Pequim está sendo cobrado por países europeus após o embaixador chines na França, Lu Shaye, questionar a soberania das nações da antiga União Soviética. A situação acabou mexendo com a imagem no país asiático como possível mediadora no conflito da Rússia contra a Ucrânia.
Shaye afirmou durante uma entrevista que tais países não possuem “status efetivo no direito internacional”, causando abalos diplomáticos. Dentre os países que convocaram uma explicação pela fala do embaixador estão: Lituânia, Letônia e Estônia. Quem confirmou o pedido foi próprio ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Gabrielius Landsbergis, na manhã desta segunda-feira (24).
A União Europeia também reagiu a fala, juntamente com a Ucrânia, Moldávia e a França. Todos criticaram a fala de Shaye. A fala veio após um questionamento sobre a Crimeia, área que foi tomada pela Rússia ilegalmente em 2014.
Shaye disse: “Mesmo esses países ex-soviéticos não têm um status efetivo no direito internacional porque não houve acordo internacional para materializar seu status de países soberanos”, completando com o caso da Crimeia, dizendo que inicialmente se tratava da Rússia, mas que depois foi “oferecida à Ucrânia durante a era soviética”.
Tal alegação foi entendida como se os países da antiga União Soviética não possuíssem soberania, se tornando estados independentes e países membros na ONU (União das Nações Unidas) após a queda da URSS em 1991.
A té o momento, o país asiático não declarou como condenável a invasão russa na Ucrânia, nem pediu que retirassem as tropas. As únicas declarações da China sabre o assunto pedem moderação de “todas as partes”, e completou dizendo que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de instigar a guerra.
A UE e a França emitiram comentários acerca das falas de Shaye, dizendo que “A UE só pode supor que essas declarações não representam a política oficial da China”, além de declarar “total solidariedade” aos países afetados.
Já os chefes-de-Estado dos países da antiga URSS se pronunciaram logo após a entrevista, veiculado na última sexta-feira (21). O ministro de Relações Exteriores da Letônia, Edgars Rinkevics, disse que espera explicações “do lado chinês e uma retratação completa desta declaração”. Além disso, prometeu que levaria as questões às reuniões da UE para discutir as relações com os países mebros e a China.
Já o ministério da Moldávia disse que estão “surpresos com as declarações chinesas (do embaixador) questionando a soberania dos países que se declararam independentes em 1991. Respeito mútuo e integridade (territorial) têm sido fundamentais para os laços Moldávia-China”.
O assessor da administração presidencial da Ucrânia, Mykhailo Podolyak, também se pronunciou, dizendo que “é estranho ouvir uma versão absurda da ‘história da Crimeia’ de um representante de um país que é escrupuloso sobre sua história de mil anos”. Ele completa falando que “se você quer ser um importante ator político, não papagueie a propaganda de forasteiros russos.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, se pronunciou em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira. “Após a dissolução da União Soviética, a China foi um dos primeiros países a estabelecer relações diplomáticas com os países envolvidos. A China sempre aderiu aos princípios de solicitação mútua e igualdade em seu desenvolvimento de relações bilaterais amigáveis e cooperativas”.
Mao Ning confirmou que esta é a visão do governo chinês, e não tocou no assunto discutido por Lu Shaye. Segundo ele, a China defende os princípios da Carta das Nações Unidas, respeitando a soberania, independência e integridade territorial de todos os países.
Foto da agência russa Sputnik mostra o presidente russo Vladimir Putin e o homólogo chinês Xi Jinping em Astana, em 3 de julho
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmou nesta quinta-feira (12) que receberá seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Kazan, no próximo mês de outubro, por ocasião da cúpula dos Brics.
O anúncio foi feito pelo mandatário russo durante encontro com o ministro das Relações Exteriores de Pequin, Wang Yi, em São Petersburgo, segundo a agência Interfax.
De acordo com Putin, as relações entre a China e a Rússia continuam a desenvolver-se “com muito sucesso em todas as direções”, incluindo a “coordenação no cenário internacional”.
Em imagens divulgadas pela mídia russa, Wang destacou que “o presidente Xi está muito feliz em aceitar o convite”.
“Nessa ocasião os dois chefes de Estado terão novas discussões estratégicas”, acrescentou o chanceler, destacando que ambos os líderes “estabeleceram uma confiança mútua sólida e uma amizade profunda”.
O ministro chinês chegou a São Petersburgo para participar da cúpula de altos funcionários e conselheiros de segurança nacional do bloco Brics. Sua visita também foi vista como uma oportunidade para lançar as bases do encontro presencial entre os líderes dos dois países.
A reunião dos Brics está marcada para acontecer entre 22 e 24 de outubro, na cidade russa de Kazan, e será o terceiro encontro presencial de 2024 entre Xi e Putin, poucas semanas antes das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em novembro.
Formado inicialmente por Brasil, China, Índia e Rússia em 2009, o bloco foi ampliado com a adesão da África do Sul em 2010 e este ano incluiu vários outros países emergentes, como Egito e Irã. No início de setembro, a Turquia também apresentou um pedido de adesão ao bloco.