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Chuvas: quais os perigos de entrar em contato com água de alagamento?

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Casas destruídas em deslizamentos na Barra do Sahy, em São Sebastião, após tempestades no litoral norte de São Paulo
Rovena Rosa/Agência Brasil – 23/02/2023

Casas destruídas em deslizamentos na Barra do Sahy, em São Sebastião, após tempestades no litoral norte de São Paulo

As últimas semanas foram marcadas por fortes chuvas em diversas regiões brasileiras . Municípios do litoral norte de São Paulo sofreram com  deslizamentos de terra e alagamentos na tragédia que soma ao menos 65 mortos . Com isso, muitas pessoas acabaram entrando em contato com água contaminada e com a lama trazidas pela chuva. Mas quais são os riscos para a saúde de caminhar em água de alagamento?

Nesse cenário, algumas doenças infecciosas podem ser transmitidas somente pelo contato com a pele, como é o caso da leptospirose , que tem contágio por meio da exposição à urina de ratos. A doença pode ter quadros mais leves, com sintomas como febre, dores no corpo e dores de cabeça, mas também pode atingir um estágio mais grave, que pode levar o paciente a uma internação na UTI, de acordo com Dr. Ivan França, Infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Em sua forma mais grave, a  leptospirose pode causar insuficiência hepática, renal e inflamação no fígado, a hepatite.

Além dessa doença, outras também estão relacionadas ao contato com água contaminada, como a  febre tifoide e a  hepatite A. 

Durante os blocos de rua , que foram registrados até o último fim de semana, muitos foliões também tiveram contato eventual com água de chuva . O médico, explica, no entanto, que não há motivo para preocupação. “Somente tomar chuva durante o bloco, o máximo que se pode pegar é um resfriado ou mesmo propiciar micoses de pele, caso a pessoa tenha ficado com a roupa molhada por muito tempo. O perigo é se teve contato com essa água de esgoto que fica acumulada, de enxurrada”, afirma França.

A recomendação, nesses casos, é tentar ficar o menor tempo possível pisando na água contaminada, na lama e evitar manusear objetos que tenham sido diretamente atingidos por ela.

O que fazer depois de já ter entrado em contato com água contaminada?

Caso o indivíduo tenha tido contato prolongado com água de alagamento , é recomendável buscar atendimento médico.

“Em alguns casos existem profilaxias [medidas para prevenir ou atenuar uma transmissão] a serem feitas para essas doenças [leptospirose, febre tifoide, hepatite A]”, aponta o infectologista. “No caso da hepatite A também tem a vacina, que todos devem tomar”.

Segundo o Plano Nacional de Imunização (PNI) , o imunizante é recomendado para ser tomado como dose única, aos 15 meses de vida, podendo ser aplicado até a criança completar, no máximo, cinco anos. Na rede privada, a vacina é administrada em duas doses, uma aos 12 e outra aos 18 meses, seguindo orientações das sociedades de pediatria e de imunizações.

O médico alerta que também é importante ficar atento a sintomas como febre, diarreia, dor de cabeça, náuseas e vômitos. “Na leptospirose, por exemplo, a pessoa pode ter os olhos amarelados, o que a gente chama de icterícia, pode ter a urina escura ou a diminuição da quantidade de urina”, explica.

“Qualquer sintoma desse, o paciente deve procurar um médico, um posto de saúde ou um pronto-socorro, poque pode ser o sinal de alguma doença grave.”

Cuidados com a casa após alagamento

Conforme o biomédico Roberto Martins Figueiredo, especialista em saúde pública, os resíduos contidos nessa água proveniente de  alagamento também podem contaminar todos os locais e superfícies que foram atingidos, como pisos, paredes, móveis e outros objetos.

Moradores de São Sebastião tiveram casas invadidas pela água após fortes chuvas no litoral norte de SP
Rovena Rosa/Agência Brasil – 22/02/2023

Moradores de São Sebastião tiveram casas invadidas pela água após fortes chuvas no litoral norte de SP

Dessa forma, antes de manusear esses itens, o ideal é proteger as mãos e pés com luvas de borracha ou sacos de plástico duplos.

  • Alimentos podem ser reaproveitados?

De acordo com Figueiredo, medicamentos e alimentos que tenham entrado em contato com a água de alagamento devem ser descartados, mesmo que estivessem embalados com plásticos ou lacrados, já que, mesmo assim, podem estar contaminados.

A regra vale para alimentos que vão desde frutas, legumes e carnes até enlatados. Os que estão lacrados de maneira que impede a entrada e saída de ar e não foram contaminados por dejetos podem ser consumidos desde que as latas não estejam inchadas e não tenha ocorrido vazamento. Antes de serem abertas, as embalagens devem ser devidamente desinfetadas. Quando as pessoas forem se alimentar, além de lavar muito bem as mãos, o biomédico afirma que o ideal é procurar ingerir e utilizar no preparo das refeições apenas água potável, que não tenha tido qualquer contato com o alagamento. Ainda assim, para garantir que a água esteja segura para consumo, é recomendável colocá-la para ferver por ao menos um minuto, ou adicionar duas gotas de hipoclorito de sódio com concentração de 2,5%, a água sanitária, para cada litro de água. A solução, própria para diluir na água, beber e cozinhar, pode ser encontrada em farmácias ou supermercados, mas, em situações de enchentes, geralmente órgãos de  Defesa Civil e Vigilância Sanitária distribuem gratuitamente o produto à população afetada.

Na falta de alguma dessas opções, o biomédico explica que a água sanitária pode ser utilizada, mas se atentando a adquirir apenas aquelas que tenham registro e não contenham outras misturas, como essências ou corantes.

Utensílios domésticos, como pratos, talheres e panelas também devem ser devidamente higienizados. O especialista explica que o ideal é lavá-los normalmente com água e sabão e, depois, mergulhar os objetos por pelo menos uma hora em uma solução de 200 ml de hipoclorito de sódio a 2,5% e 800 ml de água.

  • E no caso de móveis e paredes?

Segundo o Dr. Ivan França, tudo o que puder ser lavado com água, sábado e hipoclorito de sódio deve ser feito, para garantir que estará limpo. Isso também vale para móveis, pisos, paredes e roupas.

“Itens como estofamentos, móveis que tem estofado, colchões e cobertores não adianta colocar no sol, porque esses agentes infecciosos podem continuar ali. Então, infelizmente, qualquer móvel que tenha este acolchoado e não puder ser lavado, não é possível salvar”, explica o infectologista, ressaltando que deve haver um cuidado especial com eletrodomésticos, como geladeira e fogão.

Clique aqui e saiba como doar para as vítimas das chuvas no litoral norte de São Paulo.

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Fonte: IG Nacional

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Rui Denardin: O que esperar do mercado automotivo em 2025?

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Por Rui Denardin – Grupo Mônaco: À medida que nos aproximamos do final do ano é natural começarmos a refletir sobre as projeções para 2025. No mercado automotivo não seria diferente. Grandes expectativas já surgem, especialmente diante dos resultados positivos de 2024, marcados pelo aumento das vendas e pela recuperação total do setor no cenário pós-pandemia.

Analisando os fatores que impactam esse mercado, 2025 promete ser um ano dinâmico, repleto de avanços tecnológicos e alinhado às novas demandas do consumidor. Conforme nos preparamos para esse futuro promissor, algumas tendências-chave já estão moldando o setor, e, como um player estratégico, precisamos estar atentos para liderar e inovar.

E uma dessas principais tendências que seguirá em alta é a busca por veículos sustentáveis. A eletrificação continuará sendo o principal motor de mudança, com uma previsão de aumento significativo na participação dos veículos elétricos, não apenas no Brasil, mas em mercados globais.

Isso ocorre devido à redução nos custos de produção de baterias e ao avanço da infraestrutura de carregamento. No Brasil, o crescimento do segmento tem sido impulsionado por incentivos fiscais e subsídios que tornam as soluções híbridas e elétricas mais acessíveis ao consumidor.

Além disso, a busca por sustentabilidade permeia todos os aspectos da vida moderna, inclusive a mobilidade urbana. A produção de veículos elétricos tornou-se mais limpa, com o uso de materiais recicláveis, consolidando a responsabilidade ambiental como um diferencial competitivo.

Apesar das transformações tecnológicas, uma coisa não mudará em 2025: o foco na experiência do cliente. As empresas que conseguem oferecer atendimento excepcional, simplificar processos e garantir um suporte eficiente sairão na frente, conquistando a fidelidade de seus consumidores.

No Grupo Mônaco, valorizamos essa conexão desde a nossa fundação, na década de 1970. Meu pai, Armindo Denardin, ao inaugurar nossa primeira concessionária em Altamira, no Pará, chamava seu empreendimento de “Casa de Amigos”. Esse espírito de proximidade e atenção personalizada, seja para fechar um negócio ou apenas para receber bem quem nos procura, é um legado que mantemos até hoje.

O futuro do mercado automotivo não é apenas sobre tecnologia; é sobre como utilizamos essa tecnologia para melhorar vidas e gerar um impacto positivo no planeta. No Grupo Mônaco, estamos comprometidos em liderar essa transformação, com inovação, excelência e uma visão estratégica que priorize nossos clientes, colaboradores e parceiros.

2025 será um ano para acelerar. Estou confiante de que estamos prontos para essa jornada, que promete grandes conquistas e novas possibilidades para montadoras, concessionárias e, principalmente, para nossos clientes. Que venha o novo!

Rui Denardin é CEO do Grupo Mônaco

Fonte: Auto

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