O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou no fim de fevereiro que liberou o início de estudos para privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo).
O governador havia anunciado pouco após assumir seu mandato que poderia concluir a venda da Sabesp até 2024 em modelo similar ao da Eletrobras, ou seja, de diluição das ações da companhia na Bolsa de Valores com perda de controle do Estado.
Atualmente, o estado de São Paulo controla 50,3% do capital social da empresa. A ideia seria transformar as ações preferenciais em ordinárias, aquelas que dão direito a voto. Com mais ações ordinárias no mercado, o controle do Estado sobre a empresa automaticamente cairia.
Segundo dados do Instituto Trata Brasil, o estado de São Paulo conta com 98,5% de atendimento de água e 94% de atendimento de esgoto. O índice de esgoto tratado em comparação com a água consumida, no entanto, é de 55,4%.
A presidente do Instituto, Luana Pretto, ressalta que a empresa vem tendo bom desempenho e reforça que o mais importante é que a população, tanto urbana quanto rural, tenha acesso ao serviço, independente de a empresa ser pública ou privada.
“Enquanto o Acre investe R$ 5 por habitante, São Paulo investe R$ 126 por ano por habitante em saneamento, acima da média nacional, que é de R$ 82. A Sabesp tem ótimos indicadores e tem feito bons investimentos em tratamento de água e coleta de esgoto. Por isso, a privatização precisa ser feita de maneira cautelosa, para que haja efetivamente benefício para a população, seja por redução da tarifa ou por ganho da produtividade”, diz.
O estado de São Paulo colocou como meta até 2033 a universalização do saneamento, atingindo, pelo menos, 80% do índice de esgoto tratado. Segundo Pretto, uma eventual privatização deveria objetivar a redução desse prazo.
Tarcísio afirma ainda que pode recuar das propostas de privatização apresentadas no estudo caso haja possibilidade de aumento nas tarifas de água ou energia. “Se ver que a tarifa vai explodir, sem a segurança que não vai baixar e a eficiência que imaginamos, podemos dar um passo atrás”, declarou.
A especialista diz que a privatização de empresas de saneamento nem sempre é o melhor caminho para reduzir a conta para o consumidor. “O cálculo da tarifa está muito relacionado com investimentos da empresa. Tudo vai depender das metas estipuladas e do ganho de eficiência. Já vi casos em que o privado diminuiu tarifa, mas já vi casos em que aumentou. Só o estudo pode trazer esses dados”, declarou.
Para José Expedito Lima, advogado especialista em Direito Público e sócio do Caputo, Bastos e Serra Advogados, este é “um processo necessário, mas delicado”.
“A SABESP é a maior empresa do país quando o assunto é distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto. São centenas de municípios atendidos em São Paulo, correspondendo a uma população gigantesca. Apesar de sua grandeza, os desafios parecem ser ainda maiores. Eventos climáticos extremos, incluindo longos períodos de estiagem, vêm se tornando cada vez mais frequentes. Isso compromete a segurança hídrica da população abastecida”, diz.
Ele lembra que muitas pessoas – inclusive em São Paulo, estado mais rico da Federação – ainda sofrem com condições sanitárias degradantes.
“Não haverá solução para tais problemas sem vultosos investimentos, para os quais o poder público, maior acionista daquela sociedade de economia mista (SBSP3), não está capacitado. O processo de desestatização pode ser uma saída. A diluição das cotas entre novos acionistas, modelo adotado no caso Eletrobras, vem sendo anunciada como alternativa. Estudos poderão recomendá-la ou descartá-la. O tempo dirá. Seja como for, não se pode perder de vista que a ânsia em melhorar a qualidade dos serviços prestados aos consumidores não pode descurar do zelo necessário com a proteção tarifária da população”.
Para Expedito Lima, o governador está “cumprindo seu papel”.
“Não se trata de hesitação administrativa! É que política e economia também vivem de sinais. E os sinais dados por ele mostram-se claros: “Queremos novos investimentos e, na gestão, a agilidade própria da iniciativa privada, mas isso não pode significar explosão tarifária. Agentes econômicos que não compreendam a necessidade de manutenção de equilíbrio entre esses eixos não serão bem-vindos. A operação, enfim, passa longe de ser simples, mas o governador parece obstinado a conduzi-la equilibradamente”, opina.
Os brasileiros ainda não sacaram R$ 8,56 bilhões em recursos esquecidos no sistema financeiro até o fim de julho, divulgou nesta sexta-feira (6) o Banco Central (BC). Até agora, o Sistema de Valores a Receber (SVR) devolveu R$ 7,67 bilhões, de um total de R$ 16,23 bilhões postos à disposição pelas instituições financeiras.
As estatísticas do SVR são divulgadas com dois meses de defasagem. Em relação ao número de beneficiários, até o fim de julho, 22.201.251 correntistas haviam resgatado valores. Apesar de a marca ter ultrapassado os 22 milhões, isso representa apenas 32,8% do total de 67.691.066 correntistas incluídos na lista desde o início do programa, em fevereiro de 2022.
Entre os que já retiraram valores, 20.607.621 são pessoas físicas e 1.593.630, pessoas jurídicas. Entre os que ainda não fizeram o resgate, 41.878.403 são pessoas físicas e 3.611.412, pessoas jurídicas.
A maior parte das pessoas e empresas que ainda não fizeram o saque tem direito a pequenas quantias. Os valores a receber de até R$ 10 concentram 63,01% dos beneficiários. Os valores entre R$ 10,01 e R$ 100 correspondem a 25,32% dos correntistas. As quantias entre R$ 100,01 e R$ 1 mil representam 9,88% dos clientes. Só 1,78% tem direito a receber mais de R$ 1 mil.
Depois de ficar fora do ar por quase um ano, o SVR foi reaberto em março de 2023, com novas fontes de recursos, um novo sistema de agendamento e a possibilidade de resgate de valores de pessoas falecidas. Em julho, foram retirados R$ 280 milhões, alta em relação ao mês anterior, quando tinham sido resgatados R$ 270 milhões.
Melhorias
A atual fase do SVR tem novidades importantes, como impressão de telas e de protocolos de solicitação para compartilhamento no WhatsApp e inclusão de todos os tipos de valores previstos na norma do SVR. Também haverá uma sala de espera virtual, que permite que todos os usuários façam a consulta no mesmo dia, sem a necessidade de um cronograma por ano de nascimento ou de fundação da empresa.
Além dessas melhorias, há a possibilidade de consulta a valores de pessoa falecida, com acesso para herdeiro, testamentário, inventariante ou representante legal. Assim como nas consultas a pessoas vivas, o sistema informa a instituição responsável pelo valor e a faixa de valor. Também há mais transparência para quem tem conta conjunta. Se um dos titulares pedir o resgate de um valor esquecido, o outro, ao entrar no sistema, conseguirá ver as informações: como valor, data e CPF de quem fez o pedido.
Expansão
Desde a última terça-feira (3), o BC permite que empresas encerradas consultem valores no SVR. O resgate, no entanto, não pode ser feito pelo sistema, com o representante legal da empresa encerrada enviando a documentação necessária para a instituição financeira.
Como a empresa com CNPJ inativo não tem certificado digital, o acesso não era possível antes. Isso porque as consultas ao SVR são feitas exclusivamente por meio da conta Gov.br.
Agora o representante legal pode entrar no SVR com a conta pessoal Gov.br (do tipo ouro ou prata) e assinar um termo de responsabilidade para consultar os valores. A solução aplicada é semelhante ao acesso para a consulta de valores de pessoas falecidas.
Fontes de recursos
No ano passado, foram incluídas fontes de recursos esquecidos que não estavam nos lotes do ano passado. Foram acrescentadas contas de pagamento pré ou pós-paga encerradas, contas de registro mantidas por corretoras e distribuidoras encerradas e outros recursos disponíveis nas instituições para devolução.
Além dessas fontes, o SVR engloba os seguintes valores, já disponíveis para saques no ano passado. Eles são os seguintes: contas-corrente ou poupança encerradas; cotas de capital e rateio de sobras líquidas de ex-participantes de cooperativas de crédito; recursos não procurados de grupos de consórcio encerrados; tarifas cobradas indevidamente; e parcelas ou despesas de operações de crédito cobradas indevidamente.
Golpes
O Banco Central aconselha o correntista a ter cuidado com golpes de estelionatários que alegam fazer a intermediação para supostos resgates de valores esquecidos. O órgão ressalta que todos os serviços do Valores a Receber são totalmente gratuitos, que não envia links nem entra em contato para tratar sobre valores a receber ou para confirmar dados pessoais.
O BC também esclarece que apenas a instituição financeira que aparece na consulta do Sistema de Valores a Receber pode contatar o cidadão. O órgão também pede que nenhum cidadão forneça senhas e esclarece que ninguém está autorizado a fazer tal tipo de pedido.