MATO GROSSO
Tribunal de Justiça de MT sedia II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica
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oestenewsEm 2025, até o momento, já foram implantadas 96 redes. A previsão é que em breve alcance a marca histórica de 100 redes de enfrentamento implantadas em Mato Grosso, consolidando uma estrutura articulada de acolhimento, prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher em todo o estado.
A magistrada explicou que o encontro tem o objetivo de reunir as redes já constituídas para reavaliar fluxos de atendimento, acolhimento, prevenção, segurança das mulheres em risco, atenção aos filhos das vítimas de violência e grupos reflexivos para agressores, buscando padronizar e qualificar práticas.
“Precisamos reunir as redes para garantir um padrão de qualidade no atendimento e, assim melhorar cada vez mais a proteção dos direitos da mulher”, destacou, ao lembrar que a meta de chegar a 100 redes até o final do ano é parte de um legado institucional de Mato Grosso no enfrentamento à violência de gênero.
O presidente destacou ainda que o Judiciário mato-grossense tem buscado ir além da atuação estritamente processual, participando da formulação e da implementação de políticas públicas. “Só com trabalho árduo, com uma nova postura institucional e com ações sociais concretas conseguiremos responder às demandas da sociedade. Este encontro é um exemplo de como o Poder Judiciário pode ser protagonista na defesa da vida das mulheres”, concluiu.
O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, sublinhou em seu discurso que o enfrentamento à violência contra a mulher exige diagnóstico realista, coragem política e ações concretas e integradas entre os poderes. Ele lembrou que o Brasil convive há décadas com uma sensação de impunidade em relação a diversos tipos de crimes, o que retroalimenta a violência, inclusive no âmbito doméstico.
Ao citar os dados estaduais, o governador ressaltou a importância de ampliar canais de denúncia e mecanismos de proteção. “Só este ano, mais de 16 mil mulheres procuraram o sistema de proteção em Mato Grosso. Tivemos 51 casos com desfecho fatal, mas a imensa maioria das mulheres atendidas teve sua vida protegida. Estamos ampliando a Patrulha Maria da Penha e fortalecendo as delegacias e toda a rede de proteção. Não vamos esconder números. Se queremos resolver o problema, temos que falar sobre ele e agir com seriedade”, disse.
Mauro Mendes reiterou que o Governo do Estado está aberto a implementar todas as ideias razoáveis, factíveis e eficientes que contribuam para reduzir a violência. “Faremos tudo o que for necessário, inclusive o que pareça impossível, para proteger nossas mulheres e nossas crianças. A parceria com o Tribunal de Justiça e com as redes municipais é essencial para tirar Mato Grosso dessa realidade que nos envergonha”, comentou.
“Enquanto educador, eu vejo que a educação pode contribuir muito nessa pauta. Ensinar nossas crianças e nossos jovens a identificar as diversas formas de violência e, mais do que isso, a combatê-las, é fundamental. Não podemos tratar de violência doméstica apenas no ‘Agosto Lilás’. Nossa meta é que o tema esteja presente nos 200 dias letivos, de forma interdisciplinar. A escola precisa ser um espaço permanente de prevenção”, destacou.
Importância estratégica das redes
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica de Cuiabá, destacou que o trabalho em rede é decisivo para salvar vidas. “Sozinhos não conseguimos enfrentar a complexidade da violência doméstica. Quando Justiça, segurança pública, assistência social, saúde e educação atuam de forma integrada, o atendimento à mulher se torna mais rápido, mais humano e mais eficiente. Começamos 2025 com 36 redes e fecharemos o ano com 100, o que significa proteção estruturada em praticamente todo o estado”, ressaltou.
A ampliação de redes municipais fortalece o atendimento integrado às mulheres em situação de violência, com fluxos de acolhimento mais claros, articulação entre serviços, oferta de grupos reflexivos para agressores, ações educativas nas escolas e campanhas de divulgação da Lei Maria da Penha e dos canais de denúncia, como o 190 (emergência) e o 180 (denúncia anônima).
A abertura do II Encontro das Redes de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher contou ainda com a presença da desembargadora aposentada do TJMT, Maria Aparecida Ribeiro; a juíza auxiliar da Presidência do TJMT, Gabriela Knaul; a juíza auxiliar da CGJ-MT, Anna Paula Gomes de Freitas; o juiz auxiliar da Vice-Presidência, Gerardo Humebrto; do presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Tadeu Bortolin; do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi; deputado estadual Carlos Avalone; vereadora de Cuiabá Michelly Alencar; presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados, Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli; promotora de justiça Regilaine Magali Bernard Crepaldi, representando o Ministério Público Estadual; coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher, defensora pública Rosana Leite Antunes de Barros; a secretária da Mulher de Cuiabá, coronel Hadassah Suzannah; magistrados e magistradas das varas de violência doméstica, representantes de redes municipais de enfrentamento de diversos municípios, gestores públicos, profissionais da educação, integrantes da rede de assistência social, forças de segurança e representantes de entidades da sociedade civil.
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Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Lucas Figueiredo
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
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