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou nesta quinta-feira (12) que receberá seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Kazan, no próximo mês de outubro, por ocasião da cúpula dos Brics.
O anúncio foi feito pelo mandatário russo durante encontro com o ministro das Relações Exteriores de Pequin, Wang Yi, em São Petersburgo, segundo a agência Interfax.
De acordo com Putin, as relações entre a China e a Rússia continuam a desenvolver-se “com muito sucesso em todas as direções”, incluindo a “coordenação no cenário internacional”.
Em imagens divulgadas pela mídia russa, Wang destacou que “o presidente Xi está muito feliz em aceitar o convite”.
“Nessa ocasião os dois chefes de Estado terão novas discussões estratégicas”, acrescentou o chanceler, destacando que ambos os líderes “estabeleceram uma confiança mútua sólida e uma amizade profunda”.
O ministro chinês chegou a São Petersburgo para participar da cúpula de altos funcionários e conselheiros de segurança nacional do bloco Brics. Sua visita também foi vista como uma oportunidade para lançar as bases do encontro presencial entre os líderes dos dois países.
A reunião dos Brics está marcada para acontecer entre 22 e 24 de outubro, na cidade russa de Kazan, e será o terceiro encontro presencial de 2024 entre Xi e Putin, poucas semanas antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro.
Formado inicialmente por Brasil, China, Índia e Rússia em 2009, o bloco foi ampliado com a adesão da África do Sul em 2010 e este ano incluiu vários outros países emergentes, como Egito e Irã. No início de setembro, a Turquia também apresentou um pedido de adesão ao bloco.