O Plenário das Deliberações da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) aprovou um requerimento do deputado Lúdio Cabral (PT) que pede a retomada dos trabalhos da Câmara Setorial Temática (CST) para discutir e fomentar políticas públicas à assistência aos pacientes oncológicos de todo o Estado. O período de trabalho é de 180 dias.
Essa Câmara Setorial Temática iniciou as atividades em junho de 2022, mas em vista da necessidade à apresentação do relatório e a aprovação em Plenário, o deputado Lúdio Cabral propôs a prorrogação para ampliar a discussão e, com isso, concluir os trabalhos da CST. Ainda não há data definida para o início dos trabalhos.
A presidente da Associação de Apoio aos Pacientes Oncológicos de Cuiabá (AAPOC), Janaina Santana de Oliveira, disse que a CST foi criada para resolver ou pelo menos amenizar os problemas que os pacientes oncológicos vêm enfrentado com o Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, há pendências que precisam ser equacionadas.
Nos 180 dias de trabalhos realizados pela CST, de acordo com Janaina de Oliveira, foram feitos levantamentos das dificuldades enfrentadas pelos pacientes que buscam realizar exames, consultas e internações. “As tabelas do SUS estão defasadas, falta de contratualizações, os protocolos de tratamento também estão defasados”, disse Janaina de Oliveira.
Com a retomada dos trabalhos da CST, segundo Oliveira, é uma oportunidade ímpar para que os pacientes oncológicos, no dia a dia, tenham “mais dignidade. É um caminho doloroso que pode e deve ser olhado com um olhar especial. Hoje, muitos pacientes poderiam estar vivos, se fossem atendidos com urgência pelo poder público”, disse.
Ela disse ainda que na volta das discussões dos trabalhos da CST, o foco será à produção de um relatório conciso e eficaz às necessidades dos pacientes oncológicos. “É preciso que o relatório venha ao encontro daquilo que foi proposto e seja colocado em prática como, por exemplo, a estadualização da oncologia de Mato Grosso, ou de uma tabela única de serviços, para que os prestadores de fato queiram prestar os serviços”, afirmou Janaina de Oliveira.
O deputado Lúdio Cabral afirmou que a retomada dos trabalhos da CST é para dar continuidade à discussão do tema e finalizar as metas e, com isso, atualizar os protocolos de acesso dos pacientes ao tratamento oncológico.
“A CST discute também alternativas às demandas judiciais para garantir medicamentos e tratamentos aprovados pela ANVISA e, ainda, não cobertos pelo Sistema Único de Saúde. Outro papel da CST é o de debater alternativas às situações de procedimentos e medicamentos não ofertados por defasagem da tabela SUS”, explicou Lúdio Cabral.
O parlamentar afirmou que nos primeiros 180 dias de trabalho, a CST já fez o levantamento epidemiológico da situação do câncer em todo o estado como, por exemplo, dos novos casos e das quantidades de exames e procedimentos realizados. “Solicitamos recentemente a atualização das pessoas que aguardam para tratamento na fila de espera da regulação do SUS sob a gestão estadual e dos municípios de referência”, afirmou Lúdio Cabral.
Em Mato Grosso, atualmente, a assistência a pacientes oncológicos é feita pelas seguintes unidades de saúde: são dois hospitais públicos estadual que atendem os pacientes, o Regional de Cáceres a Santa Casa de Cuiabá. Um filantrópico sob a gestão estadual, Hospital Santo Antônio em Sinop.
Já o Hospital Santa Casa de Rondonópolis (que também é filantrópico), mas sob a gestão do município, que realiza procedimentos e tratamentos oncológicos. E em Cuiabá, sob a gestão municipal, tem o Hospital Geral, através do Instituto de Tratamento de Câncer-ITC e o Hospital de Câncer. Essas unidades de saúde realizam a maioria dos procedimentos e tratamentos oncológicos do estado.
Em resposta ao pedido encaminhado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta sexta-feira (17), a Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) decidiu suspender a medida de desocupação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso envolvendo famílias que residem nos condomínios Villas das Minas e Villas das Lavras do Sutil I e II, em Cuiabá. A decisão do Judiciário ocorreu após solicitação formal da Assembleia, diante da preocupação com os impactos sociais da medida.
A decisão considera que o caso apresenta potencial impacto social relevante, especialmente diante da possibilidade de cumprimento de medida de imissão na posse envolvendo famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça a necessidade de adoção de etapas preparatórias antes de qualquer decisão de desocupação coletiva.
“Recebemos uma decisão muito importante da Corregedoria do Tribunal de Justiça, que representa uma vitória significativa para as famílias dos condomínios Minas e Lavras do Sutil. Ainda não vencemos a guerra, mas conquistamos uma batalha importante, que traz tranquilidade aos moradores que estavam vivendo momentos de angústia. Quero agradecer à Procuradoria da Assembleia e ao Poder Judiciário pela sensibilidade em olhar para essa situação. Esse resultado é fruto de um trabalho conjunto. Agora, vamos continuar dialogando e trabalhando para construir uma solução justa e definitiva para essas famílias. Contem com a Assembleia Legislativa, porque estaremos ao lado de vocês”, comemorou o deputado estadual Max Russi (Podemos), presidente da Assembleia Legislativa.
O procurador da Assembleia Legislativa, Ricardo Riva, explicou que a decisão da Corregedoria do Tribunal de Justiça foi resultado direto do pedido formal apresentado pela Casa, que apontou a necessidade de cumprimento de etapas legais e sociais antes da execução da medida de desocupação.
Segundo ele, a Assembleia solicitou a suspensão da imissão na posse justamente para garantir que o processo observe as exigências previstas na legislação e nas normas que tratam de conflitos fundiários coletivos.
“A Assembleia oficiou a Corregedoria do Tribunal pedindo a suspensão do cumprimento da imissão na posse, ou seja, da retirada das famílias dos apartamentos, porque existem etapas legais e sociais que precisam ser cumpridas antes de qualquer desocupação coletiva. A decisão da Corregedoria foi tomada a partir dessa solicitação e determinou o encaminhamento do processo à Comissão Regional de Soluções Fundiárias para análise técnica do caso”, explicou o procurador.
Ricardo Riva destacou ainda que a medida busca assegurar que qualquer decisão judicial seja precedida de avaliação técnica e de diálogo institucional, garantindo segurança jurídica e proteção às famílias envolvidas.
O pedido da ALMT – No documento encaminhado ao Judiciário, o presidente Max Russi alerta que o cumprimento da ordem de imissão na posse, decorrente de um processo de falência iniciado em 2003, pode resultar na retirada imediata de moradores de suas residências sem que haja medidas adequadas de acolhimento social às famílias afetadas. O ofício destaca que a execução da decisão, da forma como está prevista, pode gerar consequências sociais graves, especialmente para pessoas em situação de vulnerabilidade.
A Assembleia também argumenta que a condução do processo deve observar normas e diretrizes que tratam da proteção de direitos humanos e da mediação de conflitos. Entre os dispositivos citados estão o Provimento nº 23/2023 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, a Resolução nº 510 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e orientações do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelecem que desocupações coletivas precisam ser precedidas de diálogo entre as partes e da definição de estratégias de atendimento às famílias atingidas.
De acordo com o documento, essas normas determinam que, antes da execução de despejos coletivos, sejam realizadas reuniões preparatórias e elaborados planos de ação que considerem a situação social dos moradores, garantindo alternativas de acolhimento e encaminhamento a programas habitacionais ou de assistência social, sempre que necessário.
Visita aos condomínios – Na noite de quinta-feira (16), Russi esteve pessoalmente nos residenciais para ouvir os moradores e acompanhar de perto a situação. Durante a visita, o parlamentar conversou com os condôminos e manifestou preocupação com a possibilidade de retirada imediata das pessoas de suas casas, destacando o clima de insegurança e aflição vivido pelos moradores. A presença do deputado no local ocorreu após relatos de que centenas de famílias temem perder suas moradias em razão de decisão judicial.