O Projeto de Lei Complementar (PLC) nº 1/2026, que pretende limitar a possibilidade de afastamento remunerado de servidores públicos para o exercício de cargo de direção em sindicatos ou associações de classe, foi tema de audiência pública na tarde desta terça-feira (10). Requerida por lideranças partidárias, a discussão foi conduzida pela deputada Janaina Riva (MDB) no auditório Milton Figueiredo. Participaram do encontro, representantes de sindicatos e servidores públicos do estado e de municípios.
A matéria enviada pelo Governo de Mato Grosso para análise da Assembleia Legislativa foi criticada pelos presentes. O texto prevê a concessão de licença por um mandato classista, podendo ser prorrogada uma vez, em caso de reeleição para a mesma função. “Esse projeto significa dizer que seremos calados e amordaçados na busca por nossos direitos. Isso é inadmissível. Mato Grosso não pode protagonizar uma legislação que fere princípios constitucionais e recomendações de organismos internacionais”, afirmou a presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos de Mato Grosso, Carmem Machado.
Foto: Helder Faria
“É interessante observar o propósito do envio desta proposta justamente no momento em que o movimento sindical tensiona o governo na busca por direitos. Para nós, isso soa como um troco institucional, um castigo”, completou a representante, citando a mobilização dos servidores em busca da recomposição salarial existente referentes a partes não pagas da Revisão Geral Anual (RGA) nos últimos anos. Atualmente, estima-se que a perda é de 18,38%.
O presidente da Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos Municipais do Mato Grosso, Nedilson Maciel dos Santos, destacou que o projeto pode impactar cerca de 252 mil servidores, entre estaduais e municipais. Segundo o representante, há municípios que adotam as mesmas regras estipuladas pelo governo do estado. “Quem deve eleger o presidente do sindicato é a categoria sindicalizada. Não cabe a um governador, a um prefeito limitar o número de mandatos”, afirmou.
Na avaliação do vice-presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), João Fernandes, o Poder Executivo pretende interferir no funcionamento de sindicatos com a proposta. Ele chamou atenção para trecho que prevê que o servidor eleito além do limite deverá conciliar a atividade sindical com as atribuições de seu cargo efetivo. Além disso, a participação em assembleias, reuniões ou atos terá de ser autorizada pela chefia, caso não mudanças no projeto.
“É um processo antissindical. A pergunta que fica para todos responderem: sabemos que existe a proteção da liberdade de associação, do sindicato escolher seus dirigentes e elaborar seus estatutos. Qual seria o motivador para se ter um PLC que visa, simplesmente, a ingerência do Estado na organização sindical?”, questionou.
A deputada Janaina Riva também comentou esse aspecto do projeto. “Imagina o servidor ter de atuar na sua função convencional e não poder se ausentar do seu trabalho para poder fazer as atividades do sindicato. Por exemplo, reuniões como essa que está acontecendo aqui na Assembleia… essas reuniões vão ter de ser feitas à noite? O servidor vai representar a sua categoria somente no período noturno?”, argumentou a parlamentar. Além da deputada, estiveram presentes Lúdio Cabral (PT), Eduardo Botelho (União) e Wilson Santos (PSD).
Conclusões – Segundo a deputada Janaina, há vários encaminhamentos em discussão. O principal deles é tentar reprovar a proposta, mesmo diante das dificuldades, já que o governo conta com uma base superior a 13 deputados, o que pode garantir os votos necessários.
Ela explicou que diante desse cenário, o foco passa a ser a apresentação de alterações ao projeto que tramita na Assembleia, por meio de emendas ou de um substitutivo integral. “Essa discussão precisa acontecer agora, ao longo das votações, porque ainda não temos convicção sobre quantos votos temos para barrar essa pauta”, afirmou.
Apesar disso, a parlamentar avaliou que ainda há margem para negociação e ajustes no texto. “Dá para avançar, trabalhar emendas e dialogar com os deputados estaduais para buscar alguns avanços no projeto”, disse. Por fim, reforçou que, neste momento, o objetivo principal é o de reprovar a matéria.
No mesmo sentido, o deputado Lúdio Cabral destacou a importância da audiência para o esforço de mobilização dos servidores. Segundo ele, o projeto ainda não foi oficialmente pautado para a sessão desta quarta-feira, apesar de já contar com parecer favorável da Comissão de Trabalho, ainda que com dois votos contrários.
O parlamentar explicou que, caso a proposta venha a ser incluída na pauta, uma das estratégias será apresentar alterações no texto. “Se eventualmente o projeto for pautado, nós vamos apresentar, já amanhã, emendas ou um substitutivo para que ele retorne à Comissão”, afirmou.
De acordo com Cabral, a medida busca garantir mais tempo para ajustes e articulação política. “A ideia é corrigir os erros que o projeto tem e garantir os votos necessários, seja para aprovar um substitutivo que corrija as distorções, seja para derrubar o projeto que o governador encaminhou”, completou.
Após ser procurado por lideranças comunitárias dos bairros Jardim Botânico, Santa Luzia e Terra Prometida de Cuiabá, o deputado estadual Wilson Santos (PSD) articulou uma reunião com representantes da concessionária Águas Cuiabá, nesta quarta-feira (4), para discutir soluções relacionadas ao abastecimento de água e à coleta de esgoto nessas regiões, que juntas, contam com mais de mil famílias. O encontro ocorreu no gabinete do parlamentar e contou com a presença do diretor-geral da concessionária, Leonardo Menna, do coordenador jurídico e regulatório, Denis Canavarros, além de representantes das comunidades.
Segundo o parlamentar, a reunião foi uma oportunidade de aproximar a concessionária das demandas da população e buscar encaminhamentos para os problemas relatados. “São bairros que reclamam da questão da água e do esgoto. Estive no Jardim Botânico e tomei conhecimento de que Águas Cuiabá já universalizou a rede de esgoto. Provavelmente, Cuiabá é a primeira capital do país a chegar neste patamar. São mais de 91% da rede de esgoto instalada, o que nos deixa satisfeitos”, destacou.
Apesar do avanço na infraestrutura, Wilson Santos chamou atenção para o baixo índice de ligações domiciliares ao sistema. “Apenas cerca de 30% dos domicílios estão ligados à rede de esgoto. Isso significa que 70% ainda estão lançando resíduos em locais inadequados. É obrigação do munícipe, responsável pelo imóvel, fazer essa ligação, já que ele é quem gera o esgoto. Estamos falando de investimentos de bilhões”, explicou.
O bairro Jardim Botânico conta com 258 famílias, no Terra Prometida são aproximadamente 700 e 84 no Santa Luzia, sendo que um dos problemas que prevalecem nestas localidades são problemas relacionados à baixa pressão da água, vazamentos na rede e a necessidade de ampliação da coleta de esgoto. Segundo o deputado, muitas dessas comunidades surgiram a partir de ocupações urbanas, reflexo da ausência histórica de políticas habitacionais.
A presidente da Associação de Moradores do Jardim Botânico, Andréa Galvão, relatou que a comunidade enfrenta problemas frequentes no abastecimento de água. “Há muitos canos estourados e a água fica fraca, muitas vezes, não chega até a caixa. Também precisamos da rede de esgoto e, infelizmente, os moradores acabam convivendo com resíduos. A maioria tem condições de fazer a ligação à rede”, disse.
Durante a reunião, o diretor-geral da Águas Cuiabá explicou que a ligação dos imóveis à rede de esgoto é a alternativa para garantir a coleta adequada e destacou que a concessionária já apresentou estudos e projetos para ampliar o atendimento em áreas que ainda não possuem cobertura. De acordo com ele, a empresa mapeou áreas irregulares e já iniciou tratativas com o poder público municipal para avançar nas soluções.
“Agradecemos a oportunidade de ouvir a reivindicação da comunidade. O prefeito já nos demandou uma proposta para resolver a situação, que está tramitando na agência reguladora municipal. A expectativa é que possamos avançar e resolver esse problema em breve”, afirmou Leonardo.
Segundo a concessionária, o custo para a ligação do imóvel à rede de esgoto pode variar entre R$ 2 mil e R$ 9 mil, dependendo da localização da fossa e das condições da infraestrutura existente. “Água é vida e o esgoto também é fundamental para a saúde pública. A Águas Cuiabá tem demonstrado atenção às demandas da população e esperamos que essa situação seja resolvida. Agradecemos a intervenção do deputado com essa nossa reivindicação”, afirmou o morador Jonhy Araújo.